Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quinta-Feira, 25 de Maio de 2017
18/07/2009

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Folha Online
18/07/2009 - 22h09

Anac estuda criar selo certificador para assentos de aviões por causa de desconforto
da Agência Brasil

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) quer criar um selo que indique as dimensões das poltronas dos aviões comerciais. Concebida a partir de uma pesquisa sobre o espaço interno dos aviões, a ideia é criar, com base nos dados disponibilizados pelas próprias empresas, um quadro semelhante ao usado para indicar o nível de consumo energético de eletrodomésticos, informando as distâncias entre as fileiras.

"Estamos pensando em colocar algo que possa ser facilmente identificável pelo usuário na hora dele comprar sua passagem. O selo é uma coisa simples para que as pessoas pesquisem seu significado", explicou o superintendente de Segurança Operacional da Anac, Carlos Eduardo Pelegrino.

Segundo ele, o selo será uma referência a mais para que os usuários possam avaliar a qualidade dos serviços. "A informação é importante porque, com base nela, na hora em que você vai comprar sua passagem você pode decidir [com qual companhia viajar]. O que é confortável para mim, que tenho 1,87 metro, pode ser diferente para quem tem 2 metros", afirmou, explicando que o selo não servirá como referência para outros aspectos que influenciam na percepção do conforto, como os serviços de bordo.

Pelegrino disse que os técnicos da Anac ainda estão finalizando a proposta, que não tem data para entrar em vigor e, antes, deve ser discutida com os representantes das companhias aéreas.

"Estamos fazendo força para lançá-lo ainda este ano. Não é nada para perder de vista, embora eu prefira não fechar uma data porque ainda estamos trabalhando nisso e precisamos envolver as empresas aéreas e outros institutos que queremos que conheçam nossa ideia para validá-la."

Ele explica que as empresas são livres para definir o tamanho de suas poltronas, desde que a configuração final atenda às regras internacionais de segurança, certificada por meio de um teste que checa o tempo que os passageiros e a tripulação levam para deixar a aeronave em caso de emergência.

"Todo mundo tem que abandonar a aeronave em 90 segundos. Sem a distância adequada entre as poltronas, as pessoas vão ter dificuldades para sair de seus assentos", disse Pelegrino, assegurando que, hoje, todas as empresas aéreas brasileiras atendem a esse requisito de segurança.

Sobre a pesquisa, realizada no ano passado, o superintendente afirmou que o resultado final demonstrou que a distância entre as poltronas é suficiente para acomodar confortavelmente a maioria dos passageiros brasileiros, mas a distância lateral é "desconfortável". "Muitas vezes, se dois ou três homens sentam numa mesma fileira, eles têm que se sentar meio de lado, mudando constantemente de posição."

 

 

O Estado de São Paulo
18/07/2009

Procurador pede blitz nacional contra ''omissões'' da Anac
Representação divide problemas em infraestrutura, serviço aéreo e segurança operacional
Bruno Tavares e Fausto Macedos

A Procuradoria Regional da República em São Paulo (PRR-3) emitiu ontem representação pedindo às unidades em todos os Estados e no Distrito Federal que abram investigações sobre a atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Para o procurador Osório Silva Barbosa Sobrinho, a agência "tem se omitido em diversos pontos de sua atribuição, contribuindo para que a aviação civil permaneça com os problemas de sempre". A Assessoria de Imprensa da Anac disse que só se manifestará após ser notificada.

O procurador dividiu os problemas apontados em três grupos: infraestrutura aeroportuária, serviços aéreos e segurança operacional. No item aeroportos, Barbosa Sobrinho apontou "ausência total de fiscalização" dos terminais privados, citando como exemplo os de Porto Seguro, na Bahia, e Angra dos Reis, no Rio.

Também há críticas em relação aos aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). O procurador diz que "não se respeita a periodicidade mínima de inspeção" e que, quando elas ocorrem, "não há critérios técnicos suficientes e satisfatórios para que elas se realizem a contento". Barbosa Sobrinho chama ainda atenção para a ausência de fiscalização e de providências da Anac sobre normas de proteção contra incêndio nos aeroportos. "Tendo em vista a quantidade de substâncias inflamáveis envolvidas no transporte aéreo, tal omissão é bastante grave", frisa o procurador.

A representação aborda ainda a proliferação de edificações acima da altura permitida nas proximidades dos aeroportos, problema muito comum em terminais construídos dentro de grandes cidades, como Congonhas, na zona sul de São Paulo, e Cumbica, em Guarulhos.

Em agosto de 2007, a Aeronáutica divulgou lista com 215 obstáculos que colocariam em risco as operações nos três principais aeroportos do Estado - Cumbica, Congonhas e Campo de Marte. Até hoje, as autoridades do setor aéreo e a Prefeitura de São Paulo não tomaram qualquer providência. "A carência de planejamento contribui para que se perpetuem episódios como o dos ?apagões aéreos?", assinalou o procurador.

No item "serviços aéreos", Barbosa Sobrinho destaca a falta de um sistema de processamento das reclamações feitas pelos passageiros. "Não há, por exemplo, normas expedidas pela agência para definir penalidades em casos de cancelamentos e atrasos de voos inferiores a 4 horas", diz a representação. O procurador afirma ainda que as multas aplicadas pela Anac não estão sendo inscritas na dívida ativa - o que, em tese, livra as empresas aéreas infratoras do pagamento das multas.

Já o tópico dedicado à segurança operacional assinala dois aspectos: a terceirização do processo de certificação das aeronaves e dos testes para a avaliação dos pilotos, além de falhas na "estruturação normativa e administrativa" do controle de tráfego aéreo - embora o assunto seja de exclusiva responsabilidade da Aeronáutica.

 

 

O Estado de São Paulo
18/07/2009

Procuradoria quer tirar diretor

A Procuradoria Regional da República no Distrito Federal contesta a permanência de Ronaldo Seroa da Mota como diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Seroa está completando o mandato de Josef Barat, que se desligou da agência em meio à crise aérea, entre 2006 e 2007. Embora a agência tenha sido instalada em 20 de março de 2006, dizem os procuradores, Barat só foi nomeado e empossado em agosto daquele ano.

Para a Procuradoria, esse tempo anterior foi perdido, pois os três anos de mandato já estavam sendo contados. Sob essa ótica, portanto, Seroa deveria ter deixado o cargo em 19 de março deste ano.

Assim que o assunto veio à tona, a presidência da Anac pediu parecer da Advocacia-Geral da União (AGU). Para a assessoria jurídica, o mandato dos diretores começa a ser contado a partir da data de posse de cada um e não do primeiro a ser efetivado no cargo. Dessa forma, Seroa poderia permancer no posto até 6 de agosto deste ano.

A Procuradoria estuda agora entrar com uma ação na Justiça para conseguir a remoção imediata de Seroa do cargo.

 

 

O Estado de São Paulo
18/07/2009

Monomotor que caiu na Venezuela é encontrado
IVANA MOREIRA

Os destroços do monomotor Beechcraft, que estava desaparecido há uma semana, foram localizados na quinta-feira pelas autoridades que trabalham nas buscas, no sul da Venezuela. A chuva, porém, impediu o resgate dos destroços e dos corpos dos dois homens que estavam a bordo, os mineiros Maurício Lustosa de Castro e Alessandro Ninder Morais.

Castro, que era diretor financeiro da empresa mineira Magnesita, voltava de Miami para Belo Horizonte. Morais era o piloto do avião. Os dois estavam nos EUA para buscar o monomotor que havia sido adquirido pelo executivo da Magnesita. O aparelho foi fabricado em 2004.

O último contato da aeronave foi feito às 18h do sábado passado, com um centro de controle na Venezuela. As buscas, iniciadas na segunda-feira, foram dificultadas pelas condições de relevo e vegetação de floresta. Segundo informações da Aeronáutica, o transmissor de localização de emergência foi acionado automaticamente quando o motor parou, indicando que ele caiu dentro do Parque Nacional Canaima, na Venezuela.

 

 

O Estado de São Paulo
18/07/2009

Air France tem de pagar psicólogo a 7 parentes
PEDRO DANTAS

A 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que a Air France terá de pagar o tratamento psicológico para sete parentes de um passageiro do voo 447, que ia do Rio a Paris e caiu no Oceano Atlântico, no dia 31 de maio, matando 228 pessoas. A viúva, os três filhos, a mãe, o pai e a irmã do empresário Walter Carilho, de 42 anos, receberão cada um sete salários mínimos por dois anos. A Air France só vai se pronunciar após ser notificada.

A empresa aérea já havia sido condenada a pagar antecipação de tutela em 17 de junho.

 

 

O Estado de São Paulo
18/07/2009

Copa Airlines terá 13 novos aviões Boeing

A Copa Airlines, que atua nas Américas do Norte, Central e do Sul e do Caribe, anunciou uma encomenda firme de 13 aviões Boeing 737-800, com preferência de compra de mais oito aviões. Segundo a Boeing, o novo pedido representa um investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão. As entregas das primeiras 13 aeronaves Boeing 737 Next-Generation têm início em 2012 e se estendem até 2015. Até 2017, estão previstas as entregas das oito unidades opcionais.

 

 

O Estado de São Paulo
18/07/2009

TAM busca captação de R$ 600 milhões

A TAM vai realizar sua primeira emissão pública de debêntures (títulos de dívida) com investidores qualificados. A operação envolve 600 debêntures, com valor nominal de R$ 1 milhão. A emissão será feita em 24 de julho e os papéis vencem em julho de 2013. Os recursos obtidos com a operação serão destinados para reforço do capital de giro da companhia. O valor nominal dos papéis será amortizado em 13 parcelas trimestrais.

 

 

Coluna Claudio Humberto
18/07/2009

Lobby do atraso

Lobby do duopólio TAM/GOL pressiona a Agência Nacional de Aviação Civil a adiar a desregulamentação que abrirá o mercado para novas empresas e oferecerá chance à clientela de finalmente ser bem tratada.

 

 

Zero Hora
18/07/2009

Crônica do Guido
Perigo nas alturas
Guido Kuhn
guidoekuhn@yahoo.com.br

Nos últimos 45 dias, caíram três aviões cheios de passageiros, um deles até em águas brasileiras, morrendo mais de 500 pessoas. Aí a gente pensa no perigo de se botar o pé num jato. Mas o que é que não é perigoso, hoje em dia? O risco é da essência da vida moderna. O próprio progresso não é senão um labirinto de armadilhas contra nós. E é o que queremos sempre, viver perigosamente. Diz-se que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe, embora a Wikipédia garanta que seja o elevador. Mas elevador não conta, vamos eliminá-lo. Na locomoção de média e longa distância, parece consenso que o mais seguro seja mesmo o avião. O problema é que cada acidente é uma tragédia, com dezenas ou centenas de mortos.

O que se sabe, definitivamente, é que não há meio de transporte absolutamente seguro. Mesmo andando a pé, a gente não está garantido, porque pode cair alguma coisa em cima da nossa cabeça, uma pinha, uma marquise, até mesmo um avião, como já aconteceu muitas vezes, nos locais mais inusitados, numa favela, numa praia, numa floresta, num oceano. No sertão, nada é mais seguro que o jegue. Há quem por nada ponha os pés num bólido aéreo, mas não tem problema com o automóvel, mesmo quando pilotado por um maluco. Mas a maioria de nós, em nome de um prazer ou de um conforto, não perde nenhuma chance para uma viagem de avião, que dá posição e prestígio. Afinal de contas, quando chegar a hora de cada um, esteja ou não dentro de um avião, o fim será inevitável. Até porque a maioria das pessoas morre mesmo na cama.

Quando se anda de avião, em geral é para ir mais rapidamente de um lugar a outro. O lado bom de voar, além da rapidez, é o prazer da vista deslumbrante que se pode ter lá do alto. Quando, na juventude, andei pela primeira vez num teco-teco do aeroclube, entre o mal-estar da falta de oxigênio e a vista magnífica da cidade, minha retina gravou as imagens perenes de um panorama que mostrava as belezas de uma floresta mesclada de verde e cimento. Noutra ocasião, o helicóptero que nos levava a socorrer uma localidade do interior, isolada pela intempérie e pela queda de barreiras, proporcionou também as belíssimas cenas rurais de uma região acidentada da nossa colônia. Deus fez tudo isso, e a gente pouco liga. Lá de cima, distraídos com toda essa beleza, podemos até esquecer o perigo de aquela geringonça cair, e em geral não cai.

Viajando de Porto Alegre sobre o paralelo 30, rumo à fronteira de Uruguaiana, nos áureos tempos da Varig, com o Fokker ainda sem grande altura, acompanhei com notável nitidez toda a geografia da depressão central, que eu conhecia muito bem rodando sobre ela, mas que ainda não tinha visto de cima. Descortinavam-se o Guaíba, que ninguém sabe se é rio ou lago, o espetáculo do Jacuí, com suas ilhas e curvas deslumbrantes, e a confluência com o Taquari, driblando uma paisagem maravilhosa de campos e matas, arroios e coxilhas, rodovias e caminhos da maria-fumaça. Tinha o coração nas mãos, ansioso por ver minha cidade mais do alto, mas o céu claro acabou. A névoa encobriu grande parte da região central, e nada mais foi possível ver. Lá já se vão mais de 20 anos, e até hoje não refiz o trajeto, que a internet até já me põe à disposição na tela do computador. Mas não é a mesma coisa, quero viver para ver isso ao vivo.

Altura não é só dentro do avião. Numa ocasião, quando se restaurava a catedral da cidade, pude subir ao alto de uma das torres, enquanto os andaimes das pinturas ainda não tinham sido retirados do lado externo. A 80 metros do chão, totalmente livre para cair de lá, encostei a mão numa cruz de 3,5m, que do chão sempre me pareceu do tamanho de uma régua escolar. Contemplei a superfície distante lá embaixo, e ali não vi pessoas, mas formiguinhas irrequietas, correndo para lá e para cá, louca e desorganizadamente, não em carreiros, como as formigas de verdade. Os carros eram besouros se cruzando pelos caminhos. A alameda da Rua Principal, que por baixo forma esse túnel que todos conhecem, por cima compõe um longo e felpudo tapete verde, de beleza indescritível, só ao alcance da vista dos que moram no alto de alguns edifícios.

Dias depois da tragédia do avião francês no final de maio, passou o apontador da luz. Anotou a leitura e olhou para o outro lado da rua. Numa obra, havia uma gaiola com jeito de elevador, deslocando-se verticalmente do lado de fora do prédio, e dentro balançavam pedreiros rebocando as paredes. Até usavam capacetes, mas o apontador torceu o nariz e disse que por nada entraria numa arapuca dessas, sua vida lhe era muito cara. Aquilo parecia mais perigoso que um avião atravessando o oceano. Mas o avião caiu, e a gaiola dos pedreiros ainda não. É a rotina deles, e eles nada temem. Não é preciso ter medo de avião, mas é prudente precaver-se contra as armadilhas do lugar em que estamos, mesmo que o chão pareça bem firme.

* Jornalista

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