Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Domingo, 22 de Outubro de 2017

04/12/2009

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Valor Econômico
04/12/2009

Flex negocia prazos e volta a voar para a Gol
Alberto Komatsu, de São Paulo

A antiga Varig (Flex) voltou a voar, depois de estar ameaçada de encerrar definitivamente sua operação. Com uma dívida de pelo menos R$ 15 milhões, pagamentos de leasing e seguro atrasados, a companhia conseguiu negociar mais prazos com a seguradora e com a arrendadora de seu único avião. Desde o dia 27, está operando dois voos fretados por dia, exceto aos sábados, para a Gol, que controla a Varig.

"Conseguimos levantar o moral dos funcionários com a volta dos voos", afirma o diretor técnico da Flex, Carlos Berardinelli, acrescentando que conseguiu pagar os salários de novembro, que estavam atrasados. Ele assumiu o comando da companhia após a renúncia do gestor judicial Aurélio Penelas em 10 de novembro.

O único avião da Flex, um Boeing 737-300 herdado da Varig, está voando entre o Rio, Fortaleza e Vitória. A aeronave estava sob ameaça de arresto, já que a empresa não paga há quatro meses o leasing, cujo valor total é de US$ 900 mil. A Flex também deve a segunda parcela do seguro, de US$ 150 mil, que venceu no início de novembro, mas conseguiu estender o pagamento até o dia 12.

 

 

Valor Econômico
04/12/2009

American faz oferta de US$ 1,1 bi à JAL
Mariko Sanchanta, The Wall Street Journal, de Tóquio

A batalha para a compra de uma participação na Japan Airlines Corp. se acirrou ontem, quando a American Airlines, que pertence à AMR Corp., informou que está preparada para investir US$ 1,1 bilhão na combalida aérea japonesa juntamente com a firma de private equity TPG, superando uma oferta anterior da rival Delta Air Lines Inc.

A American e a Delta estão lutando abertamente pela chance sem precedentes de investir na JAL, a maior companhia aérea da Ásia em faturamento, e antes um valorizado ativo nacional do Japão. Em um país onde as negociações se realizam tradicionalmente a portas fechadas, as acusações mútuas feitas em público deixaram os japoneses fascinados, e por vezes intrigados.

Ontem as duas aéreas americanas prosseguiram no duelo em suas entrevistas coletivas, ambas carregadas de críticas sobre os planos e a capacidade da rival.

Essa abordagem nada japonesa por parte tanto da American quanto da Delta demonstra a determinação de ambas de aliar-se à JAL, agora que decidiram se expandir na Ásia - o mercado de aviação que mais cresce no mundo. Além disso, o Japão e os Estados Unidos estão perto de chegar a um acordo de "céus abertos", que iria liberalizar de maneira significativa o tráfego aéreo entre os dois países. Autoridades vão se reunir na semana que vem em Washington para concluir a última rodada de conversas do ano, na esperança de que se possa chegar a um acordo.

A Delta e seus parceiros da aliança SkyTeam estão oferecendo um pacote de investimentos de US$ 1,02 bilhão para tentar conquistar a JAL, enquanto a American superou a rival, informando que faria um investimento de capital de US$ 1,1 bilhão, juntamente com a TPG e os membros da sua aliança Oneworld. A American chegou até a recrutar os serviços e de Norman Mineta, ex-secretário dos Transportes dos EUA, que disse ontem: "Creio que uma aliança JAL-Delta prejudicaria a concorrência em todos os níveis."

O diretor-presidente da Delta, Ed Bastian, respondeu: "O governo (japonês) está buscando uma solução japonesa, ou com alguma empresa aérea, não uma aquisição por terceiros". Ontem a JAL declarou que está em conversas com ambas as aéreas americanas, mas seus representantes não quiseram comentar mais.

Apesar de todo o barulho da Delta e da American, uma solução definitiva para a reestruturação da JAL ainda vai demorar meses. A Enterprise Turnaround Initiative Corp., entidade patrocinada pelo governo japonês que tem acesso a até 1,6 trilhão de ienes (US$ 18,31 bilhões) em fundos garantidos pelo Estado, decidirá até o fim de janeiro se deseja comandar a reestruturação da JAL.

O ponto principal dessa decisão é saber se a JAL conseguirá reduzir progressivamente seus pagamentos de aposentadoria, que totalizam cerca de 330 bilhões de ienes. Haruka Nishimatsu, o combalido diretor-presidente da JAL, deve embarcar em uma viagem pelo Japão na próxima semana, parando em diversos locais para pedir aos aposentados que aceitem um corte de 30% em seus benefícios. Se esses esforços não tiverem sucesso, o governo está propondo uma lei que permitiria à JAL reduzir suas obrigações previdenciárias.

O estado de espírito na sede da JAL em Tóquio é soturno: as luzes foram diminuídas para economizar custos, e o 14o. andar, antes vibrante, com salas de reunião movimentadas, está silencioso e vazio. Este ano a JAL cancelou sua famosa festa de Ano Novo para a imprensa, e os funcionários foram solicitados a reduzir as despesas com jantares, bebidas e outras. Setenta membros da diretoria da JAL estão abdicando de seu salário de dezembro.

A JAL, antes uma orgulhosa companhia aérea de bandeira que servia de ponte entre o Japão e o resto do mundo, sofreu na terça-feira a ignomínia de ter sua classificação de crédito cortada pela Standard & Poor's para o nível de inadimplência. A empresa quer negociar com os credores para obter mais prazo para pagar suas dívidas, enquanto pede um empréstimo-ponte de 125 bilhões de ienes do Banco de Desenvolvimento do Japão, de propriedade estatal, e outras instituições. A aérea sofre sob o peso de mais de 1 trilhão de ienes em dívidas líquidas e obrigações previdenciárias, e recentemente registrou prejuízo pelo quarto trimestre seguido.

Ainda que a tormenta múltipla da recessão mundial e da queda na demanda das viagens de executivos tenham exacerbado os problemas da JAL, há muito ela vem sendo prejudicada por uma estrutura ineficiente, resultado da aquisição da aérea doméstica Japan Air Systems, em 2001.

Contudo, a posição de liderança da JAL na Ásia faz dela um alvo apetitoso, tanto para a Delta quanto para a American, que agora procuram expandir seus serviços na região. Mas a reestruturação da JAL pode acabar se revelando uma tarefa inglória. "A Delta e a American podem se ver donas de algo que pode ser muito caro para reestruturar", diz Peter Harbison, presidente do núcleo de estudos Centro para a Aviação na Ásia-Pacífico.

 

 

O Globo
04/12/2009



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