Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Sexta-Feira, 28 de Abril de 2017
19/04/2009
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O Estado de São Paulo
19/04/2009

Padronização de sistemas foi decisiva no acidente da TAM
Exames de DNA foram feitos com rapidez porque Institutos de Criminalística de SP e RS se integraram
Marcelo Godoy e Vitor Hugo Brandalise

A importância de um trabalho conjunto entre as polícias técnicas do País, com padronização de laudos e de bancos de dados, fica clara "nos momentos de maior dificuldade", conforme afirma o superintendente da Polícia Técnico-Científica de São Paulo (SPTC) - apontada como exemplo no País -, Celso Perioli. "Os exames de DNA no caso do acidente da TAM, em 2007, por exemplo, foram realizados rapidamente porque o sistema de consulta do Instituto de Criminalística do Rio Grande do Sul, onde vivia a maioria dos parentes das vítimas, é o mesmo utilizado em São Paulo", diz Perioli. "Os perfis genéticos dos parentes já vieram prontos de lá, para compararmos com o material dos corpos das vítimas, analisado aqui. Os sistemas eram integrados, tivemos acesso às informações em tempo recorde." As análises da perícia no acidente do voo 3054 da TAM, que matou 199 pessoas, somaram cerca de 400 extrações de material genético de DNA e 1.800 radiografias.

Em março, quando o Departamento de Narcóticos - com quem a superintendência dividia o prédio no Butantã, na zona sul da capital - foi transferido para o centro, a SPTC ganhou cerca de 10 mil m² para abrigar os 17 núcleos que a compõem. Entre os setores priorizados estão o Núcleo de Informática e o de Identificação Criminal. "Eles sofrem com falta de espaço para armazenar o material que recebem e terão a área duplicada. Serão instalações moderníssimas", diz Perioli.

Alguns desses aparelhos já estão funcionando. Para saber se uma fibra achada na camisa de um suspeito é a mesma do carpete da casa da vítima de homicídio basta o perito Mauro Menezes, do Núcleo de Química, analisar o material no microscópio com espectroscopia infravermelha. Depois, é só confirmar o resultado - o exame não destrói a amostra como ocorria com equipamentos e métodos antigos.

Se a questão é saber se um entorpecente apreendido em uma casa tem a mesma origem da droga achada no carro de um traficante, a equipe da perita Lucilene Martins Kayo, do Núcleo de Análise Instrumental (NAI), pode usar o espectrômetro de massa ou os cromatógrafos líquido e gasoso. Na perícia é assim: o aparelho que facilita a investigação tem sempre nome complicado. É esse o caso de outro equipamento sob a responsabilidade de Menezes: a microfluorescência por raio X. Com ele o perito verifica se há fraude, por exemplo, na composição de joias, quando uma liga de prata e cobre pode ser vendida como se fosse ouro branco.

Ao lado do laboratório de DNA e do microscópio eletrônico de varredura da SPTC, o NAI e o Núcleo de Química são as vedetes da perícia em São Paulo. Perioli se entusiasma com os resultados. "Se a gente tivesse isso antes..." Entre os peritos é assim: toda vez que recebem um equipamento novo, sempre pensam como ele podia ter sido útil no passado.

 

 

O Estado de São Paulo
19/04/2009

Queda de avião mata 2 pessoas em Lontras

Um avião de pequeno porte caiu ontem a 200m do aeroclube de Lontras, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Os dois ocupantes morreram. A aeronave vinha de Maricá (RJ) e explodiu ao atingir o solo. Segundo o Corpo de Bombeiros de Rio do Sul, as vítimas são o piloto João Ravizzini Kilpp e o passageiro Oscar Pereira da Costa.

 

 

IstoÉ Dinheiro
19/04/2009

A influência econômica de Gilberto Carvalho
Braço direito do presidente Lula, ele apita cada vez mais em questões empresariais - da escolha do presidente do BB à negociação com demitidos da Embraer
GUSTAVO GANTOIS

A rotina se repete há exatos 75 meses e meio. Todos os dias, antes de sair de casa, o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, lê uma oração e separa um trecho da Bíblia para enfeitar a mesa de trabalho.

O estilo manso de ex-seminarista de 57 anos fez com que, discretamente, alcançasse um dos postos mais privilegiados dentro do governo. Hoje, não apenas participa das audiências com o presidente como supervisiona a sua agenda, o cerimonial e as viagens. Mas sua influência, cada vez mais, passa pela área econômica. A opinião de Gilberto Carvalho, por exemplo, foi decisiva na escolha do novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. Além disso, quando a Embraer demitiu 4 mil trabalhadores. Carvalho fez o meio-de-campo entre o sindicato e a empresa, inclusive conduzindo reuniões e afinando discursos que foram levados a Lula. Hoje, o chefe de gabinete atende, filtra e repassa ao presidente as principais demandas de empresários, políticos e trabalhadores. Justamente por esse perfil conciliador, Carvalho foi alvo de intensas especulações nas últimas semanas.

A partir de uma carta aberta redigida pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini, conclamando o chefe de gabinete a disputar as eleições para a presidência do partido, em novembro, o Centro Cultural Banco do Brasil, que abriga temporariamente a sede do Executivo, transformou-se numa prévia do bunker que comandará a campanha da ministra Dilma Rousseff para a presidência da República, em 2010. Entre idas e vindas no serpentário político, Gilberto Carvalho teve a derradeira conversa com Lula na segundafeira 13. “Baixinho, você vai ficar comigo”, disse o presidente.

Cotado para presidir o PT, ele deve coordenar a campanha da ministra Dilma Rousseff, administrando também a relação com os empresários

A influência de Gilberto Carvalho não se resume ao fato de ser o único membro do governo a chamar o presidente Lula pelo nome. Na escolha de Aldemir Bendine para a presidência do Banco do Brasil, o chefe de gabinete liderou todas as articulações internas, costurando o apoio do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Com isso, impediu que o PMDB conseguisse o cargo e atrapalhasse a orientação do governo de baixar rapidamente os juros da instituição. “Se tem alguém que escuta tudo o que o Gilberto tem a dizer, esse alguém é o presidente”, diz um assessor de Carvalho. Essa proximidade também se traduz em respeito na base do governo.

Sem alarde, o chefe de gabinete tem apagado incêndios nas fileiras petistas. Na queda de braço com o PMDB pelo comando do Senado, por exemplo, ele chamou o senador Tião Viana ao Palácio do Planalto e pediu o cessar- fogo. “Gilberto me fez um apelo e vou cumprir o prometido”, disse Tião à época.

Os adversários do governo, no entanto, se aproveitam do trânsito livre para extrapolar sobre as atribuições de Gilberto Carvalho. “Se possível, ele é capaz de deitar na soleira para que nada atravesse a porta do presidente”, alfineta o senador tucano Arthur Virgílio. A comparação tem como pano de fundo as diversas vezes em que o chefe de gabinete de Lula foi escalado para minimizar os ataques contra o governo.

Foi assim no caso Varig/VarigLog, quando Carvalho foi destacado pelo Planalto para ajudar o governo a se defender das denúncias feitas pela ex-diretora da Anac Denise Abreu sobre as relações do presidente Lula com o advogado Roberto Teixeira. Missão semelhante ele teve no caso Celso Daniel, quando participou ativamente da organização da defesa, inclusive orientando depoimentos de testemunhas que apontavam membros do governo no envolvimento com a morte do ex-prefeito de Santo André.

Mais recentemente, Gilberto Carvalho viu conversas suas com o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh serem divulgadas na esteira da operação Satiagraha – o que foi decisivo para que os abusos da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência começassem a ser investigados. “Foi gravíssimo o que ocorreu”, disse Carvalho a um assessor. “Não por mim, mas porque estou na antessala do presidente.” É com esse jeito humilde, mas de quem sabe sua importância dentro do governo, que Gilberto Carvalho tem atraído cada vez mais o PT para sua órbita.

Lula não quer abrir mão de seu braço direito, mas também sabe que, com ele à frente do partido, a campanha para a eleição de Dilma será mais tranquila. Se Gilberto de fato assumir esse papel, será também ele o responsável pelas articulações com os principais grupos empresariais do País em torno de temas sensíveis, como a própria arrecadação de campanha.

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