Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quinta-Feira, 27 de Abril de 2017
26/02/2009
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O Estado de São Paulo
26/02/2009

Lula recebe dirigentes da Embraer e não pede a revisão das demissões
Segundo o ministro Miguel Jorge, presidente continua ?inconformado?, mas entendeu as alegações da empresa
Renata Veríssimo e Leonencio Nossa

Depois de se dizer indignado com as 4,2 mil demissões anunciadas pela Embraer na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se limitou ontem a ouvir as explicações dos dirigentes da empresa. Após mais de duas horas de reunião, no Palácio do Planalto, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, informou que Lula continua inconformado, mas "não pediu que (a empresa) recontratasse os funcionários porque entendeu que era uma questão de demanda pela produção de aviões da Embraer".

Miguel Jorge confirmou que o governo soube por meio da imprensa, em dezembro, que a empresa poderia fazer um corte de até 20% no total da mão de obra empregada. Ele contou que telefonou, na época, para dirigentes da Embraer, que negaram a informação. O ministro relatou ainda que Lula recebeu a notícia da decisão final da Embraer na quinta-feira, pela manhã. À tarde, após o anúncio da empresa, assessores do presidente informaram que Lula estava surpreso com a decisão.

Ontem, o presidente da Embraer, Frederico Curado, disse que não houve negociação prévia com o governo, que teria sido avisado nas vésperas das demissões. "Não é problema do governo, ou com o Brasil. O problema é do mercado internacional." Ele afirmou que a Embraer só voltará a contratar quando houver aumento das encomendas por aeronaves.

"O restabelecimento das contratações ocorrerá quando o mercado internacional melhorar. Não temos uma visão clara de quando isso vai acontecer." Para ele, a recuperação do nível de produção e das encomendas deve demorar dois a três anos.

Segundo Curado, Lula pediu que a Embraer dê um apoio adicional dos demitidos. A empresa já garantiu a manutenção do plano de saúde dos funcionários e seus familiares por um ano. "Ele (Lula) pediu que a empresa verifique o que é possível fazer para atenuar o problema das pessoas dispensadas", relatou Miguel Jorge.

De acordo com outro participante do encontro, Lula, ao ouvir dos dirigentes da Embraer que a empresa depende de uma melhora nas condições do mercado para fazer novas contratações, disse: "Vamos torcer para o mercado melhorar". Na quinta-feira da semana passada, Lula estava indignado com as demissões, segundo relato do presidente da CUT, Artur Henrique, após encontro com o presidente. O sindicalista contou que Lula afirmara ser inadmissível uma empresa beneficiada com recursos públicos demitir ao primeiro sinal de problemas. O relato de Artur Henrique não foi desmentido pelo Palácio do Planalto.

Participaram da reunião, além de Miguel Jorge, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Pela Embraer, além de Curado, o presidente do Conselho Administrativo, Maurício Botelho, o vice de Assuntos Corporativos, Horácio Forjaz, e o vice financeiro, Luiz Carlos Siqueira.

Curado garantiu que novas demissões não estão nos planos da empresa. "Já nos ajustamos", disse. A Embraer, segundo ele, teve cancelamentos ou adiamentos de 2009 para 2011 ou 2012 de 30% das encomendas de aviões, reduzindo as receitas previstas da empresa em US$ 1 bilhão. Curado disse que 93% das encomendas são do mercado externo e apenas 7% do mercado interno. "Esse foi o impacto, observado desde julho de 2008."

 

 

O Estado de São Paulo
26/02/2009

Para a Azul, crédito do BNDES não será afetado
Alberto Komatsu

A insatisfação do governo com a demissão de 4,2 mil trabalhadores da Embraer não deverá prejudicar o financiamento que a Azul Linhas Aéreas está negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de quatro jatos da fabricante brasileira. A avaliação é do diretor de Relações Institucionais da companhia, Adalberto Febeliano.

"Isso não faz nenhum sentido. Não é à base de represálias que vai se resolver essa questão. Todos os fabricantes de aeronaves estão sentindo a crise, com adiamento de entregas e cancelamentos", disse Febeliano. O executivo não estimou a quantia pleiteada e diz que o agente financeiro de dois dos aviões deverá ser o Banco do Brasil. Seria uma forma de diluir o risco da operação liderada pelo BNDES, disse.

Além das quatro aeronaves que deverão ser financiadas pelo BNDES, Febeliano conta que a Azul negocia um financiamento externo para uma quinta aeronave. Uma fonte do setor afirma que se trata de um banco alemão. Segundo essa pessoa, o fato de a Azul estar procurando uma fonte de financiamento externo para financiar uma aeronave, em vez de optar pelo BNDES, é uma estratégia para a empresa não ter alta dependência de apenas uma fonte de financiamento.

Febeliano afirma que a frota da Azul em 2009 poderá ser menor do que a inicialmente planejada: 14 aeronaves, em vez de 16.

 

 

O Estado de São Paulo
26/02/2009

Sindicato vai pedir no TRT a reintegração dos demitidos
Marianna Aragão e Tatiana Fávaro

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região vai apresentar, em reunião hoje à tarde, no Tribunal Regional de Trabalho (TRT) de Campinas, um pedido para reintegração dos 4,2 mil funcionários dispensados pela Embraer na semana passada. Os sindicalistas querem derrubar a demissão em massa feita pela fabricante de aviões, alegando que não houve negociação entre a empresa e os representantes dos empregados.

"Os tribunais têm entendido que para haver uma demissão em massa é preciso que antes se abra um processo de negociação. Desde dezembro tentávamos negociar com a empresa e, então, no dia 19, recebemos uma resposta: o corte", afirmou o secretário-geral do sindicato em São José dos Campos, Luiz Carlos Prates. As centrais Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e Força Sindical também participarão do encontro.

Segundo o advogado Peterson Muta, do escritório L.O. Baptista Advogados, a demissão coletiva não é regulamentada pela legislação trabalhista brasileira - portanto, não é proibida nem condicionada.

Decisões recentes, porém, apontam para a nulidade das dispensas em massa, nos casos em que não há participação dos sindicatos nas negociações. Além dos sindicatos, o Ministério Público do Trabalho também pode pedir a anulação da demissão, afirma Muta.

Para o advogado Paulo Sérgio João, do escritório Mattos Filho, é pouco provável que os juízes decidam pela readmissão dos funcionários. Uma saída, segundo ele, seria ampliar os direitos dos demitidos, com concessão de um mês a mais de aviso prévio ou assistência médica. "É uma forma de amenizar o impacto social."

 

 

O Estado de São Paulo
26/02/2009

Ordinárias da Embraer despencam
AÇÃO DO DIA

As ações ordinárias da Embraer caíram 11,08%, por receio de que o governo possa reagir à demissão de 4,2 mil funcionários, por meio do BNDES, e à revisão, para baixo, das projeções de receita e investimentos.

 

 

Folha de São Paulo
26/02/2009

Embraer se reúne com Lula e prevê recuperação lenta
Empresa diz que não tem como rever 4.200 demissões por causa do cenário externo
Segundo presidente da Embraer, Lula pediu apenas que a fabricante de aviões tente oferecer mais benefícios aos demitidos

HUMBERTO MEDINA
ANGELA PINHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Embraer não só ratificou a demissão de 4.200 funcionários como afirmou que não há previsão de recontratação pelos próximos dois ou três anos, quando, segundo a empresa, o cenário econômico continuará ruim, sem retomada nas encomendas externas.

O presidente Lula pediu, no encontro, que a Embraer incremente os benefícios sociais a quem perdeu o emprego, oferecendo algo além do pagamento do plano de saúde pelos próximos 12 meses, já oferecido pela empresa.

Em entrevista do presidente da Embraer, Frederico Curado, e do ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento), após a reunião, o executivo disse que foi explicado a Lula que as demissões aconteceram por causa da redução de 30% na demanda por aviões no mercado externo. No caso da Embraer, segundo Jorge, o mercado externo representa 93% da demanda.

Questionado sobre por que a empresa não optou por medidas menos drásticas, como férias coletivas, Curado disse que o cenário projetado pela empresa não permitiu essa decisão. "Férias coletivas é quando se tem uma visão de uma recuperação a curto prazo. Nossa visão é que as encomendas e o nível de produção vão demorar de dois a três anos para se recuperarem. Se acontecer antes, excelente", disse Curado.

Ele disse ainda que não é possível rever as demissões de 20% da força de trabalho da empresa. "Só poderíamos voltar atrás se houvesse retomada das encomendas, o que não está previsto a curtíssimo prazo. O problema não é da empresa nem do Brasil. É do mercado internacional", disse o executivo.

Tanto Curado quanto Jorge disseram que Lula não pediu para que as demissões fossem canceladas. "O presidente nos fez um apelo para ver o que a empresa pode fazer além do que já está fazendo", afirmou Curado.

Cobrado a respeito dos empréstimos do BNDES à Embraer, Jorge disse que, na verdade, o banco não financia diretamente a empresa. "O BNDES financia quem compra os aviões da Embraer", afirmou.

De acordo com Curado, as demissões não foram objeto de negociação com o governo e foram comunicadas quando já estavam prestes a serem anunciadas. "Nós só comunicamos o governo às vésperas de acontecer, não houve discussão prévia", afirmou Curado. De acordo com Miguel Jorge, o presidente foi avisado na quinta-feira da semana passada.

A Folha publicou, na semana passada, que o presidente Lula sabia desde segunda-feira que a Embraer anunciaria uma grande demissão no seu quadro de pessoal. No dia em que a empresa oficializou as demissões, segundo relato do presidente da CUT, Artur Henrique, Lula se disse indignado e afirmou que convocaria a empresa para ouvir explicações e tentar reverter as demissões.

Na segunda-feira que antecedeu o anúncio houve reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, na sede do Banco do Brasil em São Paulo, e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, antecipou aos demais participantes que a situação da Embraer, por depender muito do mercado externo, era complicada por conta da crise internacional e que haveria "expressivas demissões".

Estavam na reunião o ministro José Múcio (Relações Institucionais), o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, os presidentes do Banco do Brasil e da CEF (Caixa Econômica Federal), Antônio de Lima Neto e Maria Fernanda Coelho, além de Henrique, da CUT, entre outros.

 

 

Site www.vermelho.org.br
26 DE FEVEREIRO DE 2009 - 12h26

Nacionalizar a Embraer e criar a Aerobrás
Não faz muito tempo, em uma de suas viagens pela América do Sul, o presidente Lula mencionou a possibilidade de que o Estado brasileiro viesse a criar uma empresa aérea regional, caso os empresários não se dispusessem a tal empreitada.
Por Beto Almeida, para a Telesur*

Segundo explicou, esta empresa aérea regional seria necessária para dar acompanhamento, suporte, servir de continuidade lógica do processo de integração econômica em curso na América Latina, aliás, conforme inscrito no preâmbulo da Constituição Cidadã, como ocorre também nas demais cartas constitucionais dos países da Unasul.

Pois agora o colapso financeiro do capitalismo central reclama gestos ainda mais arrojados: a demissão de 20 por cento dos trabalhadores da Embraer vem mostrar a quem ainda não havia percebido o lado mais trágico da privatização.

Pode-se imaginar quanta dor há em tantos lares de bairros operários hoje? Quantas crises familiares terão sido esgarçadas? Quantos trabalhadores não estarão agora com problemas de saúde agravados? Quantos não se desesperarão para o álcool ou a depressão? Quanto isto agrava as tensões sociais, a violência juvenil, as estatísticas de homicídio e a selvageria na sociedade em geral?

A privatização da Embraer, feita com recursos do BNDES, recursos dos próprios trabalhadores, entregou uma empresa criada com recursos nacionais, com poupança nacional, para um projeto sem sentido, vulnerável à oscilação das tão elogiadas economias do Primeiro Mundo, agora se revelando com o Pior dos Mundos.

O mercado externo se retrai e a Embraer lança mão da guilhotina, como se pudesse não dar satisfações, como se não tivesse compromissos a cumprir com os interesses nacionais e , dentre estes, o mais precioso é o povo trabalhador, que não pode ser sacrificado em razão de uma privatização que se revela criminosa do ponto de vista sócio-econômico.

Qual a saída? Os acionistas originários — o povo brasileiro — merecem respeito. Todo o esforço de décadas para a construção de uma indústria aeronáutica no país de Santos Dumont não pode simplesmente resultar numa verdadeira delinquência social, em razão do colapso financeiro nos EUA que está longe de ter solução.

Afinal, a delinquência financeira permitida, tolerada, este cassino monetário, ainda tem 600 trilhões de capitais especulativos circulando artificialmente pelo mundo. O pacote do Obama é de apenas 1 trilhão. Ou seja, a quebradeira está longe de acabar.

A história ensina

Entretanto, se abrirmos os olhos para as lições que História oferece é possível sim perceber que há saídas, desde que haja arrojo para rupturas com estes laços de subordinação e esmagamento às economias em degringolada geral.

Márcio Pochmann, em artigo no Valor Econômico, argumenta sobre a necessidade de um novo estado. Sim, foi assim que lá atrás, na década de 30, aquela crise serviu de alavanca para uma nova formatação de estado.

Nacionalização do sub-solo, criação do Instituto do Açúcar e do Álcool para abrir a etapa da energia da biomassa que avança pelo mundo, mais tarde a Vale do Rio Doce, também construída com os recursos dos acionistas originários (Povo Brasileiro), depois a Siderúrgica Nacional, a Petrobrás, a necessária criação de direitos trabalhistas tirando o povo pobre da senzala do emprego-zero, o ensino público e gratuito e obrigatório.

Era toda uma nova plataforma de país. O país arrancou. Sua arrancada foi interrompida em 1945 pela enganosa ideia da alternância do poder, na qual Dutra, eleito por Vargas com uma frase pronunciada entre um chimarrão e uma charutada, traiu clamorosamente tudo o que vinha sendo construído, entregando o país novamente à vassalagem colonial.

Vargas volta pelo voto em 1950, voto que pedia a continuidade da plataforma nacionalista iniciada pela Revolução de 1930, quando o povo se levantou de armas nas mãos. Não dos porões escuros da repressão do Estado Novo, mas daquela etapa que dentro do processo contraditório vivido pelo país, via nascer também a Rádio Nacional e a Rádio Mauá, a Emissora do Trabalhador, o Instituto Nacional do Cinema, o do Livro, o do Teatro.

Aquele programa econômico permitiu ao Brasil organizar uma das economias que mais cresceu em décadas sucessivas, ciclo interrompido em 1980. Segundo cálculos do professor Márcio Pochmann, se o programa econômico da Era Vargas tivesse se mantido, hoje o Brasil seria a terceira maior economia do mundo. As ordens coloniais para destruir a Era Vargas foram muito claras.

Agora, os 4 mil trabalhadores demitidos da Embraer são um vigoroso chamado à consciência nacional, ao governo Lula, aos sindicatos, aos pensadores, aos militares nacionalistas que se empenharam na levantar aquela indústria aeronáutica, não para vê-la retroceder em favor das concorrentes internacionais de países que lançam mão de modo descarado da impressão — já não é emissão — impressão de papel pintado, moeda falsa, sem lastro, que os países que têm lastro em riqueza física são obrigados a engolir. Este desemprego em massa é um basta!

A re-nacionalização da Embraer, com a apuração de responsabilidades sobre o porquê, como e quem fez este crime de lesa-pátria da privataria é medida que torna-se obrigatória e só um presidente como Lula, com 84 por cento de apoio popular, como antes teve Vargas, possui a possibilidade histórica e política de adotar, convocando os brasileiros para sustentar perante o mundo tal gesto de soberania.

Os bolivianos não apoiaram a Evo Morales na recuperação da soberania nacional sobre as riquezas minerais? Hoje a Bolívia sai das trevas neoliberais, começa a comer e já foi declarada pela Unesco ''Território Livre do Analfabetismo''.

Integração

Junto com esta medida é indispensável que o presidente concretize a ideia que anunciou em encontro com presidentes da Unasul: uma empresa nacional de aviação, aliás, revendo a injustificável e insustentável falência da Varig.

Como se pode entender que na era das comunicações, da globalização econômica, um país do porte do Brasil não tenha sua própria empresa aérea? A Argentina acaba de recuperar a Aerolíneas Argentinas, esquartejada no entreguismo carnal de Menem. E a Venezuela também recém recriou a Empresa Aérea Nacional, a antiga Viasa, falida na tragédia neoliberal agora é a Aeroven.

Se não há mercado externo — e pelo tamanho e profundidade da crise nos países centrais do capitalismo, tão cedo haverá — é preciso criar mercado interno e mercado regional.

O Brasil precisa ter sua própria empresa aérea nacional para vôos internos e internacionais. Quanto mais avancemos de fato na integração econômica, quanto mais progrida a Unasul, mais possibilidades e demandas haverá para o escoamento da produção de uma nova Embraer nacionalizada e redimensionada para as peculiaridades de um mercado de cidades de grande e médio porte, para vôos regionais, e também para as conexões sul-americanas, latino-americanas e com a África, sem a obrigação de pagar pedágio em aeroportos dos EUA e por uma empresa norte-americana, aliás, sustentada por moeda sem lastro.

Aerobrás

Se o BNDES, alavanca fundamental criada na Era Vargas, tem feito aporte de capitais para uma Embraer que destina sua produção ao exterior, também pode fazê-lo mas para recuperar o controle acionário para o Estado, consolidando a presença da Aeronáutica neste mecanismo de protagonismo, de um novo estado que precisa ser desenhado. E pode também financiar encomendas de aviões da Embraer para a Venezuela, a Bolívia, a Argentina, para o Irã, para Angola, além de criar através da empresa nacional de aviação uma possibilidade de acesso das camadas populares ao transporte aéreo, sobretudo na Amazônia, onde a cada ano centenas e centenas de brasileiros pobres são tragados pelas águas traiçoeiras de uma navegação insegura, precária, muitas vezes delinquente.

Aprofundando a linha já adotada pelo governo Lula de fortalecimento do sistema financeiro público, dos mecanismos de financiamento da produção, da construção de obras públicas em grande escala, de elevação dos salários e dos valores de todos os programas sociais e benefícios, haverá um mercado interno mais robusto, portanto a criação de escala necessária, socialmente justificada, para uma empresa aérea nacional capaz de absorver a produção de uma Embraer novamente controlada pelos acionistas originários, o povo brasileiro.

Para isto é indispensável que sejam criados mecanismos de participação dos trabalhadores na gestão desta nova Embraer, dotando-a de transparência, evitando esta guinada trágica para milhares de famílias de seus operários demitidos.

De um dia para o outro a empresa cantada em loas como produtiva, rentável, exemplar, moderna, primeiro mundista mostra toda sua cruel fragilidade, sua selvageria laboral, numa guinada que seguramente poderia ter sido percebida com antecipação, evitada com medidas preventivas, o seria no mínimo obrigatório para empresa com forte sustentação de recursos do BNDES, recursos dos próprios trabalhadores, do FAT, agora usados para o seu sacrifício.

A alternativa está na nossa própria história. Um novo tipo de estado, a recuperação das empresas estratégicas, a consolidação de uma nova plataforma que permita ao Brasil distanciar-se cada vez mais da instabilidade monetária delinquente do chamado primeiro mundo aloprado, das vacas-loucas e dos papéis pintados.

Cada vez mais distante da cartilha neoliberal, com protagonismo de estado, com a formatação de um estado de novo tipo é que encontraremos o caminho soberano e autônomo para sair da crise, crescendo quanto mais crescerem os países da América do Sul. O chamado primeiro mundo é exatamente o pior exemplo. A alternativa está no sul, o nosso norte é o sul.

Beto Almeida é jornalista e diretor da Telesur. Título do Vermelho

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