Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Domingo, 20 de Agosto de 2017
08/03/2009
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O Estado de São Paulo
08/03/2009

Governo banca cargueiro da Embraer
Defesa investe em projeto de avião militar e depois deve comprar
jatos de empresa que acaba de demitir 4,2 mil

Roberto Godoy

O governo vai aplicar entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões no programa do novo cargueiro militar da Embraer, o KC-390. Esse aporte inicial é equivalente a 5% do investimento na etapa de desenvolvimento.

O detalhamento da participação será anunciado até abril. O Comando da Aeronáutica incluiu o jato médio de transporte no plano de longo prazo, que fixa metas até 2023.

O contrato de venda só entrará na pauta mais adiante. Todavia, os primeiros estudos do negócio consideram a encomenda de 22 a 30 aeronaves com entregas previstas a partir de 2015. O valor do pacote é estimado em US$ 1,3 bilhão.

A entrada da Força Aérea no empreendimento havia sido revelada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro entre sindicalistas e executivos da Embraer, no Palácio do Planalto, dia 4. A empresa demitiu 4,2 mil funcionários há três semanas. O processo do cargueiro pode ajudar a evitar novos cortes. Para o presidente da Embraer, Frederico Curado, "o KC-390 é um produto com muita chance de sucesso nas vendas internacionais; vai representar demanda por mão de obra de engenharia - e permitirá sustentar centenas de profissionais, que trabalharão nos primeiros seis anos de desenvolvimento e depois disso, por muito tempo".

Com desenho novo e agora com capacidade para cumprir missões de reabastecimento em voo, mudanças especificadas em conjunto com especialistas d o Comando da Aeronáutica, o KC-390 é um ambicioso projeto preparado para disputar um mercado internacional avaliado em 700 aviões dessa classe que serão trocados ou comprados até 2020 em 77 países. Um negócio, total, de US$ 13 bilhões.

Durante o Salão Aero India, em Bangalore, o diretor para o mercado asiático, Sérgio Bellato, disse que a corporação discute a venda de uma configuração civil da aeronave. Os prováveis clientes são a Federal Express (FedEx) e a DHL.

O birreator adota um desenho avançado - a integração da asa alta foi reprojetada - com grande porta traseira e eletrônica digital de última geração. Voa a 850 km/hora. Cobre 6,3 mil km levando 12,5 mil quilos ou 2,4 mil km com 19 toneladas. Pode ser convertido em avião tanque e sairá da fábrica preparado para ser reabastecido - por outro KC-390.

O plano estratégico da FAB precisa expandir a sua frota de transporte rápido para atender ao conceito do Plano Nacional Estratégico que definiu a arquitetura de forças de deslocamento rápido para todo o País como padrão.

Segundo Frederico Curado, presidente da Embraer, o programa do KC-390 exige recursos situados entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões. A empresa negocia parceria com corporações internacionais.

As mudanças feitas no projeto são significativas. Foram determinadas pela agência tecnológica da Aeronáutica. Um certo número de "potenciais clientes selecionados" entrou na pesquisa.

O KC-390 preserva pontos comuns com o modelo de passageiros o Emb-190/95 , para 122 passageiros, "em benefício da redução dos custos", afirma Curado. Na última versão, a empenagem traseira, onde fica o leme, foi elevada e adotou o formato em T. Os motores devem ser mais potentes. A imagem mostra alterações para melhorar o fluxo aerodinâmico.

Peritos militares acreditam que o KC-390 tenha mais de 30 metros de comprimento, aproximadamente 29 metros de envergadura e 10 de altura. A carga útil é de 19 toneladas. A fuselagem abriga 64 paraquedistas equipados para combate ou 84 soldados de infantaria convencional. Há outros arranjos, combinando um blindado leve e 13 homens; ou suprimentos e dois veículos leves. A Aeronáutica quer, ainda, uma configuração para a retirada de feridos ou doentes em zonas de alto risco ou conflito.

O vice-presidente de Defesa, Orlando Ferreira Neto, considera a FAB "reconhecida por definir requisitos operacionais muito eficazes, o que tem resultado em produtos competitivos". Na prática, significa que a escolha do KC-390 para substituir ao longo dos próximos 20 anos o Hércules C-130 como principal transportador da FAB vai alavancar as negociações junto a compradores externos.

 

 

O Estado de São Paulo
08/03/2009

Empresa entrega ''1º irmão menor'' do Aerolula até junho
Roberto Godoy

Os negócios da Embraer com a área nacional de Defesa são bons. Há quatro dias o contrato para modernização de 53 caças bombardeiro AMX, subsônicos, foi fixado em R$ 740,7 milhões. Em um hangar de acesso restrito está na fase de acabamento o primeiro dos dois jatos da versão presidencial do modelo Emb-190, comprados por R$ 211 milhões. O primeiro será entregue até junho. O segundo, cinco meses depois. Vão substituir os Boeing-737, ?Sucatinhas? que servem à Presidência desde 1974. Por pouco mais de R$ 1 bilhão estão na linha de produção 99 turboélices Super Tucano, de ataque e treinamento, mais cerca de 59 supersônicos F-5E em processo de revitalização tecnológica, e, em fase de especificação para operação semelhante, 12 caças Skyhawk da força aérea Naval. Um pacote adicional de US$ 60 milhões.

 

 

Folha de São Paulo
08/03/2009

Pedido de recuperação de empresa quadruplica no ano
Riscos de insolvência crescem com o aperto no crédito e queda nas vendas
Além da crise econômica, Serasa Experian afirma que instrumento jurídico passou a ser mais conhecido das empresas e dos credores

TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL

Os pedidos de recuperação judicial, instrumento em que empresas com risco de insolvência ganham tempo para retomar pagamentos aos credores, aumentaram 300% no início deste ano, segundo a Serasa Experian. Em janeiro e fevereiro, houve 135 pedidos de recuperação de empresas em dificuldade -no mesmo período de 2008, foram só 34.

Para Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa, o indicador reflete o aperto no crédito -menos recursos disponíveis, taxas maiores e prazos menores- e a situação mais difícil enfrentada pelas empresas desde a quebra do Lehman Brothers nos EUA, em 15 de setembro.

Almeida lembra ainda que há um "componente de aprendizado" das empresas quanto ao uso do novo instrumento, que substituiu a antiga concordata em junho de 2005. "A crise agravou, sim, essa estatística. Temos um componente de conjuntura [crise] e um de aculturamento da recuperação judicial, que passou a ser mais entendida", disse Almeida.

Criada pela Lei de Falências de 2004 para ajudar empresas a se reerguerem, a primeira companhia a aderir, de fato, à recuperação judicial foi a Varig, em julho de 2005. Como a economia entrava em um ciclo virtuoso, poucas empresas -e seus credores- tiveram interesse no mecanismo. Após a Varig, só em fevereiro de 2006 a Justiça deferiu mais pedidos de recuperação judicial, com Bombril e Parmalat.

Até a crise atual, só empresas de grande porte tinham acesso ao instrumento, que demanda assessoria jurídica e técnica especializadas, além de ter as contas em ordem e dívidas expressivas com credores.

"Tivemos períodos sem recuperação judicial porque as empresas não precisavam [dela]. Depois, as empresas que passavam por dificuldades começaram a tomar conhecimento. Numa primeira etapa, as empresas grandes entraram. Vemos agora que empresas médias também estão recorrendo à recuperação judicial. Acreditamos que em breve [o instrumento] vai chegar também às pequenas empresas", disse.

"O instrumento sempre existiu para empresas de diferentes portes. A crise mostrou que a recuperação judicial está aí e funciona", disse o advogado Tadeu Laskowski, especialista em recuperação judicial.

A recuperação judicial envolve um caminho árduo de negociação, acompanhado pela Justiça. Dos pedidos de recuperação em análise, a Justiça deferiu 86 em janeiro e fevereiro -há um ano, foram 15 no período. Estima-se que o deferimento leve até três meses.

Depois do deferimento, ainda há todo um trâmite para os credores chegarem a um acordo de recuperação judicial, quando só então começa o processo em que o pagamento das dívidas fica suspenso por 180 dias, prorrogáveis por mais 90.

No primeiro bimestre, 15 empresas passaram a funcionar em meio à recuperação judicial -no mesmo período de 2008, só uma passou por isso.

Além da recuperação, os credores podem pedir diretamente a falência de uma empresa para ter suas dívidas executadas. Segundo a Serasa, houve 301 pedidos de falência requeridos em janeiro e fevereiro, ante 302 feitos no primeiro bimestre de 2008. Já as falências decretadas somaram 127 no bimestre, contra 173 no mesmo período de 2008.

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