Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017
14/11/2009

Notícias Anteriores

O Estado de São Paulo
14/11/2009

China fará rival para Boeing e Airbus
País inicia projeto de fabricação de seu próprio avião de grande porte, que tem voo inaugural previsto para 2014
Keith B. Richburg

As ambições vertiginosas da China, assim como os planos de pôr um homem na Lua e de projetar seu próprio avião de carreira, incluem agora a construção do jumbo "Made in China", para algum dia concorrer com Boeing e Airbus por uma fatia do lucrativo mercado da aviação comercial.

O projeto, que ainda se encontra nos primeiros estágios, prevê que o primeiro jumbo de fabricação chinesa, o C919, fará seu voo inaugural em 2014, e as primeiras entregas de aviões comerciais começarão dois anos mais tarde. O avião está sendo construído pela Commercial Aircraft Corporation of China (COMAC), com sede em Xangai, que está produzindo jatos regionais menores com previsão para chegarem ao mercado no próximo ano.

O motivo pelo qual a China quer entrar no mercado de jatos maiores é evidente: as companhias aéreas chinesas deverão adquirir mais de 2 mil jatos de grande porte até 2025, tornando-se um dos maiores mercados do mundo. No mesmo período, as companhias aéreas da Ásia como um todo encomendarão cerca de 10 mil jatos.

Mas a decisão da China de entrar no campo dos jatos de grande porte representa um salto demasiado audacioso, segundo alguns, porque as chances de lucro demorarão muitos anos. Os motivos: a tecnologia evolui com grande rapidez; Boeing e Airbus têm rotas estabelecidas há muito tempo; e os consumidores preocupados com segurança talvez tenham medo de voar com um jato chinês.

"Sinto-me um tanto cético com a possibilidade de isto acontecer daqui a uma década ou mesmo daqui a algumas décadas", disse Nicholas Lardy, um especialista em economia chinesa do Instituto Peterson de Economia Internacional.

No entanto, as autoridades chinesas acreditam ter encontrado um nicho para competir com as duas grandes companhias mundiais da aviação. O C919 será um avião com um único corredor e 150 a 190 assentos, enquanto as outras fabricantes se concentram em jatos de grande porte. O jato chinês será mais barato, afirmam, e também provocará menos danos ao meio ambiente.

Os chineses esperam que o desenvolvimento do setor de aeronaves comerciais impulsionará outras áreas da economia, como pesquisa e desenvolvimento, eletrônica e siderurgia.

Mas além da questão econômica, há também a do prestígio. A liderança do Partido Comunista Chinês há muito privilegia projetos grandiosos, em parte como uma forma de estimular o orgulho nacional - e por extensão, o apoio ao governo. Além disso, está disposta a investir consideráveis recursos do Estado para realizar suas ambições.

O primeiro-ministro Wen Jiabao apresentou o conceito do jato da China em um discurso em maio. Ele disse: "Esta empreitada deve ser bem-sucedida, e o sonho de muitas gerações se tornará realidade". Os trabalhos já começaram.

Pouco antes do discurso de Wen, a COMAC contratou 200 jovens, recém-egressos da Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Nanjing, aumentando sua força de trabalho para 5 mil funcionários. O projeto é chegar a 20 mil.

No mês passado, a maquete do C919 do tamanho de um automóvel foi exibida na Feira da Aeronáutica de Hong Kong, ao lado da Boeing e da Airbus, mostrando que a ambição da China neste campo está numa posição de destaque.

O próprio nome do jato parece assinalar a intenção da China de se colocar entre as maiores. Wu Guanghi, chefe dos projetistas do jumbo, disse à Agência Nova China que o "C" do C919 é a primeira letra da palavra China.

De certo modo, as autoridades esperam que o projeto do jumbo siga o caminho dos eletrodomésticos, da eletrônica e dos automóveis. Inicialmente, as companhias estrangeiras vieram aqui para montar os seus produtos; depois os chineses aprenderam a tecnologia e começaram a produzir suas próprias versões. Agora as marcas chinesas, mais baratas, competem com as fabricantes do exterior, em grande parte para conquistar os consumidores nacionais e, cada vez mais, os dos outros países.

"Levou cerca de 20 anos para que as pessoas aceitassem eletrodomésticos "Made in China"", disse um executivo sênior da COMAC explicando a estratégia. Ele não quis que seu nome fosse divulgado por não estar autorizado a falar com a imprensa. E acrescentou, "em comparação aos automóveis e aos eletrodomésticos, as pessoas têm grandes expectativas de segurança" em relação aos jatos. "Acho que 30 anos serão suficientes para que as pessoas aceitem o avião "Made in China"".

 

 

O Estado de São Paulo
14/11/2009

Passagens aéreas ficam 12% mais caras em outubro
Demanda aquecida permite recuperação nos preços, após guerra de tarifas
Com retomada na economia e maior procura, TAM e Gol esperam preços até 20% mais altos até o final do ano; tarifa média fica em R$ 312,2

MARIANA BARBOSA
DA REPORTAGEM LOCAL

Depois de atingir o menor nível do ano em setembro, as passagens aéreas subiram 12,2% em outubro no mercado doméstico, de acordo com relatório publicado ontem pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O passageiro pagou, em outubro, R$ 0,46 por quilômetro voado ("yield tarifa"), ante R$ 0,41 em setembro.

Mas, mesmo com a recuperação, o mês passado foi o outubro mais barato para voar de avião desde 2002. Na comparação com outubro daquele ano, quando o "yield tarifa" foi de R$ 0,86, as tarifas cobradas em outubro foram 46,5% menores. O indicador leva em conta a inflação, medida pelo IPCA.

A tarifa média praticada no país, indicador que é uma média ponderada das tarifas conforme a quantidade de passageiros transportados em cada etapa de voo, foi de R$ 312,20 em outubro -alta de 16,6% em relação a setembro, quando ficou em R$ 267,75.

Os indicadores de "yield" e de tarifa média, que começaram a ser divulgados pela Anac no mês passado, são feitos com base em informações fornecidas pelas companhias. Eles levam em conta apenas o preço pago pelo consumidor comum. As tarifas especiais para empresas ou de fretamentos turísticos não entram na conta. Os indicadores diferem do "yield" que consta no balanço financeiro das companhias abertas e que engloba todas as receitas.

Segundo o presidente da TAM, Líbano Barroso, as passagens começaram a subir na segunda quinzena de outubro. "As tarifas já estão de 10% a 20% mais altas do que em setembro", afirmou o executivo ao divulgar o balanço da empresa, na quinta-feira. Ele acredita que em 2010 as tarifas vão continuar se recuperando, devido às previsões de crescimento da economia, em torno de 5%. "O setor costuma crescer algo como duas vezes o PIB. Se a demanda crescer de 10% a 12%, haverá espaço para manter as tarifas mais elevadas."

Assim como a TAM, a Gol também espera cobrar 20% mais, em média, pelos bilhetes neste fim de ano.

O excesso de oferta e a baixa demanda vivida pelo setor no primeiro semestre geraram uma competição acirrada entre as companhias. O resultado foi a maior guerra tarifária desde o início da década.

Em seu balanço, a TAM divulgou uma queda nas tarifas ("yield") de 27% no terceiro trimestre, na comparação com o ano passado. A queda no "yield" da Gol foi ainda maior, de 30%. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o "yield" da TAM caiu 7%, e o da Gol, 12,1%.

A guerra de tarifas ajudou a estimular a demanda. O setor cresceu 42% em outubro, mês em que a taxa de ocupação dos aviões ficou em 72,6%. Em julho, mês de demanda aquecida, a ocupação foi de 62,6%.


Página Principal