Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Terça-Feira, 17 de Outubro de 2017
04/03/2009
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G1 - O Globo
04/03/2009 - 16:57h

Cabral já admite discutir com Anac novos voos no Santos Dumont
Governador do Rio adianta que é contra conexões para grandes centros.
E reconhece que sua posição é impopular, mas preserva o Tom Jobim.

O governador do Rio Sérgio Cabral mudou de tom e admitiu, nesta quarta-feira (4) em entrevista à rádio CBN, que irá conversar com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre a liberação dos voos regionais no Aeroporto Santos Dumont no Centro da cidade.

Na terça-feira, em Brasília, ele ameaçara reataliar e classificara de "deboche" a decisão da Anac de liberar voos no aeroporto doméstico da capital.

Ele voltou, porém, a criticar a presidente da agência, Solange Vieira; disse que só admite voos para cidades médias e reconhece que a sua posição é impopular e desagrada até a passageiros do Rio, mas argumenta que está defendendo o Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, no subúrbio.

Como exemplos que considera bem vindos, Cabral citou os voos para Ribeirão Preto e Campinas, no interior de São Paulo, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e Londrina, no Paraná, mas voltou a criticar a liberação dos voos para os grandes centros urbanos como Salvador, Recife, Belo Horizonte e Brasília.

Cabral argumenta que os voos com destino às grandes cidades, partindo do Santos Dumont, prejudicam o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), que precisa ser fortalecido porque é importante nos projetos estaduais para a Copa do Mundo e para a sediar as Olimpíadas de 2016.

“O Rio de Janeiro ainda é o principal portão de entrada do Brasil, mas perdeu ao longo dos anos muitos voos internacionais diretos. O esforço do Rio nesses dois anos e dois meses de governo foram exatamente de retomar esses voos e o Rio de Janeiro voltar a ter o prestígio internacional com as linhas diretas”, afirmou Cabral.

A ideia dele é que o aeroporto internacional do Rio volte a ser um hub - um distribuidor de voos -, como acontecia na década de 80.

Privatização dos aeroportos

Cabral voltou a defender a privatização do Aeroporto Tom Jobim e disse que essa é uma tendência internacional, a concessão privada.

“Os operadores dos aeroportos de Paris, Frankfurt, Madri e Buenos Aires já vieram bater a minha porta, todos desejosos de operar o Galeão”, informou.

Quanto à razão da Anac para abrir os voos no Santos Dumont, que seria em nome da concorrência, disse que é preciso levar em consideração a situação do Tom Jobim, só receberia oito milhões de passageiros por ano, quando poderia receber 16 milhões. Para ele, que citou nominalmente as companhias aéreas Azul, Tam e Gol, não interessa a disputa comercial e sim o interesse do estado.

O governador criticou a presidente da Anac. Disse que a Solange Vieira está desrespeitando os mandatários do Rio de Janeiro, o governador e o prefeito, Eduardo Paes, que são contra a liberação de voos no aerorporto Santos Dumont.

Jornal de Turismo
04/03/2009

Embraer assina primeiro contrato EEC de manutenção para o Phenom 100 nos EUA
Aviação

A Embraer firmou o primeiro contrato com proprietários individuais do Phenom 100 nos Estados Unidos para o programa Embraer Executive Care (EEC) com Elizabeth e Jim Frost. O EEC é um programa de manutenção com custo por hora fixo criado em 2001 para o Legacy 600. O programa EEC para o Phenom foi lançado durante o encontro e convenção anual da National Business Aviation Association (NBAA), em outubro de 2008, e oferece aos clientes de jatos Phenom 100 e Phenom 300, das categorias entry-level e light, a confiabilidade e previsibilidade do suporte à manutenção com custos fixos, incluindo acesso a software de rastreamento da manutenção via Internet.

"A resposta tem sido excelente, com a grande maioria dos nossos clientes Phenom declarando a intenção de filiar-se ao programa no momento da entrega", diz Scott Kalister, Diretor de Suporte ao Cliente da Embraer para os EUA, Canadá e Caribe - Aviação Executiva. "Isso nos traz a confirmação do valor que o programa EEC oferece aos proprietários individuais para a gestão dos custos de manutenção de suas aeronaves."

O casal Frost foi o primeiro cliente a receber o Phenom 100, em dezembro de 2008; Jim, o primeiro piloto-proprietário a pilotar a aeronave e Betsy, a terceira. Ambos têm mais de 2.500 horas de vôo e conhecem a importância de um programa de manutenção forte e confiável.

"O programa EEC é um item importante de nossa experiência geral como proprietários, proporcionando-nos um custo operacional por hora previsível para um avião que praticamente não tem histórico de manutenção operacional", afirma Jim Frost. "O EEC também nos permite mudar o perfil de operação quando nosso programa de vôo se altera e esperamos que nos forneça cobertura total para toda e qualquer necessidade que tenhamos com nosso novo jato Phenom."

 

 

Jornal de Turismo
04/03/2009

´Gringo Go Home!´ Isso é certo para o Rio?

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, deu uma de Hugo Chaves... Num rompante de ira após a Anac liberar novos voos no aeroporto Santos Dumont, detonou uma carga perigosa de preconceito, debochando do dono da Azul Linhas Aéreas, o "gringo" David Neeleman.

Um empresário que teve a capacidade de levantar uma companhia aérea a partir do nada, que priorizou a compra de aviões nacionais, que está gerando milhares de empregos, que está querendo aumentar a oferta de voos para o Rio em plena crise, que montou uma equipe de executivos de primeiríssima linha, entre tantos outros pontos positivos, merece mais respeito dos representantes do poder público estadual.

Não pode um governador atacar um empresário como Neeleman porque ele está, dentro de seu direito, buscando o melhor para a sua empresa. Derrotado em sua tentativa de barrar novos voos ao aeroporto central carioca, o governador deveria mirar seu ataque ao colega de partido, o ministro da Defesa ,Nelson Jobim, ou então à presidente da Anac, Solange Vieira. A iniciativa privada precisa de respeito, até para que o governo tenha autoridade para atrair novos investimentos para o Estado.

Um governante tem que manter o nível do debate. Se está furioso, que fuzile o mundo político que contrariou os seus interesses e não quem está investindo no Rio de Janeiro.

 

 

Valor Economico
04/03/2009

VarigLog entra com pedido de recuperação judicial
Roberta Campassi, de São Paulo

A VarigLog entrou ontem com pedido de recuperação judicial em São Paulo, medida que vem na esteira de disputas societárias, redução de suas operações e crescimento das cobranças judiciais. É a terceira empresa do setor aéreo a tentar recuperação neste ano e a sexta desde 2005.

Ontem, a companhia aérea especializada em transporte de carga enviou comunicado aos seus franqueados informando sobre a decisão de pedir recuperação. No texto, a VarigLog afirma que teve "depósitos embargados" e que "a indefinição da questão societária impedia a obtenção de crédito no mercado" nos últimos 12 meses. "A crise mundial, no fim do ano, deteriorou ainda mais a situação financeira da empresa", continua. "Para agravar, a partir de fevereiro, as receitas de nossos principais contratos passaram a ser penhoradas, tornando insustentável a manutenção das operações."

O pedido de recuperação deverá ser apreciado por um juiz e, caso seja concedido, suspende os processos contra a companhia. "A medida destina-se a permitir à empresa uma pausa, durante a qual ela negociará suas pendências com credores, ganhando fôlego para sanear as finanças", afirma a VarigLog. A companhia não divulgou o tamanho de suas dívidas.

A empresa também esclareceu no comunicado aos franqueados que mantém as atividades com voos cargueiros a partir de Guarulhos e Viracopos para oito cidades no Brasil e para Buenos Aires e Santiago do Chile.

Uma busca no site do Tribunal de Justiça de São Paulo mostra que a empresa vem sofrendo execuções com mais frequência desde o segundo semestre de 2008. Uma fonte ligada à companhia afirma que o maior volume de dívidas foi contraído com fornecedores e trabalhadores. As dificuldades da VarigLog, segundo essa fonte, vêm motivando franqueados a migrar para empresas concorrentes.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a VarigLog teve prejuízo de R$ 289 milhões em 2007. Seu patrimônio líquido (diferença entre ativos e passivos) era negativo em R$ 309 milhões. Não há dados públicos referentes a 2008.

A VarigLog foi vendida à Volo do Brasil em 2005, em meio à crise do antigo grupo Varig, do qual ela fazia parte. A Volo pertencia a três brasileiros e ao fundo americano MatlinPatterson. Em 2007, o fundo iniciou uma cobrança judicial de US$ 186 milhões (em valores da época) contra os sócios brasileiros e, no ano passado, o Matlin conseguiu exclui-los da sociedade e ficou no controle da Variglog. Como a lei não permite que um estrangeiro tenha mais de 20% de uma companhia aérea, a composição societária da empresa ficou frágil. O Matlin conseguiu liminares para continuar operando a companhia aérea, mas cresceram as dificuldades para conseguir crédito com bancos e fornecedores.

A Gol é uma das credoras da VarigLog, cobrando cerca de R$ 153 milhões. A companhia cargueira vendeu as operações da Varig à Gol em 2007, em meio ao processo de recuperação da velha Varig, por quase R$ 570 milhões. Mais tarde, por causa de uma reavaliação de ativos e passivos da Varig, a Gol passou a cobrar a VarigLog.

A VarigLog é a terceira empresa do setor aéreo a tentar a recuperação judicial neste ano. A Sata, que presta serviços aeroportuários, e a Pantanal, empresa aérea regional, já tiveram seus pedidos aceitos pela Justiça e estão em fase de elaboração do plano de recuperação. Outras três companhias aéreas optaram pela recuperação nos últimos anos. A Vasp, que iniciou o processo em 2005, teve a falência decretada no ano passado por descumprimento do plano. A BRA, que entrou em recuperação no fim de 2007, iniciará voos de fretamento neste mês. E a velha Varig, que também iniciou o processo em 2005, deve ter o fim da recuperação judicial decretado em breve, mas ainda não sanou suas dívidas.

 

 

O Estado de São Paulo
04/03/2009

VarigLog pede recuperação
Empresa vai à Justiça para se proteger dos credores

A empresa de cargas aéreas VarigLog entrou ontem com pedido de recuperação judicial na 1ª Vara de Recuperação de Empresas, em São Paulo. Em uma curta nota divulgada ontem, a empresa afirma que, com a medida, está "em busca de fôlego para superar os sucessivos obstáculos em sua trajetória".

Ex-subsidiária da Varig, a empresa de logística foi adquirida em janeiro de 2006 pelo fundo americano Matlin Patterson, em sociedade com três brasileiros - Marco Antonio Audi, Luiz Gallo e Marcos Haftel. Em junho daquele mesmo ano, a VarigLog comprou em leilão, com um lance de apenas US$ 24 milhões, a própria Varig. Em março de 2007, a Varig foi vendida à Gol por cerca de US$ 320 milhões.

A partir daí, teve início uma grande disputa societária entre o fundo e os três brasileiros, que trouxe à tona um contrato de gaveta entre as partes até então desconhecido das autoridades aeronáuticas do País. O contrato comprovava que, na verdade, a sociedade teria sido feita para burlar o Código Brasileiro da Aeronáutica, que estabelece um limite de 20% na participação de estrangeiros em companhias aéreas brasileiras.

No processo de litígio entre os sócios, a Justiça paulista afastou os brasileiros do controle da empresa. Com isso, o controle passou para as mãos de estrangeiros, contrariando a legislação do setor.

A Anac determinou que o fundo estrangeiro encontrasse novos sócios brasileiros para regularizar a situação. O fundo contesta essa determinação e se mantém no controle por meio de uma liminar.

As brigas, porém, acabaram minando a capacidade de recuperação da empresa. A receita da empresa, que em 2007 foi de R$ 760 milhões, desabou, no início do ano passado, para R$ 35 milhões por mês - número que deve ter caído desde então.

 

 

O Estado de São Paulo
04/03/2009

Anac libera Santos Dumont para voos nacionais; governador do Rio vai recorrer
Operação no aeroporto estava restrita desde 2005; Sérgio Cabral chama medida de lobby da Azul e deboche da Anac
Alberto Komatsu, RIO

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) liberou ontem a utilização do Aeroporto Santos Dumont para voos nacionais. A decisão foi tomada após reunião de diretoria da agência, que revogou a portaria 187 do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC). O documento limitava a operação no aeroporto central carioca a voos da ponte aérea, regionais e de táxi aéreo. O governo do Rio é contrário a essa medida e ameaça entrar na Justiça.

A decisão da Anac começa a valer assim que for publicada no Diário Oficial da União, o que deve acontecer até sexta-feira. A Anac informou que vai se reunir com as companhias aéreas para organizar os horários de voos no Santos Dumont, mas a data ainda não foi marcada. Há 47 pedidos de voos para esse aeroporto na agência, sem incluir as requisições da Azul Linhas Aéreas, que pretende usá-lo como um dos seus principais centros de distribuição de voos.

Durante audiência pública realizada em 22 de janeiro pela Anac, secretários municipais e estaduais do Rio firmaram posição contrária à abertura do Santos Dumont. O governo fluminense alega que vai haver um esvaziamento do Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão), o que poderia prejudicar a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e a candidatura da cidade para a Olimpíada de 2016.

"Isso é falta de bom senso, uma loucura. É lobby da Azul", disse o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Irritado, à saída do Palácio do Planalto, Cabral disse que vai recorrer ao Judiciário e retaliar a decisão, mesmo sabendo que os custos serão repassados aos consumidores.

"Se é para ter guerra, vamos para a guerra. Se a Anac não respeita a autonomia política do Estado (do Rio) e quer brigar, vamos brigar, porque não é assim que se faz política pública", afirmou, anunciando em seguida em que vai aumentar "de 4% para 17% ou 18%" o ICMS cobrado sobre o querosene de aviação fornecido às companhias aéreas que abastecem no Santos Dumont. Cabral disse, ainda, que não vai renovar a licença ambiental para voos regionais a partir do aeroporto.

DEBOCHE

Depois de afirmar que os passageiros e as empresas vão pagar pela "loucura" da Anac, o governador avaliou que a decisão da agência reguladora vai atrapalhar o projeto de privatização dos aeroportos, particularmente do Galeão.

"A Anac, que tem tanto problema (para resolver) deveria concentrar suas energias na concessão dos aeroportos, a começar pelo Galeão, que é uma porcaria", disse. "Isso é um deboche depois de todo esforço que fizemos para reativar o Galeão."

Cabral admitiu que, politicamente, é mais popular defender a volta dos voos para o Santos Dumont. "Mas fazer isso é arrebentar com um aeroporto que tem a melhor proporção passageiro-ano e que está subutilizado. Não dá para comparar a capacidade de expansão do Santos Dumont com a do Galeão", acrescentou. "Já falei com o Jobim (ministro da Defesa, Nelson Jobim), mas já que não está adiantando conversar, vamos para a parte legal, vamos reagir."

GARGALOS

Um especialista em aeroportos, que pediu para não ser identificado, afirma que o problema da abertura do Santos Dumont não estaria no esvaziamento do Galeão, mas em restrições operacionais que podem congestionar o aeroporto central do Rio com a chegada de mais voos. Um exemplo desse gargalo é a limitação de pistas: apenas a principal está em uso; a auxiliar está em obras há um ano.

Segundo esse especialista, o Santos Dumont tem 12 posições para aeronaves no pátio, mas duas são usadas pela Aeronáutica, que compartilha o espaço. Além disso, o Santos Dumont tem oito pontes de embarque e desembarque de passageiros, mas duas estão fora de uso. "Ninguém é contra a abertura de mercado, contra a concorrência, mas o argumento da segurança é imbatível", disse.

A Anac defende a localização privilegiada do Santos Dumont e sua atratividade para passageiros de negócios. Segundo a agência, a capacidade do aeroporto é de 23 movimentos de pouso ou decolagem por hora. Nos horários de pico, a demanda é de 15 movimentos por hora. Com isso, há condições de oito novas frequências em horários mais movimentados.

A operação no Santos Dumont ficou limitada a voos da ponte aérea, regionais e de táxi aéreo em 2005. O objetivo era aumentar a utilização do Galeão e revitalizar sua infraestrutura. O site da Infraero informa que em 2004, um ano antes da limitação no Santos Dumont, o Galeão recebeu 6 milhões de passageiros, período em que o Santos Dumont abrigou 4,8 milhões de pessoas. No ano passado, o Galeão teve um movimento de 10,7 milhões de passageiros e o Santos Dumont, 3,6 milhões de pessoas. COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

 

 

O Estado de São Paulo
04/03/2009

Azul consegue liminar para voar no Santos Dumont
Alberto Komatsu

A Azul Linhas Aéreas obteve, anteontem, liminar para operar voos diretos do Aeroporto Santos Dumont para outras capitais brasileiras. A decisão, de segunda instância, foi proferida pelo desembargador João Batista Moreira, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, e dá prazo de 10 dias para que a Anac reavalie o pedido da Azul.

A Azul alegou na ação que a Anac havia indeferido seu pedido por causa da portaria 187 do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC). Esse documento diz que a operação no Santos Dumont é limitada à ponte aérea, voos regionais e de táxi aéreo, com aviões turboélice para, no máximo, 50 passageiros.

Para a Azul, essa portaria é incompatível com a atual legislação do setor aéreo, que permite à concessionária de transporte aéreo a operação em qualquer linha aérea, desde que a empresa tenha registro na Anac e o aeroporto, capacidade operacional.

De acordo com o TRF, a decisão ainda tem de ser confirmada por três desembargadores da 5ª Turma. O TRF informou que a Azul solicitou autorização para voos entre Santos Dumont e Viracopos, em Campinas, além de outras localidades.

 

 

Folha de São Paulo
04/03/2009

VarigLog entra com pedido de recuperação judicial
Disputa pelo controle afeta desempenho da companhia de cargas, que já foi da Varig
Desde o ano passado, empresa enfrenta problemas como suspensão de serviços e arresto de aeronaves por falta de pagamento

JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO

A VarigLog entrou ontem com um pedido de recuperação judicial na 1ª Vara Empresarial de São Paulo. Em nota, a companhia informou que fez o pedido "em busca de fôlego para superar os sucessivos obstáculos em sua trajetória".

Caso a Justiça aceite o pedido, as cobranças e os processos contra a companhia ficam suspensos durante um prazo de 180 dias. A empresa deverá elaborar um plano de recuperação que precisa ser aprovado pelos credores.

A VarigLog afirma que manterá operações a partir de Guarulhos e Viracopos para algumas cidades do país, para Buenos Aires e também para Santiago do Chile.

A empresa já vem enfrentando dificuldades há vários meses e, ao recorrer à Justiça, repete a trajetória de sua antiga controladora, a Varig.

Em 2005, a empresa de transporte de cargas foi colocada à venda pela Varig com a VEM (Varig Engenharia e Manutenção), como uma das tentativas de capitalizar a companhia e viabilizar a sua recuperação.

A VarigLog acabou ficando com a Volo do Brasil e tinha como acionistas três empresários brasileiros (Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel) e o fundo de investimento americano Matlin Patterson. Os sócios se desentenderam e, após uma longa disputa judicial travada por conta da cobrança de recursos, os empresários brasileiros foram afastados da gestão da companhia aérea.

A longa disputa judicial afetou o desempenho da empresa e dificultou o acesso a crédito. Além disso, a retirada dos brasileiros foi polêmica por conta do previsto no Código Brasileiro de Aeronáutica, que limita a participação de estrangeiros em companhias aéreas a 20%.

Em dezembro do ano passado, o juiz Carlos Dias Motta decidiu entregar a gestão da companhia para o Matlin Patterson ao considerar que os sócios brasileiros praticaram gestão temerária. Atualmente, a presidente da empresa é Chan Lup Ohira, irmã de Lap Chan, representante do Matlin Patterson. Em entrevista à Folha no ano passado, Ohira disse que sua participação na empresa seria de 51% dos 80% que pertenciam aos sócios brasileiros.

A ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu disse em entrevista no ano passado que a agência teria sido pressionada a aprovar a venda da empresa para os brasileiros e para o Matlin Patterson pela Casa Civil. Afirmou ainda na época que o processo sofreu a interferência do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula. A Casa Civil e o escritório de Teixeira negaram as acusações.

Desde o ano passado, a Va rigLog vinha enfrentando sérios problemas, como suspensão de serviços e arresto de aeronaves por falta de pagamento a fornecedores e prestadores de serviços. Os funcionários também ficaram com salários atrasados, enquanto centenas de outros foram demitidos.

 

 

Folha de São Paulo
04/03/2009

Em resposta a Lula, empresas aéreas dizem que não é hora de comprar avião

DA SUCURSAL DO RIO

O cenário econômico não permite que as companhias aéreas façam novos investimentos em compras de aeronaves. Essa é a avaliação do diretor técnico do Snea (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias), Ronaldo Jenkins. Anteontem, Lula instou as empresas a comprar aeronaves da Embraer -que anunciou a demissão de 4.200 funcionários no mês passado, sob a alegação de que a demanda externa teve forte retração.

"Não é o momento para ir às compras", afirmou Jenkins. O diretor diz que os planos de renovação da frota de empresas brasileiras foram elaborados antes da crise econômica e que algumas estão postergando a entrega de aviões. "O petróleo caiu, mas o dólar ficou mais caro e ele interfere na maior parte dos insumos, além disso a demanda será mais fraca."

Nesta semana, a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) anunciou que o setor teve perdas de US$ 8 bilhões em 2008.

Especialistas afirmam ainda que a padronização de frota ajuda a reduzir custos com manutenção e treinamento de funcionários. A Gol informou em nota que opera uma frota de Boeing-737 coerente com seu modelo de negócios:
"Um dos fundamentos estruturais da plataforma "low-cost, low fare" (baixo custo, baixa tarifa) é utilizar uma frota padronizada, e, por enquanto, a Gol não tem planos de incorporar aeronaves de outro modelo". Até 2014, a frota total da Gol chegará a 140 aeronaves. Em 2008, revisou para baixo as entregas no período 2008-2009.

A TAM informou que pretende chegar ao fim de 2013 com 150 aviões. "Embora a Embraer tenha aviões de alta qualidade, eles não se aplicam ao modelo de negócios da TAM."

Lula afirmou que os aviões da Embraer poderiam ser usados em rotas regionais. Segundo o presidente da Abetar (Associação Brasileira de Transporte Regional), Apostole Chryssafidis, no curto prazo as empresas regionais não têm chance de fazer encomendas.

A exceção é a Trip, que deve receber o primeiro de cinco jatos Embraer-175 em abril. Os demais virão ao longo do ano.

Segundo Chryssafidis, além do investimento necessário para a aquisição de aviões, há também problemas na infraestrutura. Ele afirma que algumas empresas regionais operam rotas com um volume baixo de passageiros em cidades que não têm como receber jatos em seus aeroportos.

Para Respício Espírito Santo Jr., da UFRJ, a renovação de frota faz parte do planejamento estratégico das companhias. "Isso depende do modelo de negócios da companhia, não do presidente ou da fabricante."

O diretor de Assuntos Institucionais da Azul, Adalberto Febeliano, defende o uso dos aviões da Embraer. A Azul é a única brasileira a operar em linhas de maior demanda com aviões da fabricante brasileira. "O avião é mais confortável para o passageiro, pois não tem poltrona do meio. E tem um custo por viagem menor."

Para Febeliano, o avião é adequado ao modelo de voos diretos adotados pela empresa. "Uma ligação Belém-Cuiabá pode não ser viável se você precisa de 500 passageiros por dia para lotar o avião. Para nós, um número menor é suficiente para viabilizar a operação."

Febeliano diz que TAM e Gol optam por aeronaves com maior número de assentos porque operam sob o sistema "hub-and-spoke", em que usam um aeroporto como base.

Procurada pela reportagem para comentar o assunto, a Embraer disse que não tinha um representante disponível. (JL)

 

 

Folha de São Paulo
04/03/2009

JATO DO PRESIDENTE FOI FABRICADO PELA EUROPEIA AIRBUS

O avião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comprado em 2005 por US$ 56,7 milhões, é um ACJ (Airbus Corporate Jetliner). Para justificar a compra de um concorrente da Embraer, a Aeronáutica mencionou, na época, a possibilidade de Lula ter de comandar o país do ar, em uma situação de crise. A autonomia para voar cerca de 8.400 km sem pausa para abastecer combustível afastou a Embraer do negócio.

Folha de São Paulo
04/03/2009

Fornecedoras da Embraer querem ajuda do BNDES
BRENO COSTA
DA AGÊNCIA FOLHA

Representantes de fornecedores da Embraer em São José dos Campos (SP) irão amanhã ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no Rio, em busca de um plano de salvamento para o setor.

Segundo o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), a crise entre os fornecedores vem desde outubro passado e já resultou numa queda de produção aproximada de 35% entre as 40 empresas de aeropeças em atividade no município.

Além disso, cerca de 20% da mão-de-obra já foi cortada, segundo o presidente do Ciesp, Almir Fernandes. O número ainda deve crescer porque algumas empresas, mesmo com queda na produção da Embraer, ainda acreditavam numa retomada da demanda da companhia e adiaram as dispensas.

Na reunião de amanhã com o vice-presidente do BNDES, Armando Mariante Carvalho, a missão é conseguir a liberação de capital de giro para desafogar as empresas dependentes da produção da Embraer.

Linha de crédito específico para isso já existe. É o PEC (Programa Especial de Crédito), instrumento criado em dezembro, com dotação de R$ 6 bilhões, e voltado para alavancar a competitividade da indústria nacional através de reforço do capital de giro. Pelas regras atuais, cada empresa pode receber até R$ 50 milhões, desde que este valor não ultrapasse 20% da receita da beneficiada.

O receio das fornecedoras, segundo Fernandes, é que não consigam apresentar garantias para que o BNDES libere o dinheiro. "É preciso uma negociação com o BNDES para uma flexibilização desse aval, de acordo com a realidade desse setor [de aeropeças], que é de pequenas empresas", disse o presidente do Ciesp.

Um primeiro sinal de disposição do BNDES em negociar ocorreu anteontem, quando o presidente da instituição, Luciano Coutinho, esteve em São José dos Campos para assinar um contrato para a construção de um laboratório de alta tecnologia. Após a cerimônia, Coutinho disse que o setor de aeropeças é estratégico e que precisa ser apoiado.

Oficialmente, o banco diz que ainda não há propostas concretas colocadas na mesa, como a que flexibilizaria a cobrança de garantias por parte do banco.

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