Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017
09/02/2009
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G1 - O Globo
09/02/2009 - 20:34h

Anac vai abrir processo administrativo contra dona de avião que caiu no AM
Agência vai verificar condições de operação da Manaus Aerotáxi.
Queda da aeronave, no último sábado (7), matou 24 pessoas.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai abrir um processo administrativo para verificar as condições de operação da Manaus Aerotáxi, dona do Bandeirante que caiu no último sábado (7) em um rio no Amazonas matando 24 pessoas.

Segundo a agência, o procedimento vai checar, por exemplo, se a empresa está seguindo todos os procedimentos de segurança necessários para operação. O processo pode levar até seis meses para ficar pronto. Caso seja constatada alguma irregularidade, a Manaus Aerotáxi pode ser multada.

A aeronave que caiu no Rio Manacapuru, prefixo PT-SEA, estava com o registro aeronáutico regular –ou seja, com seguro, certificado de aeronavegabilidade e inspeção anual de manutenção em dia. Segundo a Anac, nenhum avião da empresa havia se envolvido em acidentes até o último sábado.

Em novembro de 2008, a agência havia feito uma auditoria na empresa. Nada de irregular foi constatado na época.

Sobrepeso

A Manaus Aerotáxi descartou a hipótese de sobrepeso no avião. A informação foi passada em entrevista coletiva por Marcos Pacheco, vice-diretor da empresa.

Segundo ele, a capacidade da aeronave era de 5 toneladas - contando 100 kg para cada passageiro, daria cerca de quase 3 toneladas.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), é de responsabilidade do piloto o controle da quantidade de passageiros, o que não isenta, entretanto, a empresa aérea dona do avião.

O avião tinha capacidade para 18 passageiros e dois tripulantes - e levava 26 passageiros e dois tripulantes.

O excedente, segundo Pacheco, era de crianças de colo, que não representavam sobrepeso. E como o vôo era fretado, segundo ele, a empresa não tem como controlar a quantidade de passageiros que embarcou no avião.

Peritos da Aeronáutica investigam se houve excesso de peso no avião. Três técnicos foram enviados para o local do acidente.

Mesma família

Dos 24 mortos na queda do avião, em Manacapuru, no Amazonas, 20 eram da mesma família e seguiam para Manaus para participar de uma festa de aniversário. Apenas quatro pessoas conseguiram sobreviver ao acidente.

A Manaus Aerotáxi está no mercado há 10 anos e o avião da Embraer EMB 110 Bandeirante, prefixo PT-SEA, foi o primeiro da empresa. Mas o companhia não soube informar há quanto tempo o avião está em operação nem quanto tempo de voo.

Já o piloto César Leonel Grieger, 47 anos, tinha 23 anos de experiência e estava há oito anos na empresa.

Segundo o coronel Fernando Camargo, vice-chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o que limita o número de passageiros no avião é o peso que a aeronave transporta.

De acordo com a Aeronáutica, o piloto passou plano de voo pelo rádio informando estar com 20 pessoas a bordo. “O que limita a operação de uma aeronave é o peso que ela transporta, desde que obedeça ao limite de peso no qual ela está autorizada a operar. Precisamos levantar o peso que estava a bordo da aeronave”, disse.

Segundo Camargo, peritos da Aeronáutica farão uma avaliação do peso de cada vítima para tentar somar o peso a bordo e tirar uma conclusão a respeito da condição de operação da aenovave. A caixa com a gravação de voz na cabine já está com os peritos.

Ana Lucia Reis Laurea, uma das sobreviventes, disse que pouco antes da queda a hélice esquerda do avião parou. Segundo Camargo, a aerovane estaria com as inspeções em dia.

Vítimas

Vinte e duas pessoas serão enterradas na cidade de Coari, de onde partiu o voo,

incluindo o co-piloto da aeronave, Danilson Cirino Ayres da Silva, 23 anos. A secretária de Saúde de Coari, Joelma Gomes de Aguiar, de 34 anos, será enterrada em Manacapuru, e o piloto, César Leonel Grieger , 47 anos, em Manaus.

Dois dos quatro sobreviventes que eram da mesma família foram para Coari.
As outras duas ficaram em Manaus.

"A população de Coari está em choque com essa tragédia", disse o secretário da Casa Civil, Daniel Maciel. Na cidade, que, segundo o IBGE tem 70 mil habitantes, foi decretado luto oficial de três dias e feriado nesta segunda-feira (9) para que as pessoas possam participar do velório.

"O velório terá início assim que os corpos chegarem", disse Maciel. Em Coari, dois ginásios irão receber os caixões: Ginário Geraldo Grangeiro e Ginásio Natanael Brasil. O enterro deverá ocorrer na segunda-feira de manhã no Cemitério Santa Teresa.

A empresa Manaus Aerotaxi, proprietária da aeronave, divulgou no início da tarde a lista com os nomes das pessoas que estavam a bordo. Confira abaixo a lista de passageiros (o grau de parentesco entre as vítimas foi passado pelo secretário da Casa Civil). A família iria participar de uma festa de aniversário de um empresário identificado apenas como Omar.

1 - Julia Caiane Melo Duarte (sobrinha de Omar)
2 - Laio Neto Melo Pinheiro (filho de Julia)
3 - Adalto Santos dos Santos (cunhado de Omar)
4 - Luis Eduardo Melo Santos (filho de Adalto)
5 - Tamara Maria da Silva (sobrinha de Omar)
6 - Hosana de Souza Melo (irmã de Omar)
7 - Anads Junior (filho de Hosana)
8 - Daniel de Souza Melo (sobrinho de Omar)
9 - Daniel de Melo (filho de Daniel)
10 - Janete Melo dos Santos (irmã de Omar)
11 - Merciclei de Souza Melo (irmã de Omar)
12 - Evandro da Costa (marido de Merciclei)
13 - Emanuel de Melo (filho de Merciclei e Evandro)
14 - Jonas de Souza Melo (irmão de Omar)
15 - Micicleide de Oliveira (irmã de Omar)
16 - Maria Eduarda Melo (filha de Micicleide)
17 - Camile Almeida Melo (filha de Micicleide)
18 - Mateus Dantas da Silva (convidado da festa)
19 - João Liberal Neto (parente distante de Omar)
20 - Erick da Costa Liberal (filho de João) - sobrevivente
21 - Natalia da Costa Liberal (filha de João)
22 - Yan da Costa Liberal (filho de João) - sobrevivente
23 - Stephanie da Costa Liberal (filha de João)
24 - Joelma Aguiar (secretária de Saúde de Coari)
25 - Ana Lucia Reis Laurea - sobrevivente
26 - Brenda Dias Moraes - sobrevivente

Tripulantes:
27 - Piloto - César Leonel Grieger , 47 anos, gaúcho
28 - Copiloto - Danilson Cirino Ayres da Silva, 23 anos, amazonense

A empresa divulgou o telefone (92) 3652-1620 para que as famílias das vítimas possam obter mais informações sobre o ocorrido. Em seu site, há uma nota de pesar às vítimas.

As buscas por mais uma suposta vítima que estaria no avião foram encerradas pelo Corpo de Bombeiros no início da tarde deste domingo.

Sobreviventes

Segundo Marcelo Alves Cabral, diretor do Hospital Regional de Manacapuru, onde os sobreviventes foram atendidos, todos passam bem. "Eles tiveram apenas escoriações e estavam muito nervosos, mas conversando bem, não estavam em estado de choque. O Érick teve um corte mais profundo nas costas, mas todos foram medicados e já liberados", afirmou Cabral.

"Eles me contaram que ouviram quando um dos motores parou e a aeronave perdeu altitude, teria batido em alguma coisa e depois entrou de bico na água. Como eles estariam no fundo do avião, conseguiram se salvar saindo pela porta de emergência", contou Cabral.

O avião decolou de Coari e, cerca de uma hora depois, caiu no Rio Manacapuru, por volta de 16h (horário de Brasília). Segundo o Comando da Aeronáutica, o avião desapareceu dos radares do controle aéreo a 20 minutos de chegar a Manaus. O Comando da Aeronáutica informou que vai apurar as causas do acidente

 

 

Jornal de Turismo
09/02/2009

Azul lança promoção Azul25, com descontos de 25%

A Azul anunciou nesta segunda-feira sua primeira promoção, chamada Azul25. Através do código promocional, os passageiros da companhia poderão obter 25% de desconto na compra de qualquer passagem, para qualquer um dos seis trechos operados pela empresa.

Para fazer uma reserva de Campinas para Salvador, por exemplo, e a tarifa disponível for de R$ 134, ao informar código promocional Azul25, o bilhete sai por R$ 100,50. Para a rota Recife - Campinas, que entrará em operações no dia 18, quando a tarifa estiver por R$ 239, informando Azul25, paga-se somente R$ 179,25.

O códio também poderá ser informado no call center 3003-AZUL ou digitado no em www.voeazul.com.br (preenchendo o campo indicado “código promocional”) ou ainda poderá ser mencionado ao falar com seu agente de viagens.

A promoção é válida para reservas realizadas até 20 de fevereiro de 2009 e viagens realizadas até 30 de abril de 2009. A viagem deve ser completada até 30 de abril de 2009, significando que tanto a ida quanto a volta deverão ser feitas até tal data. Este desconto será aplicado somente sobre as tarifas publicadas e dependerá da disponibilidade de assentos no voo escolhido, na data escolhida.

 

 

Valor Econômico
09/02/2009

Sata tenta desbloquear recursos de ação trabalhista
Roberta Campassi, de São Paulo

A Sata, empresa de serviços aeroportuários, iniciou sua recuperação judicial na semana passada buscando a liberação, pela segunda vez, de R$ 13 milhões que estão bloqueados pela Justiça trabalhista. A tentativa é rechaçada pelos sindicatos que representam os funcionários da companhia.

A Sata, pertencente à Fundação Rubem Berta (FRB), quer ter acesso ao dinheiro bloqueado em ações trabalhistas para manter suas atividades e iniciar as ações de recuperação, diz o presidente da empresa João Luis Bernes de Sousa. A companhia afirma ter R$ 8 milhões penhorados em bancos e mais R$ 5 milhões em créditos retidos nas fontes pagadoras, conforme o pedido de recuperação enviado à Justiça em janeiro.

Nesse documento, a Sata já pedia a liberação dos recursos. Na terça-feira passada, a juíza Fernanda Galliza do Amaral da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro deferiu a recuperação - que suspende as execuções e processos contra a empresa -, mas negou o desbloqueio dos montantes.

Segundo Sousa, a Sata entrou com pedido para que a juíza reveja a decisão. Ainda não houve resposta. "Como administrador, devo tentar obter todos os recursos possíveis para a empresa continuar operando", diz o executivo. Para ele, o dinheiro bloqueado, se usado na recuperação, pode beneficiar todos os trabalhadores e não apenas aqueles que ganharam ações judiciais. "Respeito o direito de quem conseguiu os bloqueios, mas respeito também o direito de quem não chegou lá", diz.

"Vamos ser implacáveis no sentido de garantir que os créditos bloqueados sejam mantidos", reage Selma Balbino, secretária-geral do Sindicato Nacional dos Aeroviários. "A Sata já fez muita covardia com os funcionários. Ela não cumpriu nem o acordo de parcelamento de rescisões firmado com o Ministério Público (MP)", diz. Sousa, da Sata, afirma desconhecer um acordo com o MP.

Para o Sindicato dos Aeroviários de São Paulo, as contas bloqueadas são a única garantia de que os trabalhadores possam vir a receber. "Essa lei de recuperação serve para limpar as dívidas dos empresários, mas o trabalhador nunca recebe nada do que tem direito. Tem sido assim no setor aéreo", diz Reginaldo Alves Souza, presidente da entidade. Ele se refere aos casos da Varig e Vasp, cujas bilionárias dívidas trabalhistas ainda não foram totalmente solucionadas apesar de as recuperações terem começado em 2005 - na Vasp, o fracasso do processo levou à decretação de falência em 2008. A BRA, que entrou em recuperação em 2007, permanece com dívidas em aberto. Em janeiro deste ano, a Pantanal também entrou em recuperação.

No caso da Vasp, do empresário Wagner Canhedo, também houve tentativa de liberar bens bloqueados pela Justiça trabalhista para a recuperação da companhia aérea e de outras empresas do mesmo grupo econômico. Mas os bloqueios sempre foram mantidos - o principal deles é o da fazenda Piratininga, avaliada em R$ 421 milhões, que em 2008 passou definitivamente para as mãos dos trabalhadores.

A Sata tem dívidas totais de aproximadamente R$ 62 milhões, sendo que as trabalhistas respondem pela maior parte, ou R$ 32,8 milhões. A companhia fechou 2008 com uma receita bruta de R$ 84,3 milhões, menos da metade dos R$ 215,3 milhões que registrou em 2005. A empresa acumula pelo menos cinco anos de prejuízos líquidos - R$ 48,8 milhões só no ano passado.

A Sata já foi a maior empresa do país em serviços aeroportuários - carregamento de bagagem, abastecimento e limpeza de aviões, entre outros - com 60% do mercado. Hoje tem menos de 20%. Sua crise começou em 2005 com o encolhimento brutal da velha Varig, sua principal cliente, que também pertencia à FRB. Desde então, a Sata demitiu cerca de 9 mil funcionários, levando-se em conta a alta rotatividade e a redução da empresa. Hoje, tem 1,1 mil empregados.

A situação agravou-se com o contínuo bloqueio de seus bens por parte da Justiça trabalhista, diz Sousa. E a gota d'água, segundo ele, ocorreu em outubro do ano passado quando a Gol, que comprou a unidade operacional da Varig em 2007, rescindiu o contrato entre a Varig e a Sata.

Sousa afirma que, agora, a Sata tentará diversificar suas atividades. Além de manter os serviços que já oferecia, buscará parcerias para arrendar equipamentos a outras empresas do setor. "Também vamos prestar serviços de manutenção e ministrar cursos e treinamentos para os profissionais do setor. Temos muita experiência nessas áreas", diz Sousa. A companhia, que nos últimos anos tentou fazer fusões com outras empresas, como a portuguesa Groundforce, por enquanto descarta buscar um sócio. O plano de recuperação da empresa terá que ser apresentado em dois meses e será votado em assembléia.

Sousa é membro da FRB e preside a Sata desde maio de 2008.. Até abril, era presidente da VarigLog, empresa de cargas do grupo Varig que em 2005 foi vendida para o fundo americano MatlinPatterson e sócios brasileiros.

 

 

Coluna Claudio Humberto
09/02/2009

Tensão na Infraero

É tenso o clima na Infraero. A associação nacional dos funcionários reclamam das “transferências compulsórias” de empregado, inclusive para outras cidades decididas pela nova diretoria, presidida pelo brigadeiro Cleonílson Nicácio Silva. Falam até em “assédio moral”.

 

 

Folha de São Paulo
09/02/2009

FAB apura se excesso de peso causou queda
Vice-presidente da Manaus Aerotáxi diz que a empresa "descarta totalmente" que havia excesso de passageiros na aeronave
Site da Anac diz que o avião, que tinha 26 passageiros, tem capacidade para 19; já o site da Manaus Aerotáxi informava que cabem 16

RODRIGO VARGAS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CUIABÁ
KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

O avião Bandeirante Emb-110, fabricado pela Embraer, que caiu anteontem no rio Manacapuru, na Amazônia, matando 24 pessoas (outras quatro sobreviveram), levava mais passageiros do que previa a capacidade máxima registrada para a aeronave na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). No final da manhã de ontem, o Corpo de Bombeiros de Manaus deu por encerradas as buscas por vítimas no local do acidente. Com a ajuda de uma balsa e um trator de esteira, a aeronave foi içada à superfície, onde peritos da Aeronáutica começaram a investigar as possíveis causas do acidente.

Os quatro sobreviventes -Ana Lúcia Reis Laurea, 43, Brenda Moraes, 21, e os irmãos Erick da Costa Liberal, 23, e Yan da Costa Liberal, 9- foram atendidos com escoriações leves no Hospital Regional de Manacapuru e liberados. O avião foi fretado pelo empresário Omar Melo Junior na agência L Tur, de Coari, e o voo era de responsabilidade da empresa Manaus Aerotáxi. Vinte e três pessoas eram convidadas de Junior para uma festa. Outros três passageiros embarcaram de última hora.

Considerando o piloto César Leonel Grieger, 47, e o copiloto Danilson Cirino Ayres da Silva, 23, havia 28 pessoas a bordo, das quais sete crianças, na contagem das equipes de resgate. Segundo a Aeronáutica, tanto o avião quanto a tripulação estavam com suas licenças em dia. O Cenipa, órgão da Aeronáutica que investiga acidentes aéreos, já apura se o excesso de peso contribuiu para a queda do avião. Foi o maior acidente aéreo do país desde a queda do avião da TAM, em 2007, que matou 199 pessoas.

O vice-presidente da Manaus Aerotáxi, Marcos Pacheco, diz que a empresa "descarta totalmente" que tenha havido problemas de sobrepeso ou superlotação na aeronave. Segundo ele, a agência de turismo informou que o voo teria oito crianças de colo [de até dois anos] e 18 passageiros sentados. "Criança de colo não conta como passageiro", afirmou o vice-presidente, que não se pronunciou sobre a capacidade total comportada pelo avião nem sobre a idade das crianças que estavam no voo. Para ele, fatores como o mau tempo ou uma possível falha no motor podem ter provocado a queda.

Brenda Moraes, 21, sobrevivente da tragédia, diz que havia crianças de oito e nove anos no colo de adultos. Uma portaria da Anac, de 2000, permite um acréscimo de 30% de passageiros crianças com até dois anos -neste caso seriam seis pessoas e não sete. Mesmo que todas as crianças tivessem até dois anos, o que não era o caso, o número é maior do que o permitido. No site da Anac está descrito que a aeronave tem capacidade para 19 passageiros. Já o site da Manaus Aerotáxi informava que cabem 16 -na noite de ontem, a página foi substituída por uma nota de pesar. A Anac não esclareceu o porquê da diferença. A Embraer, fabricante da aeronave, informou que cabe às autoridades de aviação determinar a capacidade do avião e que o total de passageiros depende de cada avião.

Especialista em aviação, o professor da UnB (Universidade de Brasília) Eider da Silva diz que o excesso de peso foi "um fator preponderante" para o acidente. "A potência dos motores é proporcional ao peso que o avião transporta. O avião tem uma reserva de potência, mas se o peso for muito maior do que o permitido e houver uma pequena perda de potência de motores o avião não consegue voar nivelado. Sem potência em um dos motores e com 28 passageiros ele não voa nivelado nem que São Pedro venha segurar o avião."

Para ele, a responsabilidade pelo transporte acima da capacidade é da empresa e do piloto. A Polícia Civil de Manacapuru começou ontem a ouvir moradores que testemunharam o momento da queda do avião. "O que ouvimos até agora é que o avião vinha baixo, chocou-se com copas de árvores de uma ilha do rio Manacapuru e depois mergulhou na água", disse o investigador Roberto Teles. Minutos antes do que parece ter sido uma tentativa de pouso forçado (o local do acidente fica a 500 m de uma pista de pouso abandonada), o piloto havia pedido à torre de Manaus permissão para retornar a Coari.

O modelo Bandeirante Emb-110 começou a ser fabricado em 1971 e deixou de ser produzido há 18 anos. A reportagem não localizou ontem nenhum representante da L Tur.
Colaboraram EDSON VALENTE , da Redação, e ANDREZA MATAIS , da Sucursal de Brasília

 

 

Folha de São Paulo
09/02/2009

"Alguns que estavam no colo tinham nove, sete ou oito anos", diz sobrevivente
FELIPE BÄCHTOLD
DA AGÊNCIA FOLHA

A sobrevivente Brenda Dias Moraes, 21, diz que viu várias crianças com cerca de oito anos viajando no colo de outras pessoas no voo que caiu no Amazonas. Segundo ela, o menino de nove anos que sobreviveu só se salvou porque viajava sentado por sobre o irmão, de 23, que também escapou com vida.

"Tinha alguns que estavam [viajando] no colo que tinham nove, sete ou oito anos", disse à Folha ontem. "Tanto que a outra pessoa que conseguiu sobreviver estava com o irmão de nove anos no colo dele."

Brenda viajava sozinha. Servidora municipal em Coari, ela ia a Manaus para participar de sua formatura no curso superior de administração. A jovem diz estar ainda em "estado de choque" com a tragédia.

Ela conta que, após o impacto do avião com a água, chegou a ficar presa na saída de emergência porque outra pessoa tentava sair ao mesmo tempo.

"Quando abri a porta de emergência, o outro passageiro se precipitou e acabou saindo na minha frente. Ficamos os dois presos na porta. Tentei sair, ele tentou. Com isso, a aeronave foi pro fundo e a gente foi sendo puxado também."

O outro passageiro conseguiu se desvencilhar e os dois escaparam. "Quando saí, a aeronave já estava no fundo [do rio]. Subi nadando, com medo, me afastei. Fui para um pedaço do avião que estava boiando. Em menos de cinco minutos chegaram os ribeirinhos e ajudaram a gente."

Na hora da queda, Brenda diz que chegou a perder os sentidos. "Quando acordei, a água já estava na minha cintura. E foi só o tempo de tirar o cinto. Ouvi outro passageiro gritando que era para abrir a porta de emergência. Eu não conseguia enxergar nada, mas eu fui guiada para abrir a porta."

Em poucos segundos, o avião afundou, conta a sobrevivente. Segundo ela, a queda ocorreu cerca de dez minutos após uma das hélices do avião parar de funcionar. Nesse intervalo, conta, diz que percebeu a "agitação do piloto", mas afirma que nenhuma informação foi dada aos passageiros.

 

 

Folha de São Paulo
09/02/2009

23 dos 26 passageiros iriam a festa de aniversário em Manaus

DA AGÊNCIA FOLHA, EM CUIABÁ

Dos 26 passageiros que embarcaram no avião Bandeirante em Coari (AM), 23 iriam participar de uma festa de aniversário em Manaus marcada para aquele mesmo dia.

Fretado por R$ 8.000, o voo levava 17 parentes diretos, entre eles cinco irmãos, do empresário Omar Melo Junior, o aniversariante. Dos convidados, só os irmãos Erick da Costa Liberal, 23, e Yan da Costa Liberal, 9, sobreviveram.

"A festa era o motivo do voo. As únicas vítimas que não têm relação com a família são as que conseguiram lugares de última hora", disse o secretário da Casa Civil de Coari, Daniel Maciel.

A secretária da Saúde, Joelma Aguiar, foi a última a entrar no avião. Com passagem marcada em um voo regular da empresa Trip naquele dia, ela decidiu antecipar sua chegada.

"Ela tinha de cumprir uma agenda de compromissos em Brasília", disse o secretário. Joelma morreu no acidente.
A cunhada do prefeito de Coari, Brenda Dias Moraes, e a contadora Ana Lúcia Reis Laurea embarcaram nas mesmas circunstâncias, mas, sentadas próximas a uma das saídas de emergência, elas saíram do avião e nadaram até a margem.

O capitão Helyantus Borges, do Corpo de Bombeiros de Manaus, disse que só o corpo do piloto tinha ferimentos graves. Os demais, disse, pareciam ter morrido por afogamento. (RV)

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