Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Segunda-Feira, 21 de Agosto de 2017

06/06/2009

Notícias Anteriores

Estadão
06/06/09 - 13:38h

Aeronáutica confirma descoberta de destroços e corpos
Também foram localizadas uma poltrona, maleta de couro com bilhete da Air France e uma mochila com laptop
Central de Notícias

SÃO PAULO - O comando da Aeronáutica anunciou no começo da tarde deste sábado, 6, ter encontrado corpos de passageiros e peças do avião Airbus 330 que desapareceu sobre o Oceano Atlântico há uma semana. Ainda de madrugada, o avião radar R-99 havia descoberto uma série de pontos a aproximadamente 69 quilômetros do local do último comunicado feito pelo avião no domingo. Pela manhã, aviões de busca foram enviados à região e visualizaram os destroços.

O anúncio foi feito pelo coronel Jorge Amaral, que é vice-chefe do Centro de Comunicação da Aeronáutica. "Por volta das 5h da manhã, durante um voo de varredura, a aeronave R-99 localizou alguns pontos de destroços e solicitou o envio de outro avião para tentar o contato visual. Por volta das 8h manhã, a aeronave C-130 confirmou a visualização e reportou ao comando da operação".

Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, os dois corpos são do sexo masculino e foram resgatados pela corveta Caboclo, da Marinha, a 470 milhas - cerca de 900 quilômetros - de Fernando de Noronha. Também foram localizadas uma poltrona, uma maleta de couro com bilhete da Air France e uma mochila com lap top. As bolsas estavam identificadas, mas não necessariamente pertenciam às pessoas cujos corpos foram encontrados.

Os dois corpos deverão chegar a Fernando de Noronha neste domingo, 7. O almirante Edison Lawrence Dantas, comandante do 3º Distrito Naval, explicou que a corveta entregará o material e os corpos recolhidos para a fragata Constituição, que tem mais velocidade e deverá chegar à área neste sábado.

Depois, a fragata seguirá para Fernando de Noronha. Quando a embarcação estiver a cerca de 300 quilômetros do arquipélago, um helicóptero da FAB irá ao seu encontro e receberá os corpos e os destroços.

A sequência do resgate, de acordo com a Aeronáutica foi a seguinte: às 8h14 foi retirada uma poltrona azul, com número de identificação 237011038331-0. Às 9h10 foi avistado o primeiro corpo. Às 9h30 o corpo foi resgatado e identificado como sendo de um homem. Às 9h50 uma mochila da marca Targus, contendo um cartão de vacinação, foi levada a bordo. Às 10h18, foi a vez uma pasta, com um bilhete aéreo da Air France, com número de identificação 0334N0302730W (a Air France já confirmou a numeração do documento). Às 11h13 foi retirado do mar o segundo corpo, também, do sexo masculino.

Identificação

De manhã, cinco peritos em identificação da cadáveres da Polícia Federal haviam chegado a Fernando de Noronha, onde estão baseadas as buscas, aumentando os rumores sobre o encontro de corpos.

Apesar da presença da equipe, de acordo com o vice-almirante Edison Lawrence, os corpos e objetos localizados passarão "pouco" tempo na ilha. "Estamos separando e fotografando tudo o que está a bordo e as imagens estão sendo repassadas para os centros de comando da operação de busca, no Brasil, e de investigação, na França", destacou o militar.

(com Monica Bernardes, Renato Machado e Angela Lacerda especial para O Estado de S. Paulo)

 

 

Folha Online
06/06/2009 - 13h40

Aeronáutica confirma resgate de corpos de passageiros do Airbus

O coronel Jorge Amaral, subchefe de comunicação da FAB (Força Aérea Brasileira), confirmou neste sábado (6) que foram resgatados destroços e corpos de passageiros do Airbus-330 da Air France, que desapareceu domingo após decolar do Rio com destino a Paris.

Marco Túlio Moreno, parente de uma das vítimas, informou à GloboNews que foram resgatados dois corpos, do sexo masculino, além de uma poltrona, uma valise de couro, com um bilhete do voo, e uma mochila. A Aeronáutica informa que os objetos podem não ser dos passageiros do voo 447.

Três peritos e um papiloscopista (responsável por colher e analisar impressões digitais) da Polícia Federal chegaram hoje a Pernambuco para ajudar na identificação dos corpos.

Reportagem publicada pela Folha informa que uma mensagem automática enviada pelo Airbus mostra que o leme do avião, peça aerodinâmica essencial para o voo, quebrou.

A mensagem ocorreu no primeiro dos quatro minutos finais do AF 447, em que foram emitidos 24 alertas, indicando que um problema estrutural pode ter desencadeado o acidente com o avião que levava 228 pessoas.

Voo 447

O voo 447 da Air France desapareceu sobre o oceano Atlântico na noite de domingo (31). O avião decolou por volta das 19h do aeroporto Tom Jobim, no Rio, com destino a Paris e fez o último contato com o comando aéreo brasileiro por volta das 22h30 de domingo.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou na terça-feira que o Airbus da Air France caiu a aproximadamente 400 milhas (740 km aproximadamente) do arquipélago de Fernando de Noronha (PE).

Não há hipóteses claras sobre o que pode ter derrubado a aeronave, mas já há certeza de que o avião sofreu despressurização e uma pane elétrica, porque a aeronave enviou alerta automático do tipo durante o voo. Sabe-se também que a aeronave enfrentou forte turbulência.

 

 

Folha Online
06/06/2009 - 13h40

Corpo de passageiro foi resgatado preso ao assento e com cartão de embarque

O site do jornal francês "Le Figaro" informa que um dos dois corpos resgatados neste sábado do Atlântico pela Aeronáutica estava preso ao assento e trazia o cartão de embarque.

A Aeronáutica confirmou hoje que resgatou corpos de passageiros e peças do Airbus-330 desaparecido após decolar do Rio com destino a Paris. A aeronave, da Air France, levava 228 pessoas a bordo.

Três peritos e um papiloscopista (responsável por colher e analisar impressões digitais) da Polícia Federal chegaram hoje a Pernambuco para ajudar na identificação dos corpos.

Marco Túlio Moreno, parente de uma das vítimas, informou à GloboNews que foram resgatados dois corpos, do sexo masculino, além de uma poltrona, uma valise de couro, com um bilhete do voo, e uma mochila. A Aeronáutica informa que os objetos podem não ser dos passageiros do voo 447.

Leme

Reportagem publicada pela Folha informa que uma mensagem automática enviada pelo Airbus mostra que o leme do avião, peça aerodinâmica essencial para o voo, quebrou.

A mensagem ocorreu no primeiro dos quatro minutos finais do AF 447, em que foram emitidos 24 alertas, indicando que um problema estrutural pode ter desencadeado o acidente com o avião que levava 228 pessoas.

Voo 447

O voo 447 da Air France desapareceu no oceano Atlântico na noite de domingo (31). O avião decolou por volta das 19h do aeroporto Tom Jobim, no Rio, com destino a Paris e fez o último contato com o comando aéreo brasileiro por volta das 22h30 de domingo.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou na terça-feira que o Airbus da Air France caiu a aproximadamente 400 milhas (740 km aproximadamente) do arquipélago de Fernando de Noronha (PE).

Não há hipóteses claras sobre o que pode ter derrubado a aeronave, mas já há certeza de que o avião sofreu despressurização e uma pane elétrica, porque a aeronave enviou alerta automático do tipo durante o voo. Sabe-se também que a aeronave enfrentou forte turbulência.

 

 

Folha Online
06/06/2009 - 09:10h

Mensagem indica quebra do leme do Airbus-330 da Air France
IGOR GIELOW
secretário de redação da Folha de S.Paulo, em Brasília
ALAN GRIPP
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Uma mensagem automática enviada pelo Airbus-330 da Air France que caiu no mar domingo mostra que o leme do avião, peça aerodinâmica essencial para o voo, quebrou. A mensagem ocorreu no primeiro dos quatro minutos finais do AF 447, em que foram emitidos 24 alertas, indicando que um problema estrutural pode ter desencadeado o acidente com o avião que levava 228 pessoas.

A mensagem está nos alertas do voo que a TV France 2 divulgou anteontem, sem contestação da Air France ou das autoridades francesas --a quebra não foi identificada pela rede.

A Folha ouviu dois pilotos de Airbus e ambos foram assertivos sobre o potencial catastrófico do evento, suspeitando que ele foi provocado por alguma rajada violentíssima de vento.

Às 23h10, a primeira mensagem informa que há um CTL RUD TRV LIM FAULT. Traduzindo tecnicamente: falha no controle de limitação do curso do leme. Em português: o computador indica que o leme excedeu o limite que poderia mexer, ou seja, quebrou.

O leme é a parte móvel do estabilizador, a "asa" vertical que fica na cauda do avião e é responsável por evitar guinadas aerodinâmicas. O leme permite alterações no curso do avião.

Seus movimentos são limitados a 25% de inclinação no próprio eixo até 296 km/h nos Airbus. A partir dos 703 km/h, essa tolerância cai a menos de 4% devido ao potencial de dano estrutural ou de fazer uma manobra que tire o avião de controle. Quando saiu do controle de radar brasileiro, 22 minutos antes do registro do defeito, o AF 447 estava a 840 km/h.

É esse limitador que o computador aponta que falhou. Pior: como não é registrado defeito nos sistemas que controlam os motores elétricos que mexem o leme, os FAC, há a possibilidade de o estabilizador ter sido arrancado.

Nesse caso, o controle de um avião a 10,7 km de altura e a 840 km/h é quase impossível.

"Certamente houve algum dano estrutural à aeronave. Se ele foi pequeno ou grande, ainda não é possível afirmar. Mas é uma informação extremamente importante", diz o engenheiro aeronáutico Adalberto Febeliano, ex-vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral e atualmente diretor da Azul.

Se o leme ou até o estabilizador quebraram, fica a dúvida: teria a tempestade sido tão violenta ou havia algum problema prévio em sua estrutura, que é das mais frágeis no avião?

Há sempre a hipótese de o computador ter falhado e informado incorretamente o defeito. O computador do A330 já havia causado quase-tragédias ano passado na Austrália por leitura incorreta de dados.

As mensagens seguintes já haviam sido exploradas. No momento em que o defeito no leme é apontado, o piloto automático e o acelerador automático do avião são desligados.

O sistema fly-by-wire, que evita que o piloto faça manobras muito perigosas, retira três das suas cinco salvaguardas. Em outras palavras, o avião vai para a mão do piloto.

Como disse um dos pilotos de Airbus ouvidos, a partir daí é "desespero" em um espaço muito curto de tempo, o que explicaria a falta de pedido de socorro.

O BEA (birô de investigação e análise), agência francesa que apura acidentes aéreos, dará entrevista hoje sobre o caso. Até aqui, só admitiu que havia tempo ruim na rota do AF 447 e que houve sinais divergentes nas medições de velocidade.

Isso está explicitado na mensagem das 23h12 que indicou incoerência no ADR, um dos três computadores que recolhem dados de velocidade, altitude e velocidade vertical (se o avião sobe, desce ou está alinhado). Isso levou à especulação corrente de que um sensor externo do Airbus da Air France teria congelado.

Já houve acidente com Airbus devido a problemas no leme. Em 2001, depois de perder o equipamento, aparentemente em razão de movimentos bruscos causados por turbulências, um A300 da American Airlines caiu sobre o bairro do Queens, em Nova York, matando 255 pessoas.

 

 

Estadão
Sábado, 6 de junho de 2009, 09:04h

Voo 447 tinha instrumentos desatualizados, diz investigação
Mas Paul-Louis Arslanian afirma que é preciso evitar conclusões precipitadas sobre a causa do desastre

PARIS - A agência que investiga a queda do voo 447 disse que a Air France não havia substituído os instrumentos que avaliam a velocidade do ar em torno do avião, uma medida que havia sido recomendada pelo fabricante.

O chefe da agência, Paul-Louis Arslanian, disse que alguns problemas já eram conhecidos nos instrumentos do Airbus 330, o modelo que desapareceu sobre o Atlântico.

Arslanian disse que a Airbus havia recomendado que as companhias aéreas trocassem os instrumentos do A330. O chefe da investigação disse que a Air France não havia trocado os instrumentos conhecidos como tubos Pitot do avião que caiu.

Arslanian advertiu, porém, contra conclusões precipitadas. Ele disse que aviões podem voar em segurança com "sistemas danificados". Um memorando da Air France, divulgado na sexta-feira, informa que os tubos Pitot estão sendo substituídos em todos os Airbuses de rotas de médio e longo alcance.

Mais cedo, Arslanian já havia dito que sinais emitidos pelo avião antes de seu desaparecimento mostram que o piloto automático estava desligado. O avião enviou 24 alertas automáticos de anomalias nos minutos antes de desaparecer.

Ele disse que não está claro se o piloto automático foi desativado pelos pilotos ou se desativou-se por ter recebido dados contraditórios referentes à velocidade do vento.

A Airbus, fabricante do avião, disse que a investigação mostrou que o voo havia recebido informações contraditórias de diferentes instrumentos, enquanto lutava para sair de uma grande tempestade elétrica.

O chefe da investigação na companhia, Alain Bouillard, disse ainda que "também vimos mensagens que mostram que o piloto automático não estava operando".

Arslanian disse que os investigadores estão analisando 24 mensagens enviadas automaticamente pelo avião durante os últimos minutos do voo. Ele disse que as buscas por destroços envolvem várias centenas de quilômetros quadrados.

Sinalizador

É vital encontrar um sinalizador chamado "pinger", que deveria estar preso aos gravadores de voz e dados do cockpit, e que agora, presume-se, estão no fundo do Atlântico, disse ele.

"Não temos garantias de que o pinger esteja ligado aos gravadores", disse Arslanian.

Mostrando um pinger na palma da mão, ele afirmou: "É isto que estamos procurando, no meio do Oceano Atlântico".

Os investigadores tentam determinar a localização dos destroços com base na altitude e velocidade do avião no momento em que a última mensagem foi enviada. Correntes podem ter dispersado os destroços pelo fundo do mar, disse ele.

"Vejam a complexidade do problema", declarou.

Laurent Kerleguer, um engenheiro especializado em fundo oceânico e que trabalha com a equipe de investigação, disse que a área vista como a mais promissora tem 4,6 mil quilômetros de profundidade em seu ponto mais profundo e 864 metros no mais raso.

A temperatura e a salinidade da água podem afetar a distância que o sinal do pinger é capaz de viajar, disse ele.

 

 

Estadão
Sábado, 6 de junho de 2009, 07:04h

Airbus emitiu 24 mensagens de erros em 4 minutos
Investigadores da França afirmam que 14 foram transmitidas em apenas um minuto.

De Paris para a BBC Brasil - Representantes do Centro de Investigações e Análises de Acidentes Aéreos da França (BEA, na sigla em francês) afirmaram neste sábado que o Airbus da companhia aérea Air France que fazia o voo 447 emitiu 24 mensagens automáticas de erros nos sistemas em quatro minutos. Destas, 14 foram transmitidas no primeiro minuto, entre 23h10m e 23h11m, de Brasília.

Uma das mensagens teria acusado a perda do piloto automático, que poderia ter sido desligado pelos pilotos ou automaticamente por perda de velocidade.

"Pode ter sido uma parada voluntária ou uma pane real. O sistema não detecta se depois isso voltou ao normal", Paul-Louis Arslanian, diretor do BEA, em uma entrevista coletiva nos arredores de Paris.

Os especialistas franceses chegaram à conclusão de que tampouco se pode dizer que as condições meteorológicas eram "excepcionais" na região, embora ressaltem que essa análise não leva em conta a composição interna das nuvens, já que só podem ser feitas a partir de imagens de satélites.

As autoridades da França também fizeram questão de destacar que ainda não têm informações suficientes para determinar com precisão o que aconteceu com o Airbus, já que isso só deve ser possível com a análise das caixas-pretas.

Os investigadores correm contra o tempo para localizá-las no oceano. De acordo com Arslanian, assim que uma zona de busca mais restrita puder ser definida, navios vão vasculhá-la com microfones de profundidade.

No entanto, o especialista fez questão de demonstrar a dificuldade de encontrar os equipamentos, que têm o tamanho de uma pilha grande.

Na sexta-feira, o ministro da Defesa da França, Herve Morin, afirmou que um submarino também foi enviado à região das buscas para ajudar a localizar as caixas pretas com um sofisticado sistema de sonar.

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

 

 

O Estado de São Paulo
06/06/2009

Air France manda substituir sensor e cresce hipótese de falha técnica
Andrei Netto

Cresceu a hipótese de que uma falha técnica no Airbus A330-200 tenha sido determinante para a queda do voo 447, com 228 pessoas a bordo (59 brasileiros), no domingo. Em comunicado enviado aos pilotos, a Air France informou que está substituindo sensores de velocidade dos aviões que realizam voos de médio e longo cursos, a exemplo da ligação Rio-Paris. A nota foi divulgada um dia depois de a companhia Airbus e de o Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA) confirmarem que uma "incoerência da velocidade aferida" foi verificada quando do desastre no Atlântico.

A revelação da substituição das peças foi feita pela agência Associated Press (AP). Segundo o memorando, a substituição dos "pitots" - que são três independentes, no caso do A330 - seria encerrada "nas próximas semanas". Esses tubos medem o deslocamento do ar, instruindo a velocidade da aeronave. Consultada pelo Estado, a Air France se recusou a fornecer detalhes, sob a alegação de que a companhia "não comenta informações internas". O porta-voz, contudo, reconheceu de forma indireta a existência do comunicado. "Trata-se de um documento interno destinado aos pilotos."

Mas, em 2002, um relatório da Autoridade de Segurança na Aviação Civil da Austrália já recomendava a troca dos pitots nas aeronaves da família A330. O documento, assinado pelo delegado de segurança de voo Barry James Reid McKay, alegava que os pitots precisam atingir qualificações maiores de segurança. "A direção de aviação civil francesa já havia alertado que pilotos têm reportado perda ou mudanças na velocidade quando estão voando em condições meteorológicas extremas", escreve o especialista australiano. "Uma investigação mostrou a presença de cristais de gelo e/ou água além dos limites da especificação do pitot. O tubo 0851GR do pitot é considerada a causa mais provável das discrepâncias nas velocidades de voo."

A troca dos equipamentos levanta mais dúvidas sobre a hipótese de que uma pane eletrônica esteja nas origens do acidente. Na quinta-feira, o jornal Le Monde revelou que as investigações do BEA haviam identificado um "erro de velocidade" do aparelho no momento do acidente. Horas depois, o escritório emitiu um comunicado confirmando essa versão. De sua parte, a Airbus admitiu ter enviado às companhias aéreas que têm aviões da marca um Telex de Informação sobre o Acidente (Accident Information Telex, AIT) orientando os pilotos - de todos os modelos, e não apenas o A330 - a manterem a velocidade e a estabilidade durante tempestades. "Enviamos a AIT às companhias e tivemos o aval do BEA para fazê-lo", reconheceu a porta-voz da Airbus, Claudia Müller.

 

 

O Estado de São Paulo
06/06/2009

Condições climáticas afetaram sistemas
Dados ainda são insuficientes para avaliar como a tripulação agiu
BRUNO TAVARES, EDUARDO REINA, MARCELO GODOY, RENATO MACHADO E RODRIGO BRANCATELLI

A lista de mensagens automáticas emitidas pelo Airbus A330 minutos antes de desaparecer no Oceano Atlântico e os comunicados técnicos divulgados pela Airbus e pela companhia aérea permitem aos investigadores traçar a mais provável hipótese para explicar a dinâmica do acidente. Ela envolve uma eventual pane nos pitots, os sensores externos responsáveis por registrar a velocidade aerodinâmica do avião e transmiti-la aos computadores. Uma violenta variação de pressão, comum em zonas de forte turbulência, ou o congelamento de um dos três pitots podem fazer com que os sistemas informatizados do jato "enlouqueçam", induzindo os pilotos a tomarem atitudes equivocadas.

Segundo órgãos de segurança de voo europeus e americanos, essa falha já foi citada em diversos acidentes aéreos. Os pitots contam com sistema antigelo, mas o granizo e até mesmo um enxame de vespas pode danificá-los. Em 1996, a queda de um Boeing 757 que havia decolado da República Dominicana foi explicada pelas vespas que se alojaram no pitot - o erro na informação sobre a velocidade levou a tripulação a tomar atitudes erradas. Já o congelamento dos sensores é o que teria provocado a queda de um DC-9 da Austral, no Uruguai, que matou 74 pessoas. A leitura da caixa-preta da aeronave mostrou disparidades nas leituras de velocidade, o que levou o piloto a pensar que estava voando em uma velocidade muito baixa. Quando acelerou, o avião perdeu sustentação e se destruiu no ar.

No caso do voo da Air France, a lista de 24 mensagens com alertas anormais começou a ser transmitida às 23h10 daquele domingo, conforme revelou anteontem a Télévision France2. As seis mensagens indicavam desligamento do acelerador e do piloto automáticos, falha do controle eletrônico (fly-by-wire), no funcionamento do leme e no dispositivo anticolisão. Na avaliação de investigadores ouvidos pelo Estado, os dados mais relevantes até aqui se referem ao desligamento do piloto automático e do acelerador das turbinas. A ação pode ter sido automática, por uma divergência de cálculos entre os computadores, ou uma decisão dos próprios pilotos.

Dois minutos depois, mais três mensagens, todas relacionadas a panes de computadores importantes do avião, como os Adirus (unidade que informa nas telas da cabine dados como altura e velocidades vertical, no ar e proa). Os pitots são os principais provedores de dados para os Adirus.

Embora haja procedimentos para reverter o congelamento, especialistas dizem ser difícil fazer isso rapidamente, o que leva a tripulação a voar sem orientação ou seguir dados errados. "Acho improvável que seja só o congelamento do pitot no caso do Airbus. Provavelmente foi uma combinação de situações, sendo que isso teve um grande peso", diz o comandante aposentado da Varig Luiz Bassani. "Os 4 minutos entre o primeiro e o último sinal são pouco tempo para congelar todos os pitot e provocar a queda do avião."

Ao funcionar com dados equivocados, os computadores do avião trabalham para compensar os problemas. Uma das hipóteses é de que, nesse momento, o A330 tenha ganhado ou perdido velocidade rapidamente, o que provocaria queda por falta de sustentação. Sem uma providência eficaz dos pilotos - difícil dentro de uma turbulência -, a aeronave pode, em questão de segundos, atingir velocidades transônicas (estágio intermediário entre a velocidade para a qual o jato foi projetado e a velocidade supersônica).

Os últimos dois alertas são um indício de que o Airbus já estaria descontrolado. Às 23h13, os computadores SEC1 e PRIM1, tidos como os "cérebros" do A330, acusaram falhas. Na sequência, surgiu o aviso de perda de pressão na cabine. O dado pode ser interpretado de duas formas: despressurização ou queda vertical.

 

 

Mercado e Eventos
06/06/2009

Flex leva médicos para conhecerem fábrica da Nestlé

A Flex Linhas Aéreas (antiga Varig) faz amanhã (06/06), mais um de seus voos de fretamento, agora, em parceria com a Agaxtur Turismo. O Boeing 737 da companhia levará médicos pediatras para conhecer a fábrica de fórmulas infantis da Nestlé em Araçatuba, interior de São Paulo.

Os convidados da Nestle embarcarão amanhã no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, visitarão a fábrica da empresa, e retornarão no mesmo dia.

Voando desde abril do ano passado, a Flex dedica a maior parte de suas operações ao contrato de ACMI (Aircraft, Crew, Maintenance, Insurance) assinado com a Gol Linhas Aéreas cumprindo os voos 1980 (Rio/Fortaleza) e 1981 (Fortaleza/Rio), de domingo a sexta-feira. Aos sábados, a Flex disponibiliza aeronave e tripulações para voos de fretamento.

 

 

O Dia
06/06/2009

França: Airbus emitiu 24 sinais de problemas antes de sumir

Paris (França) - Representantes do Centro de Investigações e Análises de Acidentes Aéreos da França (BEA, na sigla em francês) afirmaram neste sábado que o Airbus da companhia aérea Air France que fazia o vôo 447 emitiu 24 mensagens automáticas de erros nos sistemas em 4 minutos. As informações são da BBC Brasil. Destas, 14 foram transmitidas no primeiro minuto, entre 23h10m e 23h11m, de Brasília.

Uma das mensagens teria acusado a perda do piloto automático, que poderia ter sido desligado pelos pilotos ou automaticamente, por perda de velocidade.

"Pode ter sido uma parada voluntária ou uma pane real. O sistema não detecta se depois isso voltou ao normal", disse Paul-Louis Arslanian, diretor do BEA, em uma entrevista coletiva nos arredores de Paris.

Os especialistas franceses chegaram à conclusão de que tampouco se pode dizer que as condições meteorológicas eram "excepcionais" na região, embora ressaltem que essa análise não leva em conta a composição interna das nuvens, já que só podem ser feitas a partir de imagens de satélites.

As autoridades da França também fizeram questão de destacar que ainda não têm informações suficientes para determinar com precisão o que aconteceu com o Airbus, já que isso só deve ser possível após a análise das caixas-pretas.

Os investigadores correm contra o tempo para localizá-las no oceano. De acordo com Arslanian, assim que uma zona de busca mais restrita puder ser definida, navios vão vasculhá-la com microfones de profundidade. No entanto, o especialista fez questão de demonstrar a dificuldade de encontrar os equipamentos, que têm o tamanho de uma pilha grande.

Na sexta-feira, o ministro da Defesa da França, Herve Morin, afirmou que um submarino também foi enviado à região das buscas para ajudar a localizar as caixas pretas com um sofisticado sistema de sonar.

Página Principal