Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quinta-Feira, 27 de Julho de 2017

04/04/2010

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Folha de São Paulo
04/04/2010

General de Angola é sócio de empresa aérea brasileira
Ex-ministro de obras do país africano, Higino Carneiro se une a ex-empresário de livro infantil para viabilizar a Puma Air
Após adquirir 20% do capital do grupo do Pará, Carneiro planeja transformá-lo em companhia internacional e voar para Angola até junho

MARIANA BARBOSA
MARCIO AITH
DA REPORTAGEM LOCAL

Por anos o presidente Lula desejou ver uma companhia aérea nacional voando para o continente africano. O problema era a falta de interesse das grandes empresas brasileiras, como TAM, Gol e OceanAir.

O sonho do presidente agora ganha asas, graças ao general Higino Carneiro, um dos homens mais ricos de Angola. Apelidado em seu país de Bulldozer ("trator"), Carneiro era, até o início do ano, ministro de Obras Públicas.

Após adquirir uma fatia de uma empresa regional paraense, a Puma Air, Carneiro prepara-se para transformá-la em uma companhia aérea internacional -a empresa pretende até junho voar para Angola.

A façanha veio da união entre uma das várias empresas de Carneiro, a Angola Air Services, e o empresário brasileiro Gleison Gambogi de Souza -até 2005, dono de um negócio de franquia de livros infantis.

Formalmente, Gambogi detém 80% da empresa. A participação da AAS, de Carneiro, ficou limitada a 20%, o teto legal para a participação de estrangeiros no setor.

Gambogi conta que conheceu Carneiro em Angola, onde viveu os últimos cinco anos. O empresário foi para o país africano pela primeira vez em 2004 "prestar consultoria" para a empreiteira Metro Europa. Virou sócio e vice-presidente da empreiteira. Foi quando estreitou laços com Carneiro.

"Chegamos a ter uma carteira de US$ 1 bilhão em obras em Angola", disse Gambogi. "Fiz minha vida empresarial em Angola e, para o Brasil, estou nascendo agora. Mas vocês vão ouvir falar muito de mim."

Para ganhar tempo, a Puma decidiu por não montar uma estrutura operacional, mas alugar da Gol/VRG um Boeing- 767, com tripulação e tudo, numa modalidade de aluguel conhecida como "wetlease".

Confiantes de que terão todas as autorizações concedidas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), os sócios da Puma já providenciaram a pintura do avião, que se encontra no hangar de manutenção da Gol em Belo Horizonte.

Como as regras brasileiras não permitem que uma empresa se aventure no espaço aéreo internacional sem que tenha experiência no mercado doméstico, a Puma foi obrigada a montar primeiro uma operação doméstica e passar pelo processo de certificação para realizar voos regulares com aviões de grande porte.

Como já tinha base no Pará, a Puma escolheu a rota Guarulhos-Macapá-Belém. O voo também será feito com um avião da Gol, um Boeing-737.

Por conta do risco envolvido no negócio, os contratos firmados entre a Gol e a Puma, segundo a Folha apurou, preveem pagamento antecipado.

A Puma nasceu com capital social de R$ 5 milhões. Gambogi diz ter investido R$ 25 milhões, sendo 20% de Angola e o restante "do próprio bolso."

Dentro dos pleitos feitos pela Puma ao governo brasileiro está a dispensa de apresentar um atestado de segurança operacional chamado Iosa, concedido pela Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo).

"Como a operação será feita pela Gol/VRG, entendemos que podemos voar com o Iosa da VRG. A Iata já deu o aval dela; cabe à Anac dizer sim ou não", disse Gambogi.

A Anac confirma que recebeu a solicitação da Puma para voar com o Iosa da VRG, mas informa que só vai começar a analisar o caso depois que a Puma obtiver a autorização e iniciar a operação no mercado doméstico. O Iosa é o mais abrangente compêndio de segurança aérea do mundo.

 

 

Folha de São Paulo
04/04/2010

Sócio angolano é citado na CPI dos Bingos
DA REPORTAGEM LOCAL

Um dos dez empresários mais ricos de Angola, Higino Carneiro construiu seu império empresarial enquanto exercia as funções de ministro de Obras Públicas, cargo que ocupou até o início do ano.

À frente do ministério, Carneiro tocou pessoalmente o enorme canteiro de obras no qual se transformou Angola após o fim da guerra civil, em 2002. Simultaneamente, construiu um império empresarial. Além da Angola Air Services, Carneiro é dono de hotéis, bancos, seguradoras e fazendas.

A atuação de Carneiro sempre foi objeto de críticas e denúncias, dentro e fora de Angola. No Brasil, seu nome aparece na CPI dos Bingos, instalada em 2005 para investigar o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, flagrado em vídeo negociando propina com um empresário do ramo de jogos.

Grampos telefônicos mostraram empresários e ex-assessores próximos ao ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci intermediando a venda de um banco brasileiro, sediado no Rio, para o Banco Regional do Keve, pertencente a Carneiro.

A intermediação foi feita por Roberto Colnaghi, o empresário que emprestou o avião Sêneca para transportar Palocci e caixas de uísque com supostos dólares que financiaram campanhas eleitorais do PT.

Em depoimento à comissão, Colnaghi disse ser "amigo do pessoal do Banco do Keve" e que usou a instituição financeira de Carneiro apenas para viabilizar operações comerciais.

Outro empresário brasileiro que se aproximou de Carneiro foi Roberto Carlos Kurzweil, também ligado a Palocci.
Kurzweil é dono do Omega preto blindado usado por Delúbio Soares para ir depor na Comissão de Ética do PT que o expulsou, em 2005.

A nova estrutura societária da Puma Air foi aprovada em janeiro pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que avaliou a regularidade jurídica e a nacionalidade dos sócios. "Foi comprovado que a empresa cumpre o requisito de 80% do capital controlador com brasileiros", afirmou a Anac.

Questionada se a análise leva em conta a origem do capital dos sócios, a Anac afirmou que isso está fora de sua competência. "A análise da Anac é focada na empresa e sua capacidade de realizar as operações, não na origem do capital dos sócios pessoas físicas." (MB e MA)

 

 

O Globo
04/04/2010

Aeroportos do país registram incidentes desconhecidos pelos passageiros,
como raposa na pista

Evandro Éboli BRASÍLIA - Os aeroportos têm uma rotina que não aparece em estatísticas ou em balanços de número de voos. Um relatório diário e detalhado de "ocorrências relevantes", elaborado pelo Núcleo de Acompanhamento e Gestão Operacional da Infraero, revela um cotidiano desconhecido pelos passageiros que passam todo dia pelos portões de embarque e desembarque. São brigas entre marido e mulher, uma delas no meio da pista e falta de funcionários nos aparelhos de raios X das salas de embarque. Além de problemas mais graves, como passageiros que passam mal no check-in e até chegam ao óbito, o pneu do avião que estoura no momento do pouso e colisões - muitas - com pássaros - e até o inusitado caso de uma raposa na pista.

No aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, em 17 de março, ocorreu o mais inusual caso entre os registrados pela Infraero recentemente. Indignado, e alegando que a mulher estaria fugindo com o filho, um homem invadiu a pista e atirou um capacete na aeronave, que seguia para Campinas em São Paulo. Detido pela Polícia Federal, o homem descobriu que a esposa havia embarcado num voo anterior.

A presença de pássaros nos arredores dos aeroportos não é novidade, apesar de ser um problema sério. E a ocorrência de incidentes e colisões com esses animais também já são de conhecimento público. Mas a colisão com uma raposa no momento do pouso é fato raro. A pista ficou interditada por meia hora até a retirada dos restos do animal da pista. O episódio também ocorreu em Vitória, no Espírito Santo.

Em todos os casos, a Infraero é acionada e adota as providências devidas. Mas nem sempre as soluções estão a seu alcance. Por causa de uma forte chuva, um avião ficou longo tempo parado em solo, no Aeroporto Viracopos, em Campinas, São Paulo. Os passageiros aguardaram dentro da aeronave, e houve tumulto. Agentes da Polícia Federal foram chamados para conter a confusão, e os passageiros acabaram indo de ônibus para São Paulo, destino final do voo.

Um tipo de ocorrência comum é a ausência de policiais federais na revista dos passageiros, na sala de embarque. No aeroporto de Porto Alegre, no dia 15 de março, 26 passageiros deixaram de ser inspecionados e acabaram sendo liberados via telefone pela autoridade responsável. Neste mesmo aeroporto, o problema se repetiu, e passageiros com marcapasso e cadeirantes esperaram por longo tempo. Acabaram sendo liberados sem passar pela inspeção.

A natureza dessas ocorrências é muito diversa. Uma manifestação de funcionários que prestam serviço terceirizado para uma empresa de aviação americana, em Guarulhos, invadiu a área do check-in e atrasou esse serviço durante uma hora. Além da equipe da Infraero, policiais militares foram chamados para ajudar a conter o protesto, que "terminou de maneira pacífica e sem causar maiores transtornos", conforme o relatório da Infraero.

Outro tipo de registro frequente é algum problema de saúde grave com passageiro, seja em pleno voo ou na fila de check-in. Em alguns casos, ocorreram óbitos. No dia 26 de março, em Brasília, um homem de 59 anos teve um mal súbito quando era atendido no balcão de vendas de passagem de uma empresa aérea. Ele foi atendido no aeroporto e encaminhado ao Hospital das Forças Armadas, onde morreu.

Esse é um drama que atinge também os turistas estrangeiros. Em 15 de março, uma aeronave que fazia um voo de Buenos Aires para Paris teve que fazer um pouso de emergência em Salvador. Havia uma passageira de 70 anos com suspeita de infarto. A equipe médica já estava à espera. A mulher, que estava desacompanhada, recuperou-se e reembarcou no mesmo voo, quatro horas depois, às 2h da madrugada.

Em Brasília, ocorreu um problema na operação do "ambulift", a plataforma de acesso de portadores de deficiência às aeronaves. Houve demora no desembarque de um dirigente da Associação dos Atletas Paraolímpicos, num voo que tinha chegado de Recife.

Num voo de Guarulhos para Londrina (PR), em 13 de março, uma comissária sofreu ferimentos na cabeça após forte turbulência e precisou ser atendida num hospital da cidade. No Aeroporto do Galeão, uma menina de 6 anos prendeu o braço numa pilastra, no momento que utilizava a escada rolante. Teve uma fratura no pulso direito.

Há descrição de problemas de manutenção em aeronaves, o que provoca alguns incidentes. São problemas no freio, na parte elétrica, falhas de comunicação e defeitos no trem de pouso. No dia 15 de março, uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) teve o pneu dianteiro estourado ao pousar no aeroporto de Boa Vista, em Roraima. A pista foi interditada por alguns minutos. Ocorrem também problemas no tráfego de aeronaves nas pistas. Às vezes, por falta de tratores disponíveis para realizar a operação de remoção.

 

 

Diário Catarinense
04/04/2010

Último ano de piruetas no ar
Piloto da Esquadrilha da Fumaça que morreu em Lages viraria instrutor

O capitão Anderson Amaro Fernandes, 33 anos, tinha uma carreira de sucesso. Estava na elite da profissão escolhida, piloto de acrobacias. Casado havia cinco anos e pai de uma menina de quatro anos, vivia a última temporada na Esquadrilha da Fumaça. Planejava deixar o grupo e se dedicar apenas à instrução de voo.

Tudo acabou em uma imensa bola de fogo, na tarde de sexta-feira, em Lages, quando Anderson executava uma manobra conhecida como parafuso.

Desde que começou a carreira na Aeronáutica, 14 anos atrás, foram 3.650 horas voando. O capitão era um dos mais experientes da Esquadrilha da Fumaça, fundada nos anos 1950.

Fez quatro cursos e participou de 180 apresentações na carreira.

Anderson nasceu em Fortaleza (CE) e estava morando em Pirassununga, no interior de São Paulo, onde fica a sede de Esquadrilha da Fumaça. Os pais dele vivem em Umirim, no interior cearense. Na sexta-feira, ao saber da morte do marido, a mulher do capitão disse que vai voltar a viver no Ceará.

Causas do acidente devem ser divulgadas em 30 dias

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) vai apurar o que aconteceu na apresentação em Lages. O resultado deve ser divulgado dentro de 30 dias. O modelo de aeronave usado pela Esquadrilha da Fumaça, um Tucano, não tem caixa preta.

O responsável pelo trabalho será um oficial investigador. Ele vai conversar com os outros seis pilotos que participavam da apresentação para saber se o capitão comunicou algum problema mecânico pelo rádio. O investigador também vai analisar os destroços do avião em busca de pistas. Algumas partes do Tucano serão transportadas para um dos oito laboratórios do Cenipa no Brasil – não havia definição até sexta-feira à noite.

A apresentação era parte das comemorações dos 68 anos do Aeroclube de Lages.

O presidente do aeroclube, Ibanor Peruzzo, disse que as manobras executadas pela Esquadrilha são de alto risco e qualquer falha humana ou mecânica pode causar uma tragédia. Ele lamentou a morte do piloto e classificou o acidente como fatalidade.

– O que aconteceu não afeta a imagem da Esquadrilha – disse.

Peruzzo adiantou que no próximo aniversário deseja a presença dos pilotos, mais uma vez.

 

 

Diário Catarinense
04/04/2010

MANOBRA FATAL
Em 1997, choque matou 13 pessoas

No dia 18 de maio de 1997, milhares de pessoas se reuniram no Aeroporto de Lages para a festa dos 55 anos do aeroclube da cidade. Houve apresentação da Esquadrilha da Fumaça e depois foram oferecidos voos panorâmicos gratuitos.

A festa acabou quando dois aviões se chocaram no ar, causando a morte de 13 pessoas.

Um monomotor da empresa Celucat decolava com dois paraquedistas, o piloto e a mulher dele por volta das 17h. A aeronave estava a cerca de 200 metros de altitude e mil metros da pista quando foi atingida na parte de baixo por um bimotor transportando oito pessoas que fazia um rasante sobre um dos hangares do aeroclube.

Todos morreram.

A última vítima foi Janete Souza Couto, que via a apresentação do quintal de casa. A mulher sofreu um ataque cardíaco quando partes de um corpo caíram sobre ela.

Pedaços dos dois aviões e dos corpos ficaram espalhados pelos terrenos baldios do Bairro Tributo, área rural que cerca o aeroporto de Lages.

A falta de um controle de voos facilitou o choque entre as aeronaves, segundo disseram as autoridades naquele ano. Na época, havia somente uma frequência de rádio usada para comunicação com os pilotos durante pousos e decolagens.

O fato de os voos panorâmicos serem gratuitos e de não haver lista de passageiros dificultou a identificação das vítimas.

 

 

Site R7
04/04/2010

Falta de pilotos pode travar setor aéreo em dois anos
Número de formandos não acompanha o crescimento estimado para aviação brasileira

Há tempos o país enfrenta dificuldades para recrutar pilotos de aviões comerciais, devido ao número reduzido de pessoas que se profissionalizam para exercer esta tarefa. Com o crescimento projetado para o turismo do Brasil, que está às vésperas de sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, o setor aéreo tende a entrar em colapso em, no máximo, três anos.

Entre 2007 e 2009, a média de licenciamento de novos pilotos comerciais de linhas aéreas foi de 373 profissionais por ano. Esse número é suficiente para atender apenas 62 novas aeronaves, de acordo com especialistas ouvidos pelo R7. TAM, Gol e Azul, juntas, absorveriam pelo menos 70% desse total, considerando o número de aviões que elas compram a cada ano.

Isso porque é preciso ter 12 pilotos por avião em uso no país, para que se formem seis duplas por aeronave, entre piloto e copiloto. Esse arranjo é necessário porque ambas as categorias profissionais têm limites de horas para voar.

Nesse cenário, sobraria menos de um terço dos formandos para atender todo o restante do mercado, que inclui as outras empresas que precisam repor seus quadros devido à aposentadoria de seus pilotos, companhias aéreas internacionais e novatas como Webjet e OceanAir.

O número é considerado “irrisório” pelo diretor de relações institucionais da Azul, Adalberto Febeliano.

- Vai faltar piloto daqui a dois ou três anos. Não tem piloto para mais ninguém.

Custo caro afasta interessados

Um dos principais empecilhos para quem quer ser piloto é o preço do curso. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informa que o investimento necessário para este tipo de formação vai de R$ 14 mil a R$ 70 mil.

O superintendente de capacitação e desenvolvimento da agência, Sidney Nogueira, afirma que formar um piloto é certamente o processo que mais exige investimento financeiro de um aspirante à profissão.

- Sem contar que o candidato também precisa reunir outras habilidades e características bem específicas, como ter boa visão, boa audição e reflexos apurados. Por isso é que esta é provavelmente a área da aviação civil em que a oferta de profissionais é mais escassa.

Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), conta que realmente as vagas mais procuradas são de pilotos e de comissários. O problema, segundo ela, é que os cursos são “extremamente caros e longos”.

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