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Sábado, 23 de Setembro de 2017

11/03/2010

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O Estado de São Paulo
11/03/2010

Avião mais confortável terá selo e etiqueta
Em 1 ano, as companhias deverão informar o espaço entre poltronas
Saulo Luz

Em um ano, os passageiros poderão contar com uma nova informação para garantir uma viagem aérea mais agradável. Ao adquirir um bilhete para voos domésticos ou internacionais, o usuário poderá escolher as aeronaves com maior espaço entre as poltronas. Uma etiqueta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) identificará o espaço útil no momento da compra da passagem.

O Selo Anac, juntamente com a Etiqueta Anac, será exibido nos sistemas de vendas de passagens e colado nos aviões das empresas aéreas brasileiras, informando a faixa que caracteriza o espaço útil em centímetros entre um assento e outro na aeronave usada em cada voo. Todas as companhias com aviões com mais de 20 assentos deverão obrigatoriamente utilizar a Etiqueta Anac, que classificará as aeronaves mais e menos confortáveis do setor aéreo.

Inicialmente, a proposta previa que a etiqueta seria voluntária, ou seja, as empresas optariam por aderir ou não. No entanto, após consulta pública sobre o assunto no fim do ano passado, a agência decidiu que todas as companhias aéreas do Brasil que operam voos regulares com aviões com mais de 20 assentos deverão obrigatoriamente utilizar a etiqueta informativa. "Essa sugestão de obrigar as companhias a dar informação foi uma contribuição que recebemos de um órgão de defesa do consumidor (Pro Teste), durante a audiência pública", diz Carlos Eduardo Pellegrino, superintendente de Segurança Operacional da Anac.

A etiqueta (que deverá ser exibida nos sistemas de vendas de passagens e estar colada nos aviões) informará qual a classificação da aeronave dentre as cinco faixas para classificar o espaço útil entre as poltronas: A (mais de 73 cm); B (de 71 cm a 73 cm), C (de 69 cm a 71 cm), D (de 67 cm a 69 cm) e E (menos de 67 cm). Além disso, a aeronave categoria A receberá também um selo que atesta o melhor espaço útil do mercado.

Para a definição das faixas da etiqueta, a Anac tomou por base uma medição realizada em 5,3 mil passageiros, de 15 a 87 anos, nos 20 principais aeroportos brasileiros. Na média, a medida dos passageiros sentados no Brasil varia entre 55 centímetros e 65 centímetros (veja arte).

As companhias aéreas terão prazo até setembro para enviar a documentação com a medição de suas aeronaves para a Anac e mais seis meses, no máximo, para adotar a etiqueta informativa no sistema de reservas de passagens. "No prazo máximo de um ano, todos passageiros terão essa informação disponível. Mas pode ocorrer antes, dependendo de as empresas enviarem os relatórios o quanto antes", completa Pellegrino.

3 ANOS DE BRIGA
Além disso, inspetores da Anac vão fiscalizar o cumprimento das regras do programa e as empresas que não tiverem a etiqueta podem ser advertidas, autuadas e até multadas. Procurado, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) informou que prefere não se manifestar sobre a Etiqueta Anac, pois ainda não tem dados concretos sobre o assunto.

Em 2007, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que tem 1,90 metro, assumiu o incômodo pessoal com o desconforto da classe econômica das aeronaves e disse ter determinado à Anac que revisse o "espaço vital" entre as poltronas. Em duas décadas, a distância diminuiu de 83,8 centímetros em média para até 77,5 centímetros. As empresas classificaram a atitude do ministro de "intervencionista" e previram aumento no preço das passagens. A Anac chegou até a sugerir ao ministro que se colocasse, em cada aeronave, oito poltronas especiais para obesos e altos.

INCÔMODO

Para quem tem altura acima da média e muitas viagens no currículo, as poltronas de avião costumam ser sinônimo de dor nas costas. Com 34 anos e 2,03 metros, o jogador de vôlei Gustavo Endres considera benéfica a decisão de informar o espaço entre poltronas. "Será bom para todos, principalmente para atletas do vôlei e do basquete. Nos voos em classe econômica, a gente sempre viaja espremido. Uma vez viajei por 24 horas até o Japão. Quando cheguei, era como se tivesse saído de uma lata de sardinha", compara.

Colega de Endres no Pinheiros-SKY, o jogador Rodrigo Santana, de 30 anos e 2,04 metros, conta que o time costuma disputar corrida para ver quem alcança primeiro os assentos de emergência, que oferecem espaço maior entre as poltronas. "Essa resolução vai trazer uma certa tranquilidade para quem é acima do normal", brinca Santana. "Para nós será perfeito, já deveriam ter feito isso há muito tempo", completou a jogadora de vôlei do Unilever Fabiana Claudino, de 25 anos e 1,94 metro.

O engenheiro e jogador de rúgbi Rafael Pereira, de 24 anos, costuma fazer a rota Salvador-São Paulo ao menos uma vez por mês e considera a decisão válida. Ele tem 1,93m e 110 kg. "Mas o ideal é que eles mantenham os mesmos preços", diz Pereira, que sugere a reserva de assentos em saídas de emergência para os mais altos. "Seria uma solução para garantir mais conforto. Já para quem é mais gordo, todas as opções são ruins", aponta.

 

 

Folha de São Paulo
11/03/2010

Empresa aérea informará aperto de poltrona
Em até um ano, passageiro conhecerá distância entre assentos ao comprar o bilhete; norma da Anac vale para companhias brasileiras
Classificação irá de "A" (maior distância) a "E" (menor); estão dispensados da regra voos em aeronaves com menos de 20 assentos

Em até um ano, quem comprar uma passagem aérea de uma companhia brasileira saberá, na hora de escolher o voo, o espaço disponível entre a sua poltrona e a da frente.

A indicação do espaço útil para o passageiro será feita por meio de uma etiqueta que classificará a aeronave utilizada em cinco tipos, de "A" (maior distância) a "E" (menor).

A classificação foi apresentada ontem pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), quase três anos depois de o governo ter incluído a exigência de que as companhias aéreas ofereçam um espaço maior para os passageiros nos aviões. Agora, com a etiqueta, o passageiro poderá escolher entre as aeronaves com melhores poltronas para voar e privilegiar voos mais confortáveis.

A classificação é obrigatória para todas as companhias brasileiras que operam voos regulares com mais de 20 assentos, sejam trajetos nacionais ou internacionais. Haverá multa para as que não se adaptarem.

A etiqueta "A" indicará distância entre as poltronas -medida entre a almofada de apoio das costas de um assento e o assento da frente- maior que 73 cm. A "E", o espaço menor que 67 cm. Todas as medidas se referem à classe econômica.

De acordo com a agência, uma medição feita em 2009 indicou que as principais companhias operavam aviões com distâncias entre 55,7 e 78 cm. A medida glúteo-joelho dos brasileiros, na média, fica entre 55 e 65 cm, ainda segundo a Anac.

A agência afirmou que não sabe ainda quantas aeronaves ganharão o selo de melhor espaço, mas que devem ser poucas as tipo "A". As companhias terão seis meses para apresentar a medição à Anac.

Em 2007, o ministro Nelson Jobim (Defesa) disse que ele, com 1,90 m de altura, tinha "dificuldades para sentar nos voos de qualquer empresa" e declarou ter determinado a regulamentação do assunto ao Conac (Conselho Nacional da Aviação Civil). Ele foi criticado cinco dias depois pelo então presidente da Anac, Milton Zuanazzi, que disse que a ampliação beneficiaria só 5% dos usuários e aumentaria os preços.

Empresas

A reportagem questionou três empresas sobre as distâncias praticadas. A Azul afirmou que a distância entre suas poltronas é de 79 cm, chegando a 86 cm nas primeiras fileiras.

A Gol informou que segue a legislação e os padrões de segurança internacionais.
A TAM declarou que suas aeronaves seguem "os padrões internacionais das empresas que prezam pela qualidade de serviço", mas não informou a distância entre as poltronas.

A legislação atual apenas determina que a aeronave possa ser esvaziada em 90 segundos no caso de alguma emergência, sem determinar espaços, de acordo com a Anac.


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