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  • Zero Hora
    27/03/2020

    Pilotos e comissários da Latam e da Gol aprovam propostas que reduzem até 80% dos salários
    Medidas, apresentadas à categoria como alternativas às demissões em massa, valem por três meses

    Pilotos e comissários da Latam e da Gol, as duas maiores companhias aéreas do país, aprovaram nesta quinta-feira (26) propostas das empresas para redução de salários que, na prática, chega a até 80%. As medidas valem por três meses e foram apresentadas à categoria como alternativas às demissões em massa. O setor aéreo tem sofrido forte retração devido à pandemia do novo coronavírus.

    As propostas foram votadas pelos empregados em ambiente virtual por três dias. A elaborada pela Latam recebeu o aval de 97% da categoria e a da Gol, 95%. As aéreas têm 21 mil e 17 mil funcionários, respectivamente, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA).

    Nos últimos dias, o SNA buscava pressionar parlamentares a aprovarem emendas que liberassem o saque integral do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) aos profissionais do setor. O salário da categoria é composto por uma parcela fixa e uma remuneração variável, que depende do número de horas voadas.

    A parcela fixa não pode ser menor do que o piso salarial dos trabalhadores da aviação. Hoje, o piso de pilotos é de R$ 9,4 mil, o de copilotos é R$ 4,9 mil e o de comissários, R$ 2.277. Pela proposta aprovada, a Gol vai reduzir a parcela fixa dos salários em 30% em abril, 40% em maio e 50% em junho, segundo Dutra. Na Latam, o corte da remuneração fixa seria de 50%, segundo a proposta da companhia, ainda de acordo com o sindicato. As duas empresas também lançaram programas de licenças não remuneradas para a categoria. Com a diminuição nos voos, o corte é ainda maior, segundo o sindicato.

    — Como a oferta de voos caiu de maneira vertiginosa, o corte dos salários no somatório vai chegar a 80%. As propostas são importantes porque vão preservar os empregos, mas precisamos da liberação do FGTS para poder sobreviver à crise — diz Ondino Dutra, presidente do SNA.

    A Azul, terceira maior empresa do setor, também formalizou uma proposta ao sindicato dos aeronautas de acordo coletivo que prevê a redução de 15% dos salários-base dos seus funcionários, mas o texto ainda não foi votado.

    O sindicato quer, no entanto, que a Azul retire a proposta porque 9.500 de seus 14 mil funcionários já aderiram a licenças não remuneradas, o que permitiria à empresa mitigar os efeitos da redução de demanda por voos. A questão ainda está em negociação com a companhia, diz Dutra.

     

     

    Poder360
    27/03/2020

    Pandemia ameaça 60 mil empregos no setor da aviação, estima Iata
    100 empresas devem fechar - Setor terá prejuízo de US$ 7,7 bi - Associação pede socorro
    WEUDSON RIBEIRO

    A aviação brasileira vai perder US$ 7,7 bilhões em 2020 devido à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, que ameaça 60 mil empregos formais no setor. As estimativas são de Peter Cerda, vice-presidente da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), nas Américas. Ele deu a declaração em videoconferência com jornalistas nesta 5ª feira (26.mar.2020).

    Segundo cálculos da associação, o valor representa prejuízo de 40% na receita do setor aéreo em comparação com 2019.

    Para contornar o problema, o dirigente pede ao setor econômico que facilite o acesso a linhas de crédito, alivie impostos e injete capital nas companhias aéreas. “Há muitos outros setores que dependem sua sobrevivência à aviação comercial e é por isso que voltamos a pedir toda ajuda possível dos governos locais, pois precisamos de apoio com urgência”, afirma Cerda.

    De acordo com o executivo da Iata, cerca de 100 empresas do setor aéreo devem suspender as atividades até o início de abril por causa da pandemia de covid-19. “Os governos precisam entender o papel da indústria aérea na economia. Muitos negócios dependem das viagens para transporte de matérias-primas”, insistiu.

    Com relação à Argentina, ele relatou que o país vizinho vai perder receitas de US $ 2,4 bilhões devido ao surto da doença, colocando em risco cerca de 15.000 empregos. As autoridades de lá contabilizaram uma morte por covid-19 nesta 5ª feira (26.mar), além de 430 casos ativos da doença. O governo argentino registrou 9 mortes até aqui.

     

     


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