Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quinta-Feira, 27 de Abril de 2017
03/11/2009

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Site O Pioneiro - Caxias do Sul
03/11/2009 - 21:54h

Governo e trabalhadores da antiga Varig não conseguem fechar acordo sobre o Aerus
Dívida da empresa com o governo ultrapassaria em R$ 1,2 bi o valor devido pela União à Varig
Letícia de Oliveira, de Brasília | leticiadeoliveira@gruporbs.com.br

A reunião realizada entre representantes do governo, trabalhadores da antiga Varig nesta quinta-feira não conseguiu realizar o acordo entre as partes sobre o Aerus. O balanço preliminar apresentado pela Advocacia Geral da União (AGU) mostrou que a dívida da Varig com a União supera em R$ 1,2 bilhão o valor devido pelo governo federal à empresa. Essa diferença, segundo a secretária-geral de Contencioso da AGU, Grace Maria Fernandes Mendonça, inviabilizaria um encontro de contas.

O senador Paulo Paim (PT) se colocou à disposição para apresentar uma solução legislativa que permita a liberação de recursos necessários à manutenção do Aerus, viabilizando o pagamento dos aposentados e pensionistas.

A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, disse que a reunião desapontou quem esperava uma solução.

— O que nos resta é uma possibilidade de o Congresso Nacional apresentar um decreto, medida provisória ou projeto de lei para possibilitar o acordo — afirmou.

 

 

Folha de São Paulo
03/11/2009

Após guerra tarifária, passagem aérea sobe
Com a demanda do setor aéreo crescendo acima de 20% ao mês, companhias aéreas se preparam para reajustar tarifas
Aumento ocorre após dura disputa entre a TAM e a Gol pela liderança em voos domésticos e sob a ameaça de empresas pequenas

MARIANA BARBOSA
DA REPORTAGEM LOCAL

O preço das passagens aéreas no mercado doméstico atingiu o menor nível do ano em setembro, aponta novo levantamento mensal feito pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) obtido pela Folha e que passará a ser divulgado mensalmente no site da agência.

A forte competição entre TAM e Gol, e entre as duas líderes e as pequenas Azul, Oceanair e Webjet, foi a grande responsável pela guerra tarifária, segundo analistas e executivos do setor. A crise econômica, que reduziu as viagens de negócios, também contribuiu para a queda dos preços.

A má notícia é que, com a recuperação da demanda nos últimos três meses, as empresas já começaram a reajustar.

Na última feira da Abav (Associação Brasileira das Agências de Viagem), há duas semanas, o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Jr., declarou que as tarifas para o fim do ano seriam reajustadas em 20%, num esforço de recomposição da margens de lucro. A TAM também deu sinais nessa direção e fala em recuperação de 10% no preço das tarifas já no terceiro trimestre.
"As passagens para viagens a partir de 15 de deze

bro, quando começa a alta temporada, já estão 15% mais caras", afirma o diretor da Abav, Lionel Rossi Junior. "E quanto mais tarde a pessoa comprar, mais caro vai ficar."

Para o diretor-executivo da Oceanair, Renato Pascowitch, a guerra tarifária "tem gerado muito tráfego, mas muito pouca receita". Em outubro, a Oceanair conseguiu recompor em 5% o preço das tarifas. Para novembro, a empresa, que detém 2,24% do mercado, deve praticar preços 10% maiores.

A guerra tarifária ajudou a estimular a demanda e a reverter o baixo nível de crescimento do setor desde outubro de 2008, quando estourou a crise. Naquele mês, o mercado doméstico caiu 3,9%. Mas, desde julho deste ano, ele vem crescendo acima de 20% ao mês. Em setembro, subiu 29,9%. No acumulado do ano até setembro, o setor cresceu 10,5%.

"O mercado está com excesso de oferta, e isso leva a uma guerra de tarifas", diz o professor de transporte aéreo da UFRJ, Respício do Espírito Santo Jr."A crise puxou a demanda para baixo, mas as empresas nacionais não reduziram a oferta de assentos, como fizeram as estrangeiras."

De janeiro a setembro, a TAM aumentou a oferta de assentos em 9,72% no mercado doméstico. A Gol, em 3,88%.

Para o diretor do Núcleo de Economia dos Transportes do ITA, Alessandro Oliveira, além da crise financeira, a estreia da Azul, em dezembro, e o crescimento das demais empresas menores, ajudou a reduzir as tarifas. "O temor de perder mercado e não parecer competitivo fez as grandes se mexerem, mesmo em rotas em que a Azul não está presente."

Para Oliveira, a última vez em que o mercado se comportou assim foi com a chegada da Gol, em 2001. Juntas, Webjet, Azul e Oceanair alcançaram 11,68% do mercado em setembro. A TAM liderou com 44,15%, seguida da Gol, com 41,85%.

Com base em Campinas, a Azul está gerando uma demanda nova para a aviação. De janeiro a junho deste ano, o aeroporto de Congonhas perdeu 500 mil passageiros, na comparação com o primeiro semestre de 2008. Na mesma comparação, o aeroporto de Viracopos, em Campinas, ganhou 800 mil passageiros. "Os passageiros de negócios de Congonhas não foram para Campinas. Congonhas sofreu os efeitos da crise nas empresas, já Campinas está gerando demanda nova."

Com preços bastante competitivos desde sua estreia, a Azul não se considera a detonadora da guerra tarifária. "Nós nunca provocamos a guerra de tarifas. Se eu começo a voar com uma tarifa um pouco mais baixa e elas [TAM e Gol] abaixam ainda mais, não podemos ficar parados", afirma Adalberto Febeliano, diretor de relações institucionais da Azul.

Ele conta que a empresa conseguiu equilibrar as contas em julho, sem reajustar tarifas, mas que desde então a guerra tarifária com TAM e Gol se acirrou, prejudicando o balanço da empresa. "As duas entraram em uma guerra de preços entre elas e sobrou para o nosso lado." Ele diz que a Azul vai bater recorde de passageiros transportados em outubro. "Os preços estão estimulando o mercado, mas a questão é: até quando? Temos fôlego, vamos ver quem quebra antes."

A reclamação de que a guerra tarifária teria sido provocada por TAM e Gol encontra eco entre outras companhias pequenas, que preferem não falar sobre isso publicamente. A guerra teria sido detonada pela ameaça de perda da liderança da TAM para a Gol. Em julho, a Gol encostou na TAM, com 42,88% de mercado contra 43,15%. Procuradas, TAM e Gol não quiseram comentar.

 

 

Folha de São Paulo
03/11/2009

Setembro teve menor tarifa do ano, diz novo indicador da Anac
DA REPORTAGEM LOCAL

Levantamento da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) com as tarifas praticadas pelas companhias aéreas em 67 rotas domésticas mostra que o valor pago por passageiro por quilômetro voado, um indicador chamado yield tarifa, atingiu o menor nível do ano em setembro: R$ 0,41. Esse valor representa uma queda de 29,3% em relação a setembro do ano passado, quando o yield tarifa atingiu R$ 0,58.

O indicador é atualizado mensalmente com base no índice de inflação IPCA. Um outro indicador, o de tarifa média, que sofre a influência da quantidade de passageiros em cada etapa média, mostra que o preço médio das passagens foi de R$ 267 em setembro, 35,6% a menos que em setembro do ano anterior (R$ 415).

O estudo da Anac leva em conta as tarifas praticadas pelas companhias aéreas desde janeiro de 2002.

O levantamento mostra que o nível de tarifa praticado em setembro só foi mais baixo em duas ocasiões: no primeiro semestre de 2002, com o crescimento da Gol e também devido à retração da demanda pós-11 de Setembro de 2001; e em 2007, durante o caos aéreo.

O período em que as passagens estiveram mais caras desde o início da série foi julho do ano passado: R$ 0,78 por quilômetro (ou uma tarifa média de R$ 535,90).

O levantamento com as tarifas da Anac será divulgado a partir de hoje no site da agência, com atualizações mensais.

Como começa em 2002, o estudo não mostra o primeiro ano de atuação da Gol, que estreou em 2001. Mas, no início de 2002, quando a companhia possuía uma frota grande o suficiente para incomodar a concorrência com sua política agressiva de preços, as tarifas médias do setor despencaram: no seis primeiros meses de 2002, o yield tarifa oscilou entre R$ 0,34 a R$ 0,38.

A crise dos controladores de voo, detonada pouco depois do acidente da Gol, ocorrido em 26 de setembro de 2006, também inaugurou uma temporada de descontos. De outubro a novembro de 2006, o yield tarifa despencou 40,3%, de R$ 0,62 para R$ 0,37. Em abril de 2007, chegou a R$ 0,32, o menor nível desde o início da série.

O estudo da Anac leva em conta as tarifas efetivamente pagas pelos passageiros, desconsiderando compras com milhas ou outras fontes de receita para as companhias, como o transporte de cargas.

Os números refletem os preços praticados por todas as companhias juntas. Questionada sobre a razão de não apresentar as tarifas de cada companhia separadamente, a agência afirmou que a divulgação infringiria o sigilo das empresas.
(MB)

 

 

Folha de São Paulo
03/11/2009

Aviões ganham serviços de telefonia e web

DENISE MENCHEN
DA SUCURSAL DO RIO

Para se diferenciar da concorrência e cativar mais clientes, companhias aéreas brasileiras e estrangeiras apostam na diversificação de serviços. Novidades tecnológicas como sistema de telefonia móvel, acesso à internet e jogos interativos, até então restritos a outros mercados, começam a chegar às rotas domésticas e internacionais com origem no país.

Até o fim do ano, a TAM pretende se tornar a primeira empresa brasileira a possibilitar a realização de chamadas telefônicas em pleno voo. A tecnologia desenvolvida pela On Air, com a qual firmou parceria em outubro do ano passado, permite que até 12 pessoas façam ligações ao mesmo tempo.

Segundo a TAM, a novidade não afeta a segurança dos voos, já que não há interferência no sistema de navegação. O sinal é liberado quando a aeronave atinge os 3 mil metros de altitude. A entrada em operação do serviço, porém, depende da aprovação da Anac e da Anatel, que ainda testam a tecnologia.

Na Europa, o mecanismo desenvolvido pela On Air já foi certificado e está disponível em um avião da TAP que faz rotas de médio curso. Segundo o diretor de marketing Fernando Guarisa, o teste embasará a decisão da aérea de expandir ou não o serviço a outras rotas.

Enquanto isso não ocorre, a empresa busca agradar os clientes com um novo sistema de entretenimento de bordo, instalado nas rotas entre o Brasil e a Europa no início de 2009. Com telas "touch screen" (sensíveis ao toque), ele coloca à disposição do usuário opções de filmes, músicas e jogos. Alguns com interatividade: permitem disputas entre passageiros, cada um na sua poltrona.

A alemã Lufthansa, que opera duas rotas entre São Paulo e Alemanha, reinaugura em 2010 serviço de internet via satélite, interrompido em 2006 após três anos de funcionamento. Com novo parceiro, planeja equipar com a tecnologia, já no primeiro ano, a maior parte da frota de longa distância.

Inicialmente, o serviço vai ser implementado no mercado do Atlântico Norte. O acesso à internet poderá ser feito de qualquer ponto da aeronave, desde que o passageiro tenha um laptop ou telefone com dispositivo WiFi ou compatível com a tecnologia GSM/ GPRS. A empresa não divulga o custo do serviço, mas prevê dois pacotes: por hora ou mensal. A cobrança será feita por meio de cartão de crédito ou fatura.

Além de investir em tecnologia, as empresas também resolveram mirar passageiros que, em busca de conforto e comodidade, se dispõem a pagar mais por serviços diferenciados. A partir do meio do ano, a Gol passou a distribuir aos clientes cardápio de bebidas, chocolates, salgadinhos e sanduíches, como alternativa ao serviço de bordo tradicional em 37 voos da companhia.

A KLM, que opera um voo diário entre São Paulo e Amsterdã, inaugura em dezembro uma nova classe entre a econômica e a executiva. Batizada de "Economy Comfort", terá poltronas com 10 cm a mais de espaço para as pernas e encostos que inclinam duas vezes mais do que as da classe econômica.

Para o consultor Paulo Bittencourt Sampaio, da Multiplan, as novidades são consequência da acirrada disputa no setor. "Num período de baixa demanda elas têm capacidade de criar promoções tarifárias. Para atrair passageiros o ano inteiro, o melhor que podem fazer é melhorar o serviço."

 

 

Folha de São Paulo
03/11/2009

Pouso em rio foi a 160 km/h, diz piloto da FAB
Segundo ele, a pane no C-98 Caravan que pousou no rio Ituí (AM) na última quinta ocorreu 45 minutos após decolagem
Sobreviventes dizem ter feito sinais de fumaça que não foram vistos pelas equipes de resgate; grupo foi socorrido por índios

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

O piloto que sobreviveu ao acidente com o avião C-98 Caravan da Aeronáutica disse ontem, em Manaus, que o pouso forçado da aeronave foi feito a 160 km/h. O avião, com 11 pessoas, caiu em um rio, no Amazonas, na última quinta-feira. Duas pessoas morreram.

Segundo Carlos Wagner Ottone Veiga, 32, o Caravan perdeu repentinamente potência a 3.000 pés de altitude sobre a floresta amazônica. Sem pista de pouso, estrada ou clareira por perto, a tripulação optou por fazer o pouso forçado sobre o rio Ituí, que fica dentro da terra indígena Vale do Javari, em Atalaia do Norte, uma das áreas mais isoladas do Norte do país.

Com a temperatura aumentando e para evitar uma explosão, ele desligou o motor. "Escolhemos um ponto do rio que era muito sinuoso, cheio de curvas, e conseguimos fazer o pouso forçado. A 3.000 pés acima do solo, levou cinco minutos o pouso", disse o tenente ontem.

A causa da perda de potência é investigada pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

Segundo Veiga, a pane ocorreu 45 minutos após a decolagem de Cruzeiro do Sul (AC) rumo a Tabatinga (AM). Nesse momento, ele assumiu o controle da aeronave e o restante da tripulação passou a preparar os sete passageiros para o pouso forçado. "A aeronave deslizou sobre a água até que houve a desaceleração e começamos a nos preparar para sair da aeronave. Foi tudo muito rápido", disse.

De acordo com o militar, logo após o pouso forçado todos os passageiros estavam vivos. "Conseguimos fazer um pouso para que as pessoas não se machucassem." Por motivo desconhecido, o funcionário da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) João Abreu, que morreu, tentou sair pela porta dianteira. Os outros saíram pela porta traseira. O Caravan afundou em menos de um minuto.

Fumaça

Os sobreviventes ficaram quase um dia na mata esperando o resgate. No avião, estavam sete funcionários da Funasa que voltavam de um trabalho de vacinação em aldeias indígenas, que durou 17 dias.

Eles se alimentaram apenas com a "ração operacional", que fica no avião para situações de emergência. Na manhã seguinte, índios viram destroços do avião. Entre os sobreviventes, estava uma mulher grávida, que sofreu duas pequenas fraturas, na costela e na coluna.

Segundo o relato deles, foram feitos sinais de fumaça para facilitar a localização do grupo, mas que não foram vistos pelo resgate. Um dos funcionários, Marcelo Nápoles, falou que os aviões de resgate passaram três vezes pelo local.

Outra sobrevivente, Maria das Graças Nobre, disse que a movimentação de aviões na noite anterior ao resgate deu a "certeza" de que seriam salvos.

A Aeronáutica informou que militares já foram ao local da queda para participar da operação de retirada do avião do rio.

O corpo do suboficial Marcelo dos Santos Dias foi enterrado ontem em Mesquita (RJ).

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