Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quarta-Feira, 13 de Dezembro de 2017
07/09/2009

Notícias Anteriores

Site da Rede PDT
07/09/2009

Varig-Aerus: O golpe final, um crime continuado que foi anunciado

Em Julho de 2006 a Varig S/A foi arrematada num leilão pela Varig Log por R$ 52,3 milhões; ou seja, pela bagatela de US$ 24 milhões. Em Março de 2007 foi vendida para a Gol por US$ 320 milhões. Com o fim do processo de Recuperação Judicial anunciado pelo juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pelo processo, não será surpresa se o próximo passo for a decretação de falência da empresa. Nos dias seguintes em que a FRB (Fundação Ruben Berta) receber de volta o controle das empresas do antigo grupo Varig, que passaram a ser denominadas FLEX , serão desligados os aparelhos que estavam mantendo a natimorta na UTI . Desde o inicio de todo este processo de desmonte e entrega do controle acionário da VARIG nunca as chamadas "empresas em Recuperação Judicial-FLEX ” tiveram qualquer chance de sobreviver, porque os ativos foram sendo retirados ficando apenas um enorme passivo de mais de 8 bilhões.

A bomba programada vai estourar na mão da FRB que assistiu, as empresas com faturamentos e receitas serem retiradas do seu controle para depois receber a empresa de volta toda saqueada . É como tivessem retirado na UTI todos os órgãos para doações e agora o corpo será devolvido para que a FRB faça o enterro. Os responsáveis pela ma gestão tanto da FRB quanto da velha Varig saem impunemente. A conta sobra para todos os credores, principalmente os credores trabalhadores que perderam o emprego e a aposentadoria. A empresa foi mantida em Recuperação Judicial muito além do prazo legal, para que toda cirurgia de transferência de ativos pudesse ser feita. No mais foram acertos e combinações do enterro, num jogo de cartas marcadas com os atore s envolvidos e estepes seguidos em tempos bem cronometrados.

Como ficam os vários processos tramitando no Judiciário, inclusive no Supremo Tribunal Federal, com a decretação de falência da empresa? Ferindo a CLT e a Constituição Federal, os créditos trabalhistas, de acordo com a Lei de Recuperação Judicial, ficam limitados a 150 salários mínimos. Muda o destino e a prioridade dos créditos na Ação de defasagem tarifaria que aguarda no STF o julgamento por conta de um Acordo. Será dado o golpe final com o calote nos créditos trabalhistas e nos aposentados e pensionistas do AERUS. Para minimizar o caos social e o crime de lesa-pátria é de se esperar uma chantagem para que seja retirada a ação da Defasagem Tarifária para que se realize um acordo na bacia das almas.

Maria João Matos

Página Principal