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25/01/2008

Ele tem R$ 1 bilhão para gastar
Com um plano ambicioso de modernização dos aeroportos, o brigadeiro Cleonilson Nicácio, novo presidente da Infraero, será um dos grandes investidores do País em 2009
GUSTAVO GANTOIS


CLEONILSON NICÁCIO: com as obras nos aeroportos, ele pretende deixar o Brasil pronto para a Copa de 2014

A fala mansa e pausada contrasta com a agitação corriqueira dos aeroportos. Aos 60 anos, o brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva decidiu deixar a farda da Aeronáutica no cabide por mais um tempo para assumir a presidência da Infraero. A estatal não é nenhuma novidade para ele, que desde agosto de 2007 despachava como diretor de Operações. Na nova função, um tema que ele não comenta, por disciplina, é a privatizacão dos aeroportos. Mas a verve militar é logo desarmada por um comentário que revela a prioridade do brigadeiro. "Vamos investir quase R$ 1 bilhão neste ano em todos os aeroportos", avisa. "Qual empresa privada poderia fazer isso?" De todo o dinheiro anunciado, porém, nem tudo será gasto por Nicácio.

Como em julho ele completará dois anos fora da Aeronáutica, terá de voltar ao quadro militar caso não queira ir compulsoriamente para a reserva. E há um motivo bastante forte para não perder o prazo de retorno: ele é um dos oficiais mais cotados para suceder o brigadeiro Juniti Saito no comando da Aeronáutica a partir de 2011, quando se tornará o mais antigo entre os integrantes do Alto Comando da FAB - e o critério do Palácio do Planalto para nomear o comandante tem sido o de antiguidade. "Se nada mudar até lá, quero fechar minha carreira dessa forma", confessa.

Contudo, ainda há muito trabalho pela frente. No plano de investimentos de Nicácio consta a aquisição de 20 ambulâncias, de 121 ônibus que substituirão os terceirizados e a construção de 15 torres de controle novas. A construção de dois novos aeroportos, os de Cruzeiro do Sul, em Santa Catarina, e de Boa Vista, em Roraima, também estão na sua lista. Fazem parte de uma estratégia de pequenos aeroportos que vem sendo montada desde os tempos em que Nicácio era diretor de Operações e defendia a descentralização para desafogar os grandes centros. Nesse ponto, o presidente da Infraero gosta de citar uma pesquisa feita pelo Conselho Internacional de Aeroportos, que aponta os de Brasília, Guarulhos e Salvador como mais pontuais do que Orly, em Paris, Heathrow, em Londres, e John Kennedy, em Nova York.

Para a próxima edição da pesquisa, Nicácio quer incluir o aeroporto do Recife. "Não estamos devendo nada aos outros", defende o brigadeiro. É por isso que Nicácio garante que, no que depender dos aeroportos, o Brasil já está pronto para a Copa de 2014. "Estou mais preocupado com Goiânia do que com o Galeão", diz, fazendo menção à paralisação da reforma na capital goiana por conta de indícios de superfaturamento constatados pelo Tribunal de Contas da União.

Aliás, é só entrar nesse assunto que o presidente da Infraero muda de humor. Além de Goiânia, o TCU listou irregularidades nos aeroportos de Macapá, Vitória, Belém e Guarulhos.

A bem da verdade, é rescaldo de administrações passadas, tanto que a Casa Civil assumiu para si a solução dos problemas envolvendo as obras. "Em três meses, a situação estará normalizada e poderemos retomar os trabalhos", diz Nicácio. "Mas garanto que, em hipótese alguma, a Infraero poderá tomar partido das empreiteiras." Enquanto o processo não se regulariza, ele tem tratado com afinco da operacionalização dos aeroportos mais problemáticos.

A reforma do Galeão, cercada de polêmica, já está servindo de modelo para Guarulhos. "Se antes eu falava para a diretoria que Guarulhos teria de servir de referência para o Galeão, hoje já digo o contrário", afirma o brigadeiro. O investimento, ao contrário do que podem pensar os críticos, não é apenas para aliviar o Santos Dumont. "Não queremos voltar à situação de desconforto que existia antes", justifica Nicácio. "Hoje o sistema está balanceado, um grande aeroporto com um grande tráfego e um aeroporto menor com um movimento menor. Mas poderemos, ainda, transferir para ele os voos particulares."

O mesmo deve ocorrer com o aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, também alvo de companhias aéreas interessadas na centralização do aeroporto mineiro. As pressões são grandes. E o tempo de Nicácio é curto. Mas, para alguém que almeja chegar ao topo da carreira militar, lidar com esses problemas não será um grande desafio.

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