Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Sábado, 27 de Maio de 2017
11/10/2009

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O Estado de São Paulo
11/10/2009

Barioni deixa comando da TAM

Executivo ficou um ano e dez meses no cargo; substituto ainda não foi definido
Mariana Barbosa

David Barioni Neto deixou ontem a presidência da TAM, depois de 1 ano e 10 meses no comando da maior companhia aérea do País. Descontente com o desempenho do executivo, há mais de seis meses a família Amaro, controladora da companhia, avaliava o melhor momento de afastá-lo. Segundo fontes próximas à companhia, Barioni foi informado da decisão pela manhã, pela presidente do conselho de administração, Maria Cláudia Amaro.

No lugar de Barioni, assume interinamente a companhia o vice-presidente de Finanças da companhia, Líbano Miranda Barroso, que está na diretoria do grupo desde 2004. A expectativa é que um substituto seja anunciado em dois meses.

Em um comunicado divulgado ao mercado no final do dia, a TAM informou que Barioni "deixou a presidência da empresa por decisão própria". Antes de assumir a TAM, Barioni era vice-presidente de Operações da Gol, cargo que ocupava desde a fundação da empresa.

A família Amaro estava decepcionada com o desempenho do executivo, que entregou no ano passado um prejuízo de R$ 1,3 bilhão. O resultado foi fortemente afetado pela desvalorização do câmbio no último trimestre, mas também por operações de hedge de combustível que se mostraram desastrosas. Barioni, não sem a anuência do conselho de administração, contratou operações de hedge de combustível quando o petróleo estava cotado acima de US$ 100 o barril, pouco antes de os preços começarem despencar, caindo para a casa dos US$ 50.

Mas não foram apenas os problemas financeiros que azedaram a relação. Declarações públicas de Barioni em meados de 2008 - antes do balanço sair do lucro para o prejuízo -, com críticas à gestão de seus antecessores Marco Antonio Bologna e Daniel Mandelli, foram muito mal vistas pelos controladores. Piloto de Boeing, Barioni gostava de frequentar o "chão de fábrica", conversando com passageiros no aeroporto ou assumindo o manche em voos internacionais. Com esse estilo, que lhe rendia comparações com o fundador da TAM, Rolim Amaro, ele se posicionava como o oposto de Bologna, seu antecessor.

Apesar de elogiado por seu desempenho financeiro, Bologna era criticado por estar distante da operação. Sofreu um enorme desgaste com o apagão aéreo (dezembro de 2006) e o acidente em Congonhas (julho de 2007) e acabou deixando a presidência em novembro de 2007. Em nenhum momento, contudo, deixou de ser o braço direito da família Amaro.

A volta formal de Bologna para a TAM, depois de uma breve passagem na presidência da construtora WTorre, para o comando da TAM Aviação Executiva e com um assento no conselho de administração, acelerou os rumores de uma saída de Barioni - embora Bologna sempre fizesse questão de negar qualquer ligação entre os fatos.

INTERNET

Mas a insatisfação com o nome de Barioni não estava restrita aos membros do conselho. No início do ano passado, textos apócrifos difamando o executivo circularam em fóruns de pilotos na internet. Uma investigação foi aberta e o autor identificado como um comandante da própria TAM. O piloto foi demitido por justa causa.

O primeiro sinal público de desprestígio de Barioni foi dado em maio, quando a companhia demitiu 21 executivos, dentre os quais dois vice-presidentes levados por ele da Gol para a TAM.

A companhia demorou para afastar Barioni pela falta de um substituto e também por estar aguardando o momento adequado. Em meados de julho, com a operação dando os primeiros sinais de recuperação pós-crise, a TAM fez uma emissão de debêntures, no valor de R$ 600 milhões. Com o caixa reforçado, estava aberto o caminho para a sucessão.

 

 

O Estado de São Paulo
11/10/2009

Empresa ineficiente deve falir, diz CEO da British
Executivo diz ser contra ajuda de governos às empresas
Jamil Chade

As empresas aéreas ineficientes devem ser largadas à falência. A avaliação é do presidente da companhia aérea britânica British Airways, Willie Walsh, que defendeu esta semana o fim da ajuda estatal para o setor. "Não podemos mais depender da ajuda pública. O modelo de empresas do setor não funcionou e temos de rever tudo", defendeu.

"Ninguém é grande demais, velha demais ou simbólica demais para não falir", alertou Walsh em um encontro na quinta-feira em Genebra com um pequeno grupo de líderes empresariais e jornalistas. "Os governos precisam permitir que empresas ineficientes decretem falência", disse.

Walsch estima que, este ano, o setor aéreo mundial somará um prejuízo de US$ 11 bilhões. Em 2010, a situação será um pouco melhor. Ainda assim, terá perdas de US$ 4 bilhões, na avaliação dele. "Desde o ano 2000, tivemos apenas dois anos de dados positivos. O modelo em que vivemos fracassou."

O executivo defendeu a liberalização dos mercados, o fim do controle estatal sobre rotas, a liberdade de fusões entre países e o fim dos pacotes de governos para salvar empresas.

A British Airways foi privatizada em 1987, e seu presidente defende o mesmo movimento em várias partes do mundo. Ele também insiste que está na hora de uma consolidação do setor. "Temos cerca de 500 empresas de porte médio e grande no mundo. Esse é um número exagerado, e não se precisa de 500 empresas para que haja concorrência", disse.

O executivo confirmou que busca um acordo de fusão com a Iberia, nos moldes que a Air France mantém com a KLM. "Vamos seguir negociando", disse. Para ele, a fusão faria sentido em termos comerciais. "Somos fortes na América do Norte e Europa, enquanto a Iberia tem uma forte presença na América Latina. Nossos negócios são de fato complementares", disse.

O processo de aproximação entre as duas empresas já vem ocorrendo há alguns anos. Mas a Iberia alegava que o preço oferecido pela British Airways por suas ações não era suficiente. Agora, com a pior crise em décadas, Walsh acredita que há espaço para fazer avançar o processo.

O executivo foi crítico em relação à manutenção de algumas empresas áereas, mantidas por governos. "A Alitalia já era para ter falido há alguns anos. O consumidor não ganha com uma empresa mantida da forma que está", disse.

Mas a própria empresa britânica sofre hoje. Este ano, já demitiu 1,4 mil funcionários, e outros 300 perderão seus empregos. Walsh garante que a empresa se tornou mais eficiente desde então. "A mão de obra é o segundo maior custo de uma empresa aérea", apontou. O primeiro é o combustível.

O exemplo da Varig também foi citado pelo executivo. ''O que ocorreu com a Varig é um bom exemplo. O Brasil é um dos mercados que mais cresce e está se beneficiando do fato de que a empresa não precisou ser salva com imensos recursos públicos", disse.

ETANOL

O executivo ainda destacou que parte da estratégia do setor aéreo para reduzir as emissões de CO2 será a de passar a também a usar biocombustíveis. "Os testes estão provando que os motores que estão sendo desenvolvidos hoje podem facilmente ser movidos a biocombustível", afirmou.

A projeção dele é de que, até 2017, 10% do combustível usado em aviões comerciais já seja de biocombustíveis. "O sistema de distribuição será ainda mais fácil que para os veículos. Com os aviões, basta que 200 aeroportos no mundo tenham acesso ao combustível. Se isso ocorrer, a grande maioria da frota mundial poderá usar o biocombustível", declarou. "Temos muita confiança de que isso seja parte da solução para as emissões de CO2."

 

 

Folha de São Paulo
11/10/2009

Após menos de dois anos, TAM volta a trocar presidente
Empresa anuncia saída de David Barioni e nomeia vice de Finanças como interino
Para analistas, decisão foi desencadeada com a entrada do banco BTG na gestão da holding e com resultado financeiro abaixo do esperado

O comandante David Barioni Neto não é mais presidente da TAM, a maior companhia aérea do país. Em seu lugar assume interinamente o vice-presidente de Finanças, Líbano Miranda Barroso, que está na diretoria da companhia desde 2004.

No comunicado, a TAM informa que Barioni deixa a presidência, e a empresa, por decisão própria. Analistas consultados pela Folha dizem que ele não tinha outra opção.

Barioni foi tirado da Gol pela família Amaro, controladora da TAM, para assumir a presidência da companhia em novembro de 2007. Seu antecessor, Marco Antonio Bologna, tinha levado a empresa a resultados financeiros consistentes, mas a empresa perdeu em qualidade de serviço e ainda teve de enfrentar o acidente no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em julho de 2007, sem contar a crise dos aeroportos, em 2006. Bologna deixou o comando da TAM, mas continuou no Conselho de Administração.

Em seu lugar na presidência, Barioni decidiu turbinar a qualidade do serviço, diferencial da TAM, e promover a expansão da companhia com mais rotas internacionais. A crise financeira, que estourou no segundo semestre do ano passado, atrapalhou seus planos.

O preço do combustível, cotado em dólar, elevou os custos, e os resultados financeiros foram ruins. Em 2008, a TAM teve prejuízo de R$ 1,3 bilhão, após fortes perdas com operações de hedge de combustível e a depreciação do real diante do dólar em razão da crise.

No primeiro trimestre de 2009, o lucro líquido da companhia foi de apenas R$ 56 milhões e no trimestre seguinte o resultado também esteve abaixo das expectativas.

Mudanças no horizonte

Em julho, a família Amaro contratou o BTG, banco de André Esteves, para administrar a TEP (holding que concentra o patrimônio da família) e assessorar a TAM em seu plano futuro de expansão. Desde então, André Esteves e Marco Antônio Bologna passaram a representar a família diante do Conselho de Administração.

Já naquele momento, estava sendo considerada pela família e pelo Conselho a troca de comando da empresa. No centro dessa discussão estava a diferença de gestão entre Bologna, que presidiu a TAM entre 2004 e 2007, e Barioni.

Bologna focou sua gestão em resultados financeiros. Barioni decidiu priorizar aspectos operacionais. Seu plano de gerar receita com os voos internacionais acabou comprometendo sua gestão. O revés derradeiro foi a decisão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de liberar as tarifas dos voos internacionais. Em seu favor, Barioni contou com a decisão de trocar, antecipadamente, os pitots dos jatos Airbus da frota da TAM. Esse equipamento teria provocado o acidente da Air France, em junho.

A relação da TAM com sócios do BTG vem desde a época em que eles comandavam o banco Pactual -que fez a abertura de capital da empresa, em 2005. Pelo contrato com a TAM, o BTG não participa do capital, mas é remunerado integralmente conforme a performance de suas ações no mercado.

 

 

Folha de São Paulo
11/10/2009

Voos são cancelados no Rio e atrasam até 6 h em SP
Chuva fechou o aeroporto Santos Dumont e afetou também Congonhas e Cumbica
No Galeão (Rio), aeroporto ficou completamente lotado e ocorreram várias discussões entre passageiros e funcionários

DA SUCURSAL DO RIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A chuva cancelou a maioria dos voos de partida e chegada do aeroporto Santos Dumont (centro do Rio), ontem, o que causou um efeito cascata em outros aeroportos do país. Em Congonhas, os atrasos chegaram a seis horas.

A situação foi agravada pelo feriado da próxima segunda-feira, que aumentou a movimentação de passageiros nos aeroportos brasileiros.

Em Congonhas (zona sul de SP), 52% (131) das decolagens atrasaram, conforme o balanço da Infraero divulgado às 22h. Foram cancelados 13,5% (34). Era comum os passageiros esperarem entre uma e duas horas pelo embarque, segundo dados da Infraero.

No aeroporto de Cumbica (Guarulhos), 25,7% (69) dos voos atrasaram e outros 4,5% (12) foram cancelados.
As filas e reclamações registradas anteontem se repetiram no Santos Dumont. Até as 21h30, 77 (62%) dos 124 voos previstos para partir desse aeroporto foram cancelados. Outros 39 atrasaram. Dos 117 pousos previstos, 80 (68%) foram cancelados e 20 atrasaram.
Outros 18 voos foram transferidos para o aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador (zona norte), que funcionou sem interrupções. Mas a viagem até lá, em ônibus fretados pelas empresas aéreas, demorava uma hora e meia -em um dia sem trânsito, demoraria cerca de meia hora.
O Santos Dumont abriu às 6h e, devido ao mau tempo, fechou às 8h17. Embora tenha sido oficialmente reaberto às 10h25, só às 12h40 as empresas voltaram a usar a pista. No fim da tarde, as pistas foram interditadas de novo. Por isso, até uma visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faria ao Rio foi cancelada. Ele chegaria ao aeroporto às 17h.

Saguão lotado
O empresário Benivaldo Ferreira, 45, chegou ao Santos Dumont às 7h20 de ontem pretendendo embarcar às 9h10 para São Paulo, pela Gol. De lá iria a Londrina (PR) para comemorar o aniversário do pai, que completa 70 anos hoje. O voo foi cancelado e a Gol ofereceu viagem apenas na madrugada de domingo, diz ele.

"Essa situação é lamentável. Ninguém da companhia aérea veio nos prestar informação", reclamou Ferreira. "Tivemos prejuízo financeiro e emotivo", disse a fonoaudióloga Juliana Ferreira, 29, cunhada de Ferreira, que viajaria com ele.

Por conta dos voos transferidos e de atrasos, o saguão do aeroporto do Galeão ficou lotado de passageiros ontem à noite.

Segundo a supervisão de segurança do aeroporto, os atrasos nos voos geraram discussões entre clientes e funcionários de companhias aéreas.

"O aeroporto está lotado e houve várias discussões, mas nenhum protesto em grupo. Nenhuma área foi invadida e não houve quebra-quebra até agora", informou, às 22h de ontem, um funcionário do setor de segurança que se identificou apenas como Bento.

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