Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quarta-Feira, 13 de Dezembro de 2017
05/04/2009
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O Estado de São Paulo
05/04/2009

Última chamada, aeroporto do futuro
Brasil está entre os países que testam medidas para acabar com filas, facilitar embarque e acelerar viagens
Alberto Komatsu

Viagens de avião sem burocracia nem filas de check-in, pois os códigos das passagens estarão armazenados no celular. Agilidade para acessar a área de embarque, com leitores de impressões digitais e facilitação na chegada a países estrangeiros, pois as autoridades já terão os dados do passageiro no momento em que ele comprou o bilhete aéreo pela internet.

Essas são algumas das medidas imaginadas para o "aeroporto do futuro" e que estão em fase de testes em países como Alemanha e Holanda. Algumas serão testadas neste ano no Brasil, revela o representante da Associação Internacional do Transporte Aéreo (da sigla em inglês Iata), Filipe Reis.

"O objetivo do projeto, com o uso da tecnologia, é acelerar o processo da viagem, torná-la mais agradável, menos estressante ao passageiro e permitir que as autoridades tenham mais e melhores informações sobre as pessoas que entram e saem do país", afirma Reis, estimando que daqui a dez anos essas medidas estarão em vigor. Segundo ele, a Iata já estuda há vários anos mecanismos para facilitar as viagens, só que essa ideia ganhou mais importância após os atentados de 11 de setembro de 2001, que tornaram os voos mais complicados por causa dos controles de segurança.

A Iata formou um grupo integrado pelas companhias aéreas, autoridades aeroportuárias, polícias e receitas federais, provedores de tecnologia, aduanas e agências regulatórias de 30 países para pensar, desenvolver e implementar esse projeto. Ele foi batizado de SPT (da expressão em inglês Simplifying Passenger Travel, ou simplificando a viagem do passageiro). Esse grupo se reúne duas vezes por ano, afirma Reis. Os integrantes do grupo avaliam que o projeto pode ajudar a minimizar as deficiências de infraestrutura aeroportuária no Brasil.

Reis afirma que TAM e Gol já estão dando os primeiros passos para se adaptarem ao "aeroporto do futuro". A TAM oferece quiosques de autoatendimento que emitem o bilhete eletrônico. Segundo Reis, em Congonhas, quase a metade dos check-ins da TAM é feita por meio desse equipamento. A Gol oferece para passageiros que embarcam em Santos Dumont, Congonhas, Guarulhos, Tom Jobim, Confins e Brasília a alternativa de receber o código da passagem por mensagem no celular. O bilhete é emitido no balcão de check-in.

A Iata elaborou uma animação em computação gráfica para mostrar como será a viagem aérea no futuro. Nela, uma passageira inicia o processo fazendo reserva de passagem internacional pela internet. As autoridades de imigração e polícia federal dos dois países envolvidos recebem os dados para verificação, desde o número de passaporte (que terá um chip, medida que deve ser testada pela Polícia Federal do Brasil neste ano) até antecedentes criminais.

No dia da viagem, a passageira faz o check-in pela internet e as autoridades policiais e de imigração dos países de origem e destino realizam nova checagem. Caso uma das partes diga que há alguma irregularidade, o bilhete pode não ser emitido. Se ambas as autoridades permitirem, o código do cartão de embarque é enviado ao celular.

No aeroporto, a passageira virtual se dirige ao quiosque de autoatendimento, que lerá o código do cartão de embarque da tela do celular. Esse equipamento também lerá o chip do passaporte e o polegar (leitor de íris e reconhecimento facial são outras possibilidades em estudo) para identificar a pessoa. Esse mesmo quiosque vai emitir o tíquete da bagagem e pesá-la. O próximo passo será se encaminhar a uma área comum de entrega das malas que serão rastreadas via radiofrequência para evitar extravio. Depois disso, a passageira vai para a área de embarque, onde máquinas lerão o código do cartão de embarque armazenado no celular.

 

 

O Estado de São Paulo
05/04/2009

Gol encolhe no mercado financeiro
Empresa, que surgiu com proposta inovadora e chegou a valer o dobro da TAM, vale hoje dois terços da rival
Alberto Komatsu

As duas maiores empresas aéreas brasileiras tiveram em 2008 um desempenho nunca visto - juntas, somaram um prejuízo de R$ 2,74 bilhões (R$ 1,38 bilhão da Gol e R$ 1,36 bilhão da TAM). As duas sofreram com o impacto da desvalorização cambial sobre os ativos e sobre as dívidas em dólar. E a TAM ainda teve de contabilizar perdas com operações de hedge para combustível. Mas, apesar de aparentemente quase idênticos no prejuízo, os balanços trazem uma diferença fundamental. Na operação propriamente dita, a TAM teve lucro de R$ 688 milhões, enquanto a Gol registrou um prejuízo de R$ 88,6 milhões.

Para o mercado, esses números ilustram um cenário que mudou muito nos últimos quatro anos. Desde 2005, a Gol passou da euforia de ser a sensação do setor aéreo e do mercado de capitais, com o seu inovador conceito de custos e tarifas baixas no País, para a frustração de valer um décimo do seu valor de mercado. Se naquela época a Gol era avaliada em R$ 13 bilhões, o dobro dos R$ 6,4 bilhões da TAM, o preço em bolsa da Gol desabou para algo em torno de R$ 1,4 bilhão, ou dois terços do valor atual da TAM, de cerca de R$ 2,1 bilhões.

Segundo analistas de mercado e consultores, o recuo no valor de mercado da Gol, conforme levantamento da consultoria Economática feito a pedido do Estado, teve forte contribuição da aquisição da Varig, em março de 2007, por US$ 320 milhões. Até outubro de 2008, essa negociação já havia custado à Gol R$ 1,2 bilhão, incluindo-se aí o valor da aquisição e prejuízos. A própria Gol reconhece que a compra da Varig teve influência para as suas perdas.

"A Gol perdeu o encanto de ser nova, ousada e criativa. Isso não acontece da noite para o dia, mas é natural que ocorra se não tomar cuidados extremos", avalia o presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo (Cepta), Respício Espírito Santo Jr.

Na opinião do consultor aeronáutico Paulo Bittencourt Sampaio, a compra da Varig foi a principal falta de cuidado da Gol. "A Gol mudou completamente o foco. De janeiro de 2001 a março de 2007, a Gol não cometeu um único erro. Mas a partir da compra da Varig, em março de 2007, tudo começou a dar errado", diz.

Pelos cálculos do consultor, a projeção de crescimento da demanda da Gol realizado no final de 2006 previa que a companhia ultrapassaria a TAM no mercado doméstico no final de 2007. Em fevereiro, a diferença de participação de mercado das duas companhias era de 9,62 pontos porcentuais, sendo que essa diferença chegou a 0,68 ponto porcentual em abril de 2008. "Com a compra da Varig, a Gol começou a se concentrar no mercado internacional, trouxe aviões inadequados e apresentou um serviço que irritou os passageiros."

O especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini, também avalia que a aquisição da Varig desviou o foco da Gol. "Com a compra da Varig e o crescimento da Gol, ela saiu do seu modelo original, que era custos baixos e simplicidade", diz.

SEM ARREPENDIMENTO

O vice-presidente de marketing e Serviços da Gol, Tarcísio Gargioni, nega, porém, que a empresa tenha abandonado seu desenho inicial e afirma que a Gol não se arrepende de ter comprado a Varig. "Em 2007 e 2008 nós investimos na compra de uma nova empresa. Nesse período, essa nova empresa contribuiu para resultados negativos. No longo prazo vamos ter resultados", diz o executivo.

Segundo Gargioni, o segundo semestre do ano passado apresentou um bom sinal, já que os resultados operacionais da Gol foram positivos, o que pode representar o "começo de uma inversão de curva". Ele lembra que o prejuízo de 2008 também teve a contribuição do desempenho operacional fortemente negativo do primeiro semestre.

"A Varig continua sendo uma boa aquisição. A Gol, do ponto de vista operacional, está muito mais forte. Ela comprou a Varig por causa de Congonhas (por conta dos intervalos de pouso e decolagem no aeroporto) e do programa de fidelidade Smiles. Esses dois ativos ninguém deu valor ainda", avalia o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Gol, Leonardo Pereira.

Apesar desse otimismo, o próprio presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior, disse recentemente que 2009 será um ano difícil para a companhia. Durante participação no Fórum Panrotas - Tendências do Turismo 2009, realizado no mês passado, o executivo disse que seria complicado para o setor fechar as contas este ano. Segundo ele, a tendência das empresas é fazer promoções para atrair clientes, o que deve se refletir no balanço.


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