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Sábado, 27 de Maio de 2017

20/01/2010

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O Estado de São Paulo
20/01/2010

Japan Airlines pede concordata
Com dívida de US$ 25 bi, reestruturação da maior companhia aérea do Japão será radical


Recuperação - Balcão da JAL no aeroporto de Narita, no Japão: concordata é a quarta maior do país

Com uma dívida de cerca de US$ 25 bilhões, a Japan Airlines Corp. (JAL) pediu concordata ontem e prometeu cortar 15,7 mil empregos e algumas rotas deficitárias, na tentativa de sobreviver aos custos voláteis dos combustíveis e à redução do número de passageiros.

A JAL, maior companhia aérea da Ásia em receita, permanecerá no ar graças a uma ajuda estatal de quase 1 trilhão de ienes (US$ 11 bilhões). A companhia aérea já foi salva quatro vezes pelo governo japonês nos últimos 10 anos.

A reestruturação deve ser radical, sob um novo conselho e administração. Os acionistas serão eliminados, os credores perdoarão uma dívida de 730 bilhões de ienes (US$ 7,3 bilhões), e os bancos renunciarão a 350 bilhões de ienes (US$ 3,5 bilhões) em empréstimos, como parte de um acordo com o fundo Enterprise Turnaround Initiative Corp., do Japão (Etic).

"A JAL carecia de uma governança forte e foi incapaz de se adaptar às mudanças dos tempos", disse o diretor executivo da Etic, Akitoshi Nakamura. "Em certo sentido, a JAL sintetiza um problema e empecilho típico do Japão como um todo." A empresa enfrenta esgotamento de capital, aumento dos preços dos combustíveis e o encolhimento do número de passageiros. Ela também enfrenta decisões duras sobre capital estrangeiro e alianças.

"Não está claro como a JAL conseguirá crescer como empresa", disse Yasuhiro Matsumoto, analista de crédito da Shinsei Securities. "Não consigo ver como a JAL vai construir sua rede doméstica e internacional." Muitos de seus aviões mais antigos e pouco eficientes no consumo de combustíveis serão substituídos.

VALOR DE MERCADO

Somada, a dívida da JAL e de duas unidades centrais chegam a cerca de US$ 25 bilhões, o que faz do processo a quarta maior concordata da história do Japão e a maior de uma empresa não financeira. As ações da JAL, que caíram mais de 90% desde o início do mês, fecharam inalteradas em 5 ienes após o anúncio - durante o pregão, chegaram a cair para 3 ienes. As ações serão retiradas da bolsa em 20 de fevereiro.

Com um valor de mercado em torno de US$ 150 milhões, a JAL é agora menor que as pequenas companhias aéreas Croatia Airlines e Jazeera Airways, e vale menos que um Boeing 747.

"Eu achava que não havia maneira de a JAL fracassar", disse Akiko Saito, um aposentado de 63 anos que chegava de Sydney no Aeroporto Haneda, em Tóquio. "Mesmo quando o valor de minhas ações da JAL caíram de 800 mil ienes (US$ 8 mil) para menos de 120 mil ienes (US$ 1,2 mil), eu estava convencido de que elas se recuperariam, e mantive minha carteira." Os bônus da JAL com resgate em 2013 foram cotados no equivalente a meros US$ 0,27.

CONCORRÊNCIA

A concordata da Japan Airlines poderá fazer da rival All Nippon Airways Co. (ANA) a principal empresa aérea do Japão. Mas uma JAL liberta das dívidas e mais enxuta poderá voltar a ser uma ameaça à ANA, de acordo com alguns analistas. As ações da ANA caíram 4,2% ontem, após terem galgado a um pico de seis meses na semana passada.

O "amor difícil" pela JAL do governo de quatro meses do Partido Democrático do primeiro-ministro Yukio Hatoyama sinaliza uma mudança em relação aos governos anteriores do Partido Democrático Liberal, que haviam autorizado os salvamentos anteriores da companhia aérea.

 

 

O Estado de São Paulo
20/01/2010

Reestruturação pode beneficiar a Embraer
Reuters

Para analistas, a Embraer e a Mitsubishi Heavy podem se beneficiar com a concordata da JAL, depois que a companhia aérea japonesa reformular sua frota com aviões menores e de consumo mais eficientes de combustível. A JAL planeja aposentar todos os seus 37 Boeings 747-400 e todos os seus MD-90 para trocá-los por aviões menores. A redução do tamanho da maior companhia aérea do Japão em receita pode gerar novas encomendas à Embraer e possivelmente ajudar o projeto de jato regional da Mitsubishi a sair do chão, afirmaram analistas.

A JAL já é cliente da Embraer. A empresa japonesa já recebeu da Embraer seis aviões modelo 170 e tem pedidos firmes em carteira para mais quatro aviões. A Embraer aguardava ontem o posicionamento da JAL em relação ao acordo.

 

 

Folha de São Paulo
20/01/2010

Com dívidas de R$ 44 bi, japonesa JAL pede concordata
Maior empresa aérea da Ásia recorre à ajuda do governo e diz que não haverá interrupção nos voos


Avião da JAL; empresa prevê demissão de 15,6 mil funcionários

A Japan Airlines (JAL), a maior companhia aérea da Ásia, entrou ontem com pedido de concordata e planeja um programa de reestruturação que prevê a demissão de 15,6 mil dos 48 mil funcionários.

Com dívidas estimadas em 2 trilhões de ienes (R$ 43,7 bilhões, quase quatro vezes o faturamento da TAM), a empresa disse que não haverá interrupção nos voos e que o pagamento de fornecedores de combustíveis, alimentos e aeroportos será realizado normalmente.

A concordata da JAL é a maior de uma empresa privada no Japão fora do setor financeiro desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo analistas, o processo pode durar até três anos. Em 2005, 4 das 6 maiores companhias aéreas dos EUA pediram concordata -o processo chegou a durar 20 meses.

O governo japonês deve investir 300 bilhões de ienes (R$ 5,61 bilhões) no resgate da companhia, além de outros 300 bilhões de ienes em empréstimos com garantia estatal.

Fundada em 1951 e privatizada em 1987, a JAL já recorreu a três programas de resgate com dinheiro público desde 2001, mas a dívida não parou de aumentar diante da competição acirrada e dos gastos elevados com manutenção e pensões acima da média no setor.

Na década de 80, a JAL levou milhões de japoneses em pacotes baratos para o exterior. Nos anos de euforia da economia japonesa, investiu em hotéis e resorts no exterior, que se revelaram um mau negócio.

Nos últimos anos, além da competição com a mais econômica All Nippon, sofreu também com a queda de passageiros pela prolongada recessão no país. A JAL cobre 40% das linhas domésticas do Japão e 25% das rotas internacionais que partem de Tóquio.

O Partido Democrata do Japão, que durante anos na oposição criticou o uso de dinheiro público no resgate a uma empresa ineficiente, viu-se obrigado a salvar a companhia agora que está no governo.

"Se a JAL não fosse a maior companhia aérea do país, ela desapareceria. Mas se trata da JAL, e ela conta com o respaldo do Ministério dos Transportes", declarou o ministro dos Transportes, Seiji Maehara.

Mas, sinal da mudança do governo, o diretor-geral da empresa, Haruka Nishimatsu, precisou renunciar. O governo já tinha indicado na semana passada sua intenção de nomear para a chefia um dos empresários mais respeitados do país, fundador da companhia de aparelhos eletrônicos Kyocera, Kazuo Inamori, 78, considerado guru na área empresarial.

As ações da empresa sofriam queda livre desde o início do mês. Há um ano, uma ação custava 200 ienes, e ontem fechou a 5 ienes. Em um mês, a JAL será excluída da Bolsa de Tóquio.

 

 

Folha de São Paulo
20/01/2010

NO BRASIL: ROTA ENTRE SP E TÓQUIO PASSA A TER UM VOO A MENOS

A JAL informou que continuará a operar seus voos entre São Paulo e Tóquio. A empresa tem hoje três voos semanais entre os países, com escala em Nova York. Em dezembro, a companhia anunciou que a terceira frequência seria interrompida por dois meses, a partir de fevereiro. Mas, na semana passada, com o agravamento da crise financeira da empresa, a JAL informou que antes de outubro não voltará a operar esse terceiro voo entre os países.

 

 

O Globo
20/01/2010

Air France/KLM vai cobrar taxa extra de passageiros obesos

O Globo RIO - A Air France/KLM anunciou que vai cobrar uma taxa extra aos passageiros obesos que não conseguirem usar apenas um assento do avião, segundo os jornais franceses "Le Parisien" e "La Tribune". O passageiro terá que pagar o equivalente a 75% do valor do assento, além do preço da primeira passagem, para poder voar pela companhia. Segundo a companhia aérea, a decisão foi tomada por questões de segurança. A medida passa a valer para os voos a partir de 1º de abril, nas reservas feitas a partir de 1º fevereiro.

"Precisamos garantir que o encosto do assento possa ser inclinado livremente para frente e para trás, e que todos os passageiros estejam com os cintos de segurança devidamente afivelados", explicou uma porta-voz da empresa. Com a mudança, é possível assegurar dois assentos lado a lado para que os obesos viajem. A Air France/KLM se comprometeu, no entanto, a reembolsar o valor pago a mais no caso de aviões que decolem sem estarem lotados.

No fim de 2007, a empresa foi condenada por ter obrigado um passageiro obeso a pagar por um segundo assento no momento do embarque, já que a Justiça considerou que tal obrigação não figurava entre as condições de venda do bilhete aéreo. Em abril de 2009, a Air France/KLM emitiu uma recomendação aos passageiros obesos que reservassem um segundo assento, também alegando questões de segurança.

 

 

Valor Econômico
20/01/2010

Má gestão e governo explicam agonia da JAL
Jonathan Soble, Financial Times, de Tóquio
Bloomberg

"Gostaria de pegar uma pistola e atirar em cada executivo da JAL dos 20 anos passados", diz Hideo Fujiwara, um homem de 72 anos normalmente afável.

O ex-piloto trabalhou para a Japan Airlines por 34 anos, mas verá a sua aposentadoria mensal encolher 40%, para 140 mil ienes (US$ 1.534), como resultado da decretação da sua recuperação judicial, anunciada ontem.

"A questão aqui não é dinheiro, mas administração desonesta", diz Fujiwara. "Apesar de a JAL ser deficitária, os executivos não se importaram e pegaram 100 milhões de ienes em bônus de aposentadoria". A maioria dos problemas da JAL foi causada por ela mesma. A aérea se expandiu temerariamente na década de 1980, comprando hotéis de lazer, campos de golfe e shoppings, cujo valor despencou quando a bolha imobiliária do país estourou na década seguinte.

A direção frequentemente se mostrou rebelde: um executivo-chefe saiu em 2005 depois que falhas de segurança espantaram os passageiros; outro foi obrigado a sair numa rebelião da diretoria no ano seguinte.

Outros elementos da história da JAL são conhecidos das companhias em todo o mundo. Choques externos sofridos ao longo da década passada, desde os atentados de 11 de setembro, passando pelo pânico sanitário da Sars (sigla em inglês para Síndrome Aguda Respiratória Grave) até a disparada nos preços dos combustíveis e o desastre financeiro global, a deixaram exaurida. As subvenções do governo são o único motivo para ela não ter seguido o destino de operadoras dos EUA como United Airlines e Delta, de falir antes.

Analistas dizem que o governo deve ser responsabilizado por mais do que simplesmente ter dado mimos excessivos. Ele agravou os problemas de lucratividade da JAL, ao obrigá-la a operar voos semivazios para aeroportos rurais, cuja maioria foi construída como programas de obras públicas, cujo benefício está limitado ao distrito local. "A responsabilidade do Estado é enorme", disse Seiji Maehara, o ministro dos Transportes, que prometeu congelar a construção de um novo aeroporto.

O plano de reestruturação que está sendo imposto à JAL pela Enterprise Turnround Initiative Corporation, fundo de reabilitação corporativa apoiado pelo Estado, deverá colocá-lo numa situação financeira sólida, diz Osuke Itazaki, analista de companhias aéreas.

A JAL deverá cortar 15,7 mil postos de trabalho - um terço do seu contingente de trabalho - vender dezenas de operações fora da sua principal área de atividade e exigir que os credores cancelem 730 bilhões de ienes (US$ 8 bilhões) da sua dívida bruta, superior a 2,3 trilhões de ienes. "A questão", diz Itazaki, "é se elementos como cultura gerencial, direção estratégica e qualidade melhorarão. Por em ordem as finanças da JAL não resolverá aqueles problemas".

Mesmo se a situação se acertar, é possível que a companhia aérea seja superada pela All Nippon Airways, sua rival mais ágil. O governo indicou Kazuo Inamori, fundador da Kyocera, de 77 anos, para supervisionar a recuperação como seu próximo executivo-chefe, em substituição a Haruka Nishimatsu, um funcionário de carreira da JAL, que renunciou ontem.

Uma das primeiras iniciativas de Inamori será decidir se manterá a parceria da JAL com a American Airlines e a aliança OneWorld, ou se desertará para a Delta e seu grupo SkyTeam, que, juntas, têm cortejado a operadora japonesa. "Esta é uma decisão de suma importância, que poderá determinar o futuro da JAL", diz um representante envolvido na recuperação.

A decisão revelará muito sobre o tipo de companhia que os diretores da JAL e o governo esperam despontar da recuperação judicial. A Delta - cuja aproximação é preferida pelo Ministério dos Transportes e executivos da JAL - tem grandes terminais em Tóquio e Seul, em contraste com a American. Isso poderá permitir que a JAL se fortaleça, dizem analistas. Ela poderia eliminar rotas sobrepostas ou vender licenças de pouso e decolagem em aeroportos no Japão. Mas a parceria poderia reduzir a JAL a um papel de coadjuvante num relacionamento dominado pelo grupo dos EUA - algo muito distinto dos dias em que era a orgulhosa companhia aérea nacional do Japão . (Tradução de Robert Bánvölgyi).

 

 



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