Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Segunda-Feira, 21 de Agosto de 2017
31/10/2009

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Folha de São Paulo
31/10/2009

Seguro de avião dá sobrevida à velha Varig
DA REPORTAGEM LOCAL

A Flex, empresa remanescente da recuperação judicial da Varig, ganhou ontem uma sobrevida com a prorrogação, por mais cinco dias, da validade do seguro de sua única aeronave. O seguro venceu ontem e a companhia não tem os US$ 150 mil necessários para renová-lo.

Mesmo com a prorrogação, a companhia não fará nenhum voo antes de quarta-feira, pois a aeronave vai parar para manutenção. A empresa deve quatro meses de aluguel do avião e acumula dívida de R$ 8 milhões.

A Flex precisa se manter de pé até a conclusão das negociações do encontro de contas entre as dívidas e os créditos da Varig com a União.

As negociações começaram há sete meses, a pedido da Advocacia-Geral da União. Na próxima terça-feira, a AGU deve apresentar uma proposta para resolver a questão.

Uma eventual falência da Flex pode dificultar o recebimento de indenizações pelos trabalhadores e pensionistas da velha Varig. (MARIANA BARBOSA)

 

 

Folha de São Paulo
31/10/2009

Embraer negocia montagem de aviões médios na China
Por falta de demanda, fabricante brasileira teme fechar fábrica na China que funcionava desde 2003 e monta aeronaves menores
FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM

A Embraer está negociando com a China a montagem de aviões maiores naquele país. O objetivo é convencer o governo chinês a concluir a compra de 45 jatos brasileiros, discutida já há mais de três anos, além de garantir a sobrevida da fábrica que a empresa mantém na cidade chinesa de Harbin.

O acordo seria um dos temas da reunião bilateral entre Brasil e China que aconteceria em novembro e que acabou cancelada. O cancelamento adiou os planos da Embraer de garantir presença em território chinês. A empresa espera dar continuidade às negociações no fim do mês, quando uma autoridade chinesa deve visitar o Brasil.

A Embraer monta em Harbin, desde 2003, seus jatos ERJ-145, com capacidade para 50 passageiros. A fábrica surgiu de uma parceria com a estatal chinesa Avic II para atender a encomendas do modelo feitas por empresas aéreas da China.

Desde 2006, a Embraer não registra novas vendas do ERJ-145 para a China. A última encomenda, de 50 unidades do jato, foi feita pela empresa Hainan. Neste ano, porém, a Hainan reduziu os pedidos pela metade -e surgiram rumores de que a fábrica de Harbin pode ser fechada em 2011, quando terminam as entregas.

Para impedir que isso aconteça, a Embraer decidiu oferecer ao governo chinês a montagem no país também dos jatos da família 190, os maiores produzidos pela empresa, com capacidade para até 122 pessoas.

Seriam montadas na China, a princípio, as 45 unidades negociadas há três anos com a chinesa KunPeng. A saída permitiria à brasileira manter presença no disputado mercado chinês. Em previsão divulgada em 2008, a Embraer estimou que, nos próximos 20 anos, a China demandará 875 jatos entre 30 e 120 assentos, o que equivale a 13% do mercado mundial.

Executivos da Embraer mostram preocupação quanto ao futuro da fábrica de Harbin. Em maio, quando o presidente Lula esteve em Pequim, ele conversou com o presidente chinês, Hu Jintao, para tentar destravar a venda dos 45 aviões da Embraer à KunPeng, mas não teve sucesso.

Outro desafio para o produto da empresa brasileira é que a China acaba de lançar um jato de tamanho médio, o primeiro de uma estatal chinesa sem associação com estrangeiros. O ARJ-21 tem dois modelos, com 105 e 90 assentos, que concorrem diretamente com as aeronaves da Embraer.

A pesquisa para a produção do ARJ-21 levou dez anos. Ele começou a ser fabricado no ano passado por uma estatal em Xangai. Já há 210 encomendas para o avião chinês.

"Para estimular a produção local, é claro que a China vai dificultar a entrada de modelos similares médios, o que afeta a Embraer", disse o especialista em aviação comercial Lao Xin, da consultoria KRC.

"Como a China vai levar muito tempo para produzir seus próprios aviões grandes, Boeing e Airbus, que já têm fábricas na China, não são afetadas", diz. A Embraer disse que não comentaria o assunto.

O mercado de aviação chinês é o que mais cresce no mundo. Segundo o consultor Lao Xin, a China irá adquirir mais 3.000 aviões na próxima década.

 

 

Folha de São Paulo
31/10/2009

Índios acham sobreviventes de avião da FAB
Eles localizaram nove pessoas que sobreviveram à queda de um monomotor da Aeronáutica, na manhã de quinta-feira
Outros dois ocupantes da aeronave, um militar e um funcionário da Funasa, ainda permaneciam desaparecidos ontem

ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Um grupo de índios da tribo matis localizou nove pessoas que sobreviveram à queda de um monomotor da Força Aérea, na manhã de quinta, na selva amazônica. Outros dois ocupantes do avião, um militar e um funcionário da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), estavam desaparecidos.

Os sobreviventes, entre eles uma grávida, foram achados pelos índios, que caçavam às margens do rio Ituí, cerca de 12 horas depois do acidente. Todos passaram a noite na mata fechada, sem comida e sendo atacados por insetos.

Ontem de manhã, os índios foram à aldeia e, por rádio amador, avisaram a administração regional da Funai, que acionou a Aeronáutica.

O piloto do avião tentou um pouso de emergência no rio.

Com o impacto, o técnico da Funasa João de Abreu Filho ficou preso nas ferragens, o que levou a Aeronáutica a divulgar que houve um "possível óbito".

O outro desaparecido é o suboficial Marcelo dos Santos Dias, que, segundo sobreviventes, foi arrastado pela correnteza aparentemente desacordado. Com o auxílio dos índios, a FAB fez buscas por todo o dia na região. A aeronave afundou.

A bordo do Cessna C-98 Caravan estavam quatro militares e sete servidores da Funasa. O avião decolou de Cruzeiro do Sul (AC) às 8h30 e deveria chegar a Tabatinga (AM), na tríplice fronteira -Brasil, Colômbia e Peru-, às 10h15.

Mas, 58 minutos após a decolagem, o Salvaero da Aeronáutica recebeu um sinal de emergência emitido pelo sistema ELT (que envia mensagens de socorro automáticas), provavelmente durante a tentativa de pouso de emergência. O tempo era bom, e por isso especula-se que possa ter ocorrido uma pane do motor.

Em Manaus, a Aeronáutica informou que ainda não sabe as causas do acidente. Para Jorge Cruz de Souza e Mello, comandante do 7º Comar (Comando Aéreo Regional), a perícia do piloto ao realizar o pouso forçado foi determinante para a sobrevivência de nove pessoas.

Em nota, a Funai contou que os índios caçavam na mata quando ouviram um "barulho diferente". Eles passaram a noite no local com os sobreviventes e, ao amanhecer, voltaram à aldeia, de onde passaram ao Comar de Manaus as coordenadas geográficas do local.

O monomotor da FAB transportava para Tabatinga uma equipe da Funasa que, durante 17 dias, participou de uma campanha de vacinação de 3.700 índios de 40 aldeias no Vale do Javari, no Amazonas.

Sete aeronaves da FAB participavam das buscas. Entre elas, um avião R-99, usado no acidente da Air France, com sensor que faz varredura térmica. As buscas cobriram 3.570 km2 de selva fechada.

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) já iniciou a investigação. A localização dos destroços, especialmente do motor, e o depoimento dos pilotos -o 1º tenente Carlos Wagner Ottone Veiga e o 2º tenente José Ananias da Silva Pereira- serão fundamentais.

Eles poderão explicar por que não fizeram contato via rádio reportando algum problema. Pouco antes de o sistema ELT emitir o sinal de emergência, a aeronave fez um contato de rotina com o controle aéreo.

Nada de anormal foi relatado pela tripulação.

O comandante do 7º Comar disse que o sinal foi captado por satélites. Mas, segundo ele, não foi possível detalhar as coordenadas "provavelmente porque o avião submergiu e o sinal ficou mais fraco".

O C-98 Caravan é um avião considerado seguro e com histórico reduzido de acidentes. É usado tanto na aviação civil quanto na militar.

 

 

Folha de São Paulo
31/10/2009

Vítimas reclamam de fome e de insetos
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM

Com fome, picadas de inseto por todo o corpo e muito nervosos, os sobreviventes foram levados de helicóptero ao Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul (AC). Entre eles, estava a enfermeira Josiléia Vanessa de Almeida, que está grávida de 14 semanas. Ela e o bebê passam bem.

O diretor do hospital, Marcos Roberto de Melo, afirmou que outros três sobreviventes, que faziam parte da tripulação do avião, receberam atendimento médico de militares e nem deveriam ficar no hospital.

A enfermeira e os outros cinco técnicos em enfermagem encontrados passariam por exames adicionais no próprio hospital, e deveriam ficar em observação ao menos até a noite de ontem.

Apesar de "psicologicamente abalados", como descreveu Melo, nenhum deles sofreu lesões graves. Alguns tiveram escoriações leves e todos estavam com muitas picadas de insetos, por terem ficado cerca de 24 horas na área, de mata muito densa. "Estávamos preparados para algo muito pior. Mas graças a Deus não foi tão grave."

Para Raylivan Silva, filho da sobrevivente Maria das Dores Silva, os momentos de espera até a encontrarem foram de vigília. Ele contou que as famílias de outros então desaparecidos que, como ele, moram em Atalaia do Norte, se reuniram para rezar e esperar notícias. Não conseguiram dormir.

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