Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Domingo, 22 de Outubro de 2017

11/06/2009

Notícias Anteriores

Folha Online
11/06/2009 - 07h25

Quatro aviões Airbus fazem pouso não programado em três dias
da BBC Brasil

Dois aviões Airbus fizeram pousos de emergência devido a problemas técnicos nas primeiras horas desta quinta-feira, elevando a quatro o número de incidentes envolvendo aeronaves da empresa nos últimos três dias.

No mais grave deles, um Airbus A330 da companhia aérea australiana Jetstar, com 203 pessoas a bordo, teve que fazer uma aterrissagem de emergência na ilha de Guam, no Oceano Pacífico, por causa de um incêndio na cabine de comando.

A aeronave --do mesmo modelo do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio-- fazia o trajeto entre Osaka, no Japão, e Gold Coast, na Austrália. Os pilotos teriam conseguido apagar o fogo antes de pousar, e nenhum passageiro ficou ferido.

Ainda na manhã desta quinta-feira, um Airbus A320 da empresa russa Aeroflot fez um pouso forçado em Novosibirsk, na Sibéria, com 122 pessoas a bordo, por causa de uma rachadura no para-brisas. O avião voava entre Irkustk, no centro-leste do país, e Moscou.

Na manhã da quarta-feira, outro Airbus foi obrigado a retornar ao aeroporto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, dez minutos após a decolagem, após ser detectado um problema no motor.

O avião da companhia escandinava Iberworld partia com 180 passageiros com destino a Oslo, na Noruega. Após o pouso, foram adotados os procedimentos de emergência para evacuar a aeronave, mas não houve maiores complicações.

Uma falha em um dos motores também causou um pouso forçado de um Airbus A340 da Air China, que fazia o trajeto entre Milão, na Itália, e Pequim, na terça-feira.

A aterrissagem ocorreu no aeroporto de Moscou, na Rússia. Não houve feridos entre as 155 pessoas a bordo.

"Raros"

Apesar da proximidade dos incidentes com a queda do voo AF 447, e do fato de todos envolverem aviões da Airbus, especialistas garantem que essas ocorrências são raras.

"Todos os aviões apresentam problemas técnicos uma vez ou outra, mas eles são projetados para superar essas falhas com segurança, e os pilotos são treinados para lidar com eles", lembra Richard Woodwird, vice-presidente da Associação Australiana e Internacional de Pilotos.

"Se considerarmos a quantidade de horas voadas por essas aeronaves, o número de incidentes é muito pequeno", disse ele à BBC Brasil.

A assessoria de imprensa da Airbus disse à BBC Brasil que "a frota de A330 registra mais de 11 milhões de horas de voo" e que "não há motivos para relacionar esses casos individuais que ocorreram com aviões de outras companhias nos últimos dias ao acidente com o voo 447 da Air France".

"O acidente (do AF 447) é muito sério, mas foi o primeiro com mortes desse avião em voos comerciais", declarou a assessoria de imprensa da Airbus.

A empresa também lembra que a Agência Europeia para a Segurança da Aviação declarou nesta semana que o A330 'é um avião seguro, mesmo com os antigos modelos de sensores'.

Guam

Woodwird afirmou ter conversado com o comandante do voo da Jetstar que pousou em Guam e disse que os procedimentos adotados por ele foram os corretos.

Um porta-voz da companhia aérea disse à rede de TV australiana ABC News que um dos pilotos usou um extintor para apagar um fogo na cabine de comando, assim que foi notada uma fumaça.

"Nós fizemos um desvio de emergência para o Aeroporto Internacional de Guam, onde a aeronave pousou sem incidentes".

De acordo com o porta-voz, o avião permanecerá em Guam até que as causas do incidente sejam apuradas.

Segundo informações, a maioria dos passageiros era de nacionalidade japonesa.

 

 

Folha Online
11/06/2009 - 09h42
Airbus diz que não vai parar modelos A330 e A340
da Efe, em Paris
da Folha Online

A fabricante europeia Airbus assegura que não tem intenção de parar as atividades dos aviões dos modelos A330 e A340 para a mudança dos sensores de velocidade. A troca foi determinada após o acidente com o voo 447 que realizava o trajeto entre o Rio e Paris.

"Não há nenhuma razão para interromper as operações desses aviões", ressaltou nesta quinta-feira um porta-voz da Airbus à Agência Efe.

O Airbus da Air France caiu com 228 pessoas a bordo no último dia 31 no Atlântico. Até esta quarta-feira (10) foram resgatadas 41 corpos pelas equipes de resgate.

O jornal francês "Le Figaro" publicou recentemente que a Airbus estaria disposta a interromper as operações dos cerca de mil A330 e A340 que estão nas mãos das companhias aéreas.

A fabricante tinha emitido uma recomendação em 2007 sobre a mudança dos instrumentos de medição de velocidade nesses modelos de aeronave, mas insistiu em que esta substituição "não é uma obrigação".

O porta-voz da companhia enfatizou à Efe que "todos os A330 e A340 estão certificados para operar e podem continuar funcionando com os sensores originais".

Uma falha dos sensores foi citada como uma das possíveis causas do acidente, embora o Birô de Investigação e Análise (BEA) francês tenha afirmado que ainda não é possível dizer o que motivou o acidente

Nesta quinta-feira o diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, informou que o novos sensores de velocidade com os quais a companhia aérea francesa Air France deve equipar seus aviões Airbus A330 chegaram à companhia três dias antes do acidente com o voo 447.

Buscas

As equipes de buscas da Marinha e Aeronáutica não localizaram nem recolheram mais corpos de vítimas do voo 447 da Air France nesta quarta-feira. De acordo com os comandos das duas forças, devido às condições meteorológicas de hoje, algumas aeronaves de busca tiveram as rotas alteradas para áreas que ofereciam condições mais favoráveis para realizar as buscas visuais. Os navios tiveram condições satisfatórias de navegação, segundo o informe.

 

 

Folha de São Paulo
11/06/2009
Anac cassa concessão da BRA até para operar voos fretados
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) cassou o contrato de concessão que permitia à empresa aérea BRA operar voos regulares e não regulares (como fretamentos). A decisão deverá ser publicada amanhã. A partir daí, segundo a Anac, a empresa não poderá comercializar nenhum serviço aéreo.


A BRA foi punida por haver suspendido suas atividades em novembro de 2007. A paralisação, causada por dificuldades financeiras, prejudicou em torno de 60 mil passageiros. Até 2008, cerca de 3.000 pessoas tentavam reaver na Justiça o valor gasto com viagem não realizada.

Em 2007, a BRA era a terceira maior empresa aérea do país, mas já passava por processo de recuperação judicial. Em abril passado, voltou a operar voos fretados. O presidente da empresa, Danilo Amaral, diz que já esperava pela cassação para voos regulares, mas avalia que nada impede a continuação dos voos fretados. (FÁBIO AMATO)

 

 

Folha de São Paulo
11/06/2009

OUTRO AVIÃO TEVE TURBULÊNCIA EM REGIÃO DE ACIDENTE

No dia anterior ao acidente com o voo da Air France que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris, um avião da Lufthansa sofreu fortes turbulências ao sobrevoar a mesma região do oceano Atlântico onde o Airbus cairia. De acordo com a revista alemã "Stern", as turbulências, que deixaram várias pessoas feridas, começaram depois de três horas de voo do Boeing 747-400, que saiu no dia 29 de maio de São Paulo com destino a Frankfurt, na Alemanha. A Lufthansa não se pronunciou sobre incidente.

 

 

Folha de São Paulo
11/06/2009

Análise de corpos dará pistas sobre queda
EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A análise dos destroços do avião e dos corpos fornecerão dados para compor o cenário do que ocorreu com o Airbus-A330 da Air France.

Segundo especialistas, esses dados poderão esclarecer, por exemplo, se o avião explodiu no ar, se houve despressurização e se a aeronave caiu de bico.

Uma das informações importantes é sobre o estado dos pulmões e dos ouvidos das vítimas. Um grande inchaço pode indicar que houve forte despressurização do avião em grande altitude. Se os pulmões estiverem cheios d'água, isso pode indicar morte por afogamento.

Outro dado que será obtido após a autópsia é se os corpos têm muitos traumatismos, o que indicaria uma forte desaceleração pelo impacto na água.

O cinto de segurança também pode dar pistas importantes. Corpos sem o apetrecho serão examinados para verificar se apresentam ferimentos que sugerem que o cinto se rompeu no ar ou no impacto.

Se a maioria dos passageiros estava sem cinto, pode ser indicativo de que não houve alerta sobre a passagem por uma área de turbulência -seja porque a tripulação foi pega de surpresa ou porque o equipamento de aviso falhou, por exemplo.

"A situação dos corpos, sinais de afogamento, de politraumatismos, tudo isso pode indicar se o passageiro estava solto, que tipo de força agiu sobre ele", disse Roberto Peterka, especialista em segurança de voo e ex-investigador de acidentes aeronáuticos do antigo DAC (Departamento de Aviação Civil).

A identificação dos corpos também é importante, pois permitirá reconstituir a posição de cada um dentro do avião.
"[Saber onde estavam sentados] é importante para tentar saber que parte do avião pode ter sido mais afetada", disse Jorge Medeiros, engenheiro aeronáutico e professor da Escola Politécnica da USP.

Se os corpos dos passageiros de uma determinada área do avião estiverem íntegros, isso pode significar que aquela parte não foi afetada por uma suposta explosão, por exemplo.

Dos destroços recolhidos até agora, o pedaço da cauda foi o que deu mais indicativos do que ocorreu com o Airbus. A cauda é uma parte que normalmente fica protegida e, na maioria dos acidentes, não se rompe -tanto que a caixa-preta fica nessa parte da aeronave.

Como houve rompimento, a principal hipótese é que o avião tenha girado sobre seu próprio eixo em alta velocidade. "Essa é uma parte do avião que tem grande resistência. Para se romper, o que deve ter acontecido é que houve um esforço lateral muito forte, o que só acontece se o avião girar", diz o coronel aviador Douglas Machado, ex-chefe do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).
As peças devem ser analisadas para verificar sinais de explosão ou outro impacto.

 

 

O Estado de São Paulo
11/06/2009

BRA perde concessão e fica impedida de voar
Empresa, que está em recuperação judicial, parou de operar voos regulares em 2007, e vinha mantendo agora apenas voos fretados
Alberto Komatsu, RIO

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassou a concessão da BRA Transportes Aéreos como operadora de voos regulares. A decisão foi tomada durante reunião de diretoria realizada na terça-feira, mas só foi anunciada ontem. A Anac informa que votou pela "caducidade" do contrato de concessão, firmado em 2005 e com validade de 15 anos, porque a BRA cometeu uma série de irregularidades, sendo a principal a paralisação abrupta de sua operação em novembro de 2007. Um mês depois, a Justiça deferiu o pedido de recuperação judicial da empresa.

A Anac informa que a caducidade do contrato de concessão de voos regulares da BRA também a impede de operar voos fretados, atividade que vinha mantendo depois de ter entrado em recuperação judicial. A decisão da Anac deverá ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira. A partir desse dia, a BRA terá 15 dias para apresentar um pedido de autorização para voltar a oferecer voos não regulares (fretados).

A cassação do contrato de concessão, no entanto, não significa que a BRA tenha perdido seu certificado de homologação de empresa aérea (documento conhecido como Cheta). "Ainda não fui comunicado dessa decisão, mas isso não afeta nosso plano de recuperação judicial. A BRA não tem interesse em ser uma empresa aérea regular. Isso já foi manifestado publicamente aos credores e à própria Anac. Vamos esperar a comunicação (da decisão) para tomar as medidas necessárias", afirma o presidente da BRA, Danilo Amaral.

Entre as irregularidades verificadas pela Anac, está o fato de a BRA ter avisado que ia suspender a operação de voos regulares apenas com um dia de antecedência. Além disso, a Anac informa que a companhia não tinha um plano de atendimento aos passageiros e está com a sua situação fiscal irregular. A dívida da BRA que consta em seu plano de recuperação judicial é de R$ 75 milhões, sendo que inicialmente o débito total era de R$ 240 milhões.

Amaral afirma que houve um "perdão" de 70% da dívida após negociação com os principais credores, basicamente bancos. A empresa tem ainda de ressarcir 3,5 mil passageiros que tinham passagens da BRA e que não foram transportados com a sua paralisação. Amaral afirma que a única maneira de atender a esses consumidores será por meio de voos fretados.

BLOQUEIO

No final de maio, o Tribunal Regional do Trabalho de Brasília determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens dos irmãos Walter e Humberto Folegatti, fundadores da BRA. O objetivo é garantir o pagamento de verbas rescisórias e salários atrasados para 1,1 mil credores trabalhistas, que reivindicam, no total, R$ 8,5 milhões.

 

 

O Estado de São Paulo
11/06/2009

Carga aérea encolhe 24% de janeiro a abril

A movimentação total de carga aérea nos aeroportos do País caiu 24,71% nos primeiros quatro meses do ano ante igual período de 2008, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea). A retração ficou acima da média mundial (queda de 20,4%). Considerando apenas a carga aérea internacional, a queda foi de 34,22%.

 

 

O Estado de São Paulo
11/06/2009

Comando militar prevê que as buscas devem seguir até o dia 19
A cada dia fica mais difícil a localização de vítimas; ontem, trabalhos foram prejudicados por condições climáticas
Monica Bernardes, RECIFE

O comando militar brasileiro estipulou pela primeira vez um prazo para as buscas das vítimas do voo 447 da Airbus, que caiu no Oceano Atlântico com 228 passageiros. Caso se mantenham as correntes marítimas e condições atuais de busca, os trabalhos devem seguir até o dia 19. Mas os militares ressaltam que, a cada dia, fica mais difícil a localização de corpos: até agora, 41 foram resgatados e as condições climáticas ontem não favoreceram os trabalhos.

De acordo com o brigadeiro Ramon Cardoso, assessor de Comunicação da Aeronáutica, o governo trabalha ainda com esse prazo para fazer o planejamento de combustível, alimentos e demais recursos para a equipe que trabalha nas buscas. Posteriormente, a expectativa é de que os navios e aviões brasileiros deixem o perímetro de buscas. A operação ficará então totalmente a cargo da frota francesa, que deve dedicar-se às buscas da caixa-preta. O mecanismo de sinais do equipamento, que pode facilitar a localização, só deve funcionar até o dia 1º.

Ontem, só foi possível a retirada de destroços pelos navios brasileiros. "Ao longo do dia, as condições do tempo ficaram bastante degradadas, o que nos obrigou a modificar as áreas de busca das aeronaves para um outro local que não é a maior prioridade", explicou o militar. Segundo ele, o espaço de Dacar (Senegal), deve passar a concentrar as buscas.

O efetivo sob a coordenação brasileira continua o mesmo. Ao todo são 14 aviões (dois franceses) e seis embarcações (uma da França). O navio Desembarque-Doca Rio de Janeiro, cuja tripulação é composta por 363 militares da Marinha, deverá se juntar às operações de busca e resgate a partir do dia 19. Ele tem capacidade para guardar até para 100 corpos. Antes, a embarcação, deslocada do Haiti, passará por Fortaleza, no Ceará, para receber o reforço de um helicóptero H-12 Esquilo e de um H-14 Super Puma.

NECROPSIA

Os primeiros 16 corpos de vítimas chegaram no início da noite de ontem à cidade do Recife. Mas o desembarque, previsto inicialmente para às 15 horas, só ocorreu após as 21 horas. O trabalho inicial de perícia feito em Fernando de Noronha demorou além do previsto, segundo o comando militar. Esperava-se uma média de duas horas para análise de cada corpo e estão sendo necessárias três horas.

Mas no Instituto de Medicina Legal, localizado no bairro de Santo Amaro, região central da cidade, a movimentação em torno da chegada dos corpos era grande desde a manhã e chamou a atenção de quem mora, trabalha ou simplesmente estava passando pelo local. Um forte aparato montado pelas Polícias Civil e Militar impedia o acesso de curiosos e da imprensa à área ao redor do instituto. Mas nem isso foi o suficiente para que homens, mulheres e até crianças subissem em cadeiras, muros e até árvores, na tentativa de flagrar algum movimento no interior do IML. Algumas pessoas portavam câmeras.

A expectativa é de que as primeiras informações sobre os corpos (como o sexo das vítimas resgatadas e o estado em que se encontram os cadáveres) comecem a ser divulgadas na tarde de hoje. Como os cadáveres chegaram congelados, os trabalhos foram postergados para a manhã de hoje.

O IML pernambucano também tem recebido diversos reforços. Ontem, chegaram sete peritos da Paraíba, sendo três auxiliares de legista, três odontolegistas e um médico legista. Outros dois peritos da Polícia Federal também desembarcaram na capital pernambucana para se somar aos outros cinco que estão desde a semana passada no Estado.

Além disso, uma equipe composta por cinco legistas que vieram da França, entre eles um biólogo, um dentista e um especialista em reconstrução de impressões digitais, desembarcou na noite de segunda-feira. O grupo já coletou todo o material genético dos familiares dos 72 franceses que estavam a bordo. A equipe da França, segundo informações repassadas pela Polícia Federal, já teria atuado em identificação de vítimas do tsunami ocorrido na Ásia e diversas outras catástrofes.

O papel que os franceses terão nos trabalhos de identificação, no entanto, ainda não ficou claro. Reservadamente, um policial da PF afirma que o grupo vai orientar os peritos locais sobre técnicas modernas para garantir a obtenção do máximo possível de dados sobre os corpos, independentemente de exames de DNA.

 

 

O Estado de São Paulo
11/06/2009

Mais 25 vítimas devem ser pré-identificadas hoje
Pedi à minha equipe que tratasse os corpos como se fossem filhos?, disse piloto de helicóptero de resgate
Angela Lacerda, FERNANDO DE NORONHA

"A orientação que passei para minha equipe é que tratassem aqueles corpos como se fossem seus filhos." A afirmação é do piloto do helicóptero H-60 Black Hawk da FAB, major Marcelo de Moura Silva, encarregado de fazer o traslado dos corpos de vítimas resgatados do voo 447 da Air France até o Arquipélago de Fernando de Noronha, onde é feita a pré-identificação por peritos das Polícias Federal e Civil de Pernambuco.

Os helicópteros Black Hawk e H-34 Super Puma realizaram anteontem o transporte dos primeiros 16 corpos, trazidos da área de resgate - a cerca de 850 quilômetros de Noronha - pela Fragata Constituição da Marinha. Hoje, o mesmo procedimento deve ser repetido com os outros 25 corpos encontrados, que estão sendo transportados pela Fragata Bosísio.

"É uma honra participar dessa operação, pela oportunidade de trazer de volta a essas famílias alguns dos que foram encontrados, em um momento tão difícil para cada um deles", afirmou o major Moura, do 7º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação, com sede em Manaus há dez anos. Com 21 anos de profissão, ele disse ter sido a primeira vez que participou de "uma operação desse porte em ambiente marítimo".

Sua equipe, composta de um copiloto, dois mecânicos e três homens de resgate, não teve, segundo ele, dificuldade operacional no procedimento. "A maior dificuldade é fazer o transporte dos corpos e saber que aquelas pessoas, infelizmente, não estão mais entre nós", avaliou. "É uma missão que temos de cumprir para trazer um pouco de tranquilidade para as famílias."

O comandante da aeronave disse que ele e a tripulação sempre tiveram a esperança de resgatar sobreviventes. "Quando a missão se transforma nesse tipo de resgate, fazemos da mesma forma, com o mesmo profissionalismo", avaliou, ao lembrar que "muitos corpos ficaram no mar". "É uma missão dolorosa para todos, mas necessária."

O trabalho do Black Hawk na manhã de anteontem, na Fragata Constituição, que se encontrava a 55 quilômetros de Noronha, consistiu dos seguintes passos: inicialmente foram baixados os homens de resgate para fazer a preparação dos corpos, o que durou entre 40 e 50 minutos. Em seguida os corpos foram içados de um em um ou de dois em dois, dependendo da situação e, quando todos estavam a bordo, o helicóptero retornou a Noronha. O mesmo procedimento deve ser repetido hoje na Bosísio. Ele não adiantou como será o traslado, mas informou que o Black Hawk tem capacidade para transportar oito corpos por vez.

 

 

O Estado de São Paulo
11/06/2009

Chances de localizar as caixas-pretas são pequenas
Avaliação é dos franceses, mesmo após chegada de submarino nuclear à área dos resgates
Andrei Netto, PARIS

O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da França, capitão Christophe Prazuck, afirmou no início da noite de ontem, em Paris, que as chances de que as caixas-pretas do avião AF 447 sejam localizadas no Oceano Atlântico "são muito pequenas". A avaliação foi feita no dia em que o submarino nuclear Émeraude, equipado de sonares ultrassensíveis, chegou à região do acidente para auxiliar nas buscas.

De acordo com Prazuck, a embarcação vai rastrear a cada dia uma área de 36 quilômetros quadrados de forma a varrer toda a extensão da área delimitada em águas de controle brasileiro - situada a 1.150 quilômetros da costa do Recife -, onde o avião supostamente teria caído. A verificação será feita com ajuda de 72 tripulantes e de "ouvidos de ouro", como são chamados os sonares passivos da nave, compostos por hidrofones, microfones submarinos integrados ao casco.

Apesar do esforço - pela primeira vez na história da França um submarino é empregado nas buscas de destroços de um avião -, Prazuck não alimenta ilusões. Questionado na noite de ontem pela rede de TV pública France 2, o porta-voz explicou que o possível baixo nível das emissões de rádio pelas balizas afixadas nas caixas-pretas e a existência de cânions abissais na região do acidente tornam as buscas difíceis. "Não sabemos nem mesmo se as balizas ainda emitem. As chances de encontrarmos as caixas-pretas são muito pequenas", resumiu.

Horas antes, Jérôme Erulin, chefe da Divisão do Serviço de Informação da Marinha, havia se mostrado mais otimista. "O Émeraude vai se comportar como um grande balão dirigível que circula em uma cadeia de montanhas com um binóculo", definiu. "Nós conhecemos a zona de buscas e poderemos detectar as emissões."

REFORÇOS

Como complemento ao Émeraude, chega hoje à região o Pourquoi Pas?, navio que traz consigo um submarino robô capaz de vasculhar o fundo do oceano em grandes profundidades. É esse submarino que, em tese, será encarregado de recuperar o Flight Data Recorder (FDR), gravador dos parâmetros de voo, e o Cockpit Voice Recorder (CVR), que registrou as conversas da tripulação durante o voo. Os dois têm o tamanho de caixas de sapatos.

Além das embarcações que ajudam na busca às caixas-pretas, as Forças Armadas da França também reforçam suas esquadras para auxiliar na procura dos corpos das vítimas com o navio de guerra Mistral, equipado de helicópteros.

 

 

O Estado de São Paulo
11/06/2009

Airbus envia nota a clientes e garante segurança
AFP e Reuters, PARIS

A Airbus enviou ontem um comunicado a todos os clientes de A330 e A 340, incluindo uma nota de especificação técnica, assegurando que todos os seus aviões, incluindo modelos com pitots antigos (mais informações nesta página), são seguros. "Com aval do Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA, órgãos francês encarregado da investigação sobre a queda do voo 447), a nota técnica indica que, neste momento da investigação, podemos confirmar que a frota equipada com as diversas sondas pitot pode continuar a ser utilizada como era até agora", afirmou um porta-voz à imprensa.

Anteontem, a Agência Europeia de Segurança Aérea (Easa) já havia garantido que todos os modelos de Airbus, incluindo os A330, estavam "aptos a voar". Esta semana, pilotos franceses chegaram a ameaçar não voar, se equipamentos antigos não fossem trocados.

Há uma semana, a fabricante francesa havia divulgado uma nota técnica, em que retomava as instruções para os pilotos no caso de registro de velocidades incoerentes pelas sondas pitot. O BEA observou, a partir das 24 mensagens de erro captadas nos quatro minutos que provavelmente antecederam a queda do A330 Rio-Paris, que os sensores apresentaram problemas. No entanto, o escritório fez questão de ressaltar que as investigações são preliminares e, mesmo que se comprove essa falha, o avião não ficaria totalmente desgovernado apenas por isso.

 

 

O Estado de São Paulo
11/06/2009

Pitot tinha ''defeito de fabricação''
Em 2003, órgão francês impediu que A320 decolassem com sondas
Andrei Netto, PARIS

O modelo dos tubos de pitot que equipavam o Airbus A330-200 da Air France foi proibido em outros aviões do fabricante em 2003 pela Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) da França por um "defeito de fabricação" que levava ao erro na aferição da velocidade. A informação consta de instruções de navegabilidade publicadas nos anos de 2002 e 2003. Nos ofícios, o órgão proibiu que Airbus A319, A320 e A321 decolassem com as sondas, mas não orientou o mesmo procedimento para aviões A330 e A340.

Os sensores utilizados no Airbus que caiu no Atlântico eram do modelo PN C16195AA, produzidos pela Thales Avionics. Esses tubos de pitot foram alvo da instrução de navegabilidade da DGAC depois que uma companhia aérea, de nome não revelado, havia "verificado anomalias de indicações de velocidade" decorrentes da obstrução dos canais. "Esse defeito de fabricação contribui para a acumulação de poluição externa que, combinada com condições meteorológicas severas, pode obstruir a entrada de ar dos pitots e estar na origem de uma má detecção da pressão total (Pt) e, logo, de parâmetros errados do CAS/MACH (indicadores de velocidade), dada pela ADR (Air Data Reference)."

Falhas do ADR estão entre as indicações existentes nas mensagens automáticas enviadas pelo Airbus A330 da Air France entre 23h10 e 23h14, quando o avião sofreu a pane de sistemas eletrônicos que antecedeu a queda. Essa informação foi confirmada no sábado pelo diretor do Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA), Paul-Louis Arslanian, e é uma das pistas centrais para explicar as causas do acidente.

No avião acidentado, as sondas não haviam sido substituídas, mesmo com a "recomendação" - não obrigatória - feita pelo fabricante. Desde o acidente, companhias aéreas de todo o mundo, como a TAM, a US Airways, a Swiss e a própria Air France, vêm realizando a troca da peça, embora ainda não haja uma instrução de navegabilidade a respeito. Procurada ontem para comentar as suspeitas sobre o mau funcionamento da sonda e a proibição do uso das peças em modelos A320, e não A330, a DGAC negou-se a falar, alegando que uma investigação técnica e outra jurídica estão em curso em Paris.

OUTRAS PANES

O Estado descreveu nesta semana casos de panes eletrônicas detectadas entre 2008 e 2009 em A330 de companhias como a Air France e a Air Caraïbes, todos equipados com tubos de pitot Thales PN C16195AA. Essas sondas foram substituídas, por ordem do DGAC e da Agência Europeia de Segurança da Aviação (Easa), nos Airbus A319, A320 e A321, por modelos Thales PN C16195BA, desenvolvidos para enfrentar condições meteorológica extremas, como o congelamento - o que o voo 447 pode ter enfrentado.

À reportagem, uma fonte graduada de uma das empresas envolvidas no acidente confirmou que os incidentes ligados a falhas dos tubos de pitot vinham surpreendendo pela frequência. "Até o ano passado, havíamos registrado raros exemplos de panes desses sensores."

Segundo o Sindicato Nacional de Pilotos de Linha (SNPL), só a Air France teria registrado seis incidentes relacionados à peça, antes da queda do 447. A companhia reconhece que falhas precedentes aconteceram, mas não deu detalhes.

 

 

O Estado de São Paulo
11/06/2009

Abin apura a ligação de 6 vítimas com terrorismo
Rodrigo Rangel, BRASÍLIA

O Estado apurou que o serviço secreto do governo brasileiro está averiguando a lista de passageiros do voo da Air France em busca de indícios sobre eventuais ligações de alguns deles com grupos terroristas islâmicos. Até agora não há sinal de que um atentado tenha provocado a queda do avião, mas a hipótese não pode ser descartada, segundo uma alta fonte da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

As pesquisas se concentram em nomes de seis passageiros de países árabes. Dois deles teriam nomes coincidentes com os de suspeitos de envolvimento com o terror. Para a Abin, porém, trata-se de homônimos. "No mundo árabe, os nomes são muito parecidos. Só na análise de um desses nomes, chegamos à conclusão de que existem 82 homônimos no mundo", disse a fonte. Nenhum dos seis passageiros morava no Brasil. Estavam no país supostamente a negócios. "Alguns, inclusive, já haviam estado no Brasil antes", disse o analista da Abin. A Inteligência brasileira está em contato permanente com o governo francês.

Dois fatos contribuem para afastar a hipótese de atentado: o envio de 24 mensagens automáticas indicando pane no avião, o que não condiz com uma explosão, e nenhum grupo extremista ter reivindicado a autoria. Os analistas apostam na perícia de peças e corpos para averiguar a possibilidade.

Segundo a revista semanal francesa L?Express, duas pessoas investigadas pelo serviço secreto da França estariam entre os passageiros. Elas seriam investigados por vínculos com células terroristas islâmicas. A fonte não foi revelada e, segundo a L?Express, nem o serviço secreto teria certeza da informação. É possível que sejam homônimos.

 

 

Valor Econômico
10/06/2009

Air France terá 6 meses para trocar sensores
Agência Brasil e Valor Online

RIO - As companhias aéreas TAM e Air France têm seis meses, desde ontem, para substituir os sensores de velocidade de seus aviões. O objetivo da determinação judicial, que teve como base inquérito instaurado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, é garantir mais segurança nos voos efetuados das duas companhias.

O promotor Rodrigo Terra, da Defesa do Consumidor e do Contribuinte do Rio de Janeiro, disse à Agência Brasil que o Ministério Público verificou que o sensor de velocidade está no centro das investigações da França sobre o desastre ocorrido no último dia 31 com o Airbus A330-200 da Air France, que fazia a rota Rio-Paris.

Como a própria fabricante do avião havia recomendado a substituição dos sensores, e o problema já tinha ocorrido em outras aeronaves desse tipo, o Ministério Público concluiu que as empresas deveriam fazer a troca imediatamente.

Segundo Terra, a TAM, que opera com o mesmo tipo de avião no Brasil, e a Air France não atenderam à recomendação do fabricante. Ao Valor Online, porém, a TAM disse já ter realizado a troca. "A TAM já executou em toda sua frota Airbus em operação a recomendação feita pelo fabricante em setembro de 2007, referente ao sensor do tubo de Pitot", diz a companhia, em nota.

O promotor lembrou que um dos princípios que norteiam o Código de Defesa do Consumidor é o da prevenção do dano. "Como o serviço de transporte aéreo deve ser prestado de maneira segura, o Ministério Público entendeu que deve ser monitorado o processo de substituição dos sensores de velocidade, instaurando um inquérito civil público, em que já foi emitida inclusive a recomendação de que o processo de substituição seja concluído no prazo máximo de seis meses."

Terra explicou que, embora seja uma empresa estrangeira, a Air France também é obrigada a substituir os aparelhos, porque presta serviço em território nacional. "Ela [Air France] tem que se adequar às leis locais. O que se quer é justamente que o serviço seja prestado com segurança. " De acordo com o promotor, para isso, é preciso substituir os sensores de velocidade. Se isso não for feito, o Ministério Público poderá processar as empresas para que nenhum avião seja autorizado a decolar sem ter seguido a orientação do fabricante.

Além disso, as empresas que descumprirem a decisão estarão sujeitas ao pagamento de multa, que será fixada por decisão judicial. O objetivo não é punir as empresas, "é prevenir o dano ao consumidor", esclareceu Terra.



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