Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Segunda-Feira, 21 de Agosto de 2017

02/07/2009

Notícias Anteriores

O Estado de São Paulo
02/07/2009

Governo pode dar subsídios para desenvolver aviação regional
Ideia em discussão é incentivar empresas a oferecerem voos principalmente no Nordeste e no Norte
Tânia Monteiro

O governo vai lançar dentro de três meses um plano de incentivo à aviação regional, dirigido principalmente às cidades médias das regiões Norte e Nordeste do País. A taxa de ocupação dos voos será subsidiada, para manter a rentabilidade mínima das linhas regionais. Outro incentivo: a empresa que ganhar a licitação de uma linha vai poder explorar a rota com exclusividade por um tempo determinado.

Segundo dados da Secretaria de Aviação Civil, do Ministério da Defesa, dos 5,5 mil municípios brasileiros, apenas 133 recebem hoje aviões comerciais.Este número já foi bem maior: 180 cidades tinham transporte aéreo regular em 1988. Duas décadas atrás, esse número chegou a 300 cidades.

O problema, hoje, é que os roteiros aéreos estão concentrados no tronco Brasília, Rio e São Paulo, explica o ministro da Defesa, Nelson Jobim. "Os voos que temos são muito verticais. Precisamos ter voos horizontais, cortando o País na longitudinal", acrescentou o ministro. Apesar de admitir a necessidade de aumentar o número de cidades atendidas pelo transporte aéreo em todo o País, Jobim deixou claro que, no momento, a prioridade são as regiões Norte e Nordeste.

No caso da concessão de subvenção, se a viabilidade da linha depender do fato de que as aeronaves precisam voar com 70% de assentos vendidos, o governo pode, por exemplo, bancar até 50% dessa ocupação para tornar a linha minimamente rentável. Caberá ao órgão regulador, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), definir o valor de subsídio de cada linha.

A execução do plano de aviação regional dependerá de aprovação de algumas medidas pelo Congresso Nacional - poderá haver resistências da área econômica, uma vez que o plano depende de desembolsos adicionais de recursos da União, em um momento em que o governo enfrenta o problema de queda de arrecadação por causa da crise econômica.

O plano a ser apresentado pela Fazenda dependerá da aprovação final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os governos estaduais também serão chamados para participar do esforço de interiorizar as linhas aéreas no País. O governo federal vai pedir a governadores que reduzam o ICMS do querosene de aviação nos Estados que tiverem rotas incluídas no plano de incentivo.

Outra medida em negociação é a abertura de linhas de financiamento especiais para aquisição de aviões a serem usados nas linhas regionais.

No plano, estará incluída ainda a liberação, para aeroportos localizados nos destinos de baixa densidade, de exigências burocráticas feitas hoje para aeroportos de grande circulação. "Haverá gradação deste quesito, cujas exigências dependerão do volume e do tráfego aéreo", explicou Fernando Soares, diretor do Departamento de Política de Aviação da Secretaria de Aviação Civil. "Não é possível haver a mesma exigência de operação nos aeroportos de Tefé, no Amazonas, e Guarulhos, em São Paulo", declarou ele, lembrando que nesses aeroportos menores, não são necessários caminhões anti-incêndio, equipamentos de segurança usados em áreas de alto tráfego e por onde trafegam voos internacionais.

O plano prevê ainda o estabelecimento de regras de descontinuidade de serviço, com base no direito do consumidor, conforme explicou Fernando Soares. Segundo ele, isso significa que uma linha não poderá ser desativada de uma hora para outra, deixando o passageiro desassistido. Por isso, será estabelecido pela Anac o prazo de funcionamento da linha e haverá uma prazo para aviso de encerramento do serviço.

Isso não quer dizer que a Anac vai ferir a liberdade da empresa de operar. O governo vai proteger o direito de exploração para não acontecer o que aconteceu recentemente na região Norte. Uma grande empresa aérea entrou na rota Acre-Roraima-Amazonas com passagens baratíssimas e levou à falência uma tradicional e pequena companhia que explorava a área. Quando ficou sozinha, a grande empresa subiu os preços das passagens.

 

 

O Estado de São Paulo
02/07/2009

Incentivos para voos à África
Tânia Monteiro

Paralelamente ao Plano de Aviação Regional, o Ministério da Defesa quer incentivar o surgimento de novas rotas diretas entre o Brasil e a África. Desde o início de seu governo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tentado cooptar as empresas aéreas para que abram linhas aéreas para o continente africano, dentro da sua política de aproximação das duas regiões. Até hoje, porém, não obteve sucesso.

Ainda não há definição, no entanto, de como serão esses incentivos e se eles serão dados por meio de subsídios. Não está definido também que países serão considerados prioritários para a abertura de novos voos para África. O presidente Lula gostaria muito de, antes de terminar seu governo, ver operando um voo entre Brasil e Luanda, capital de Angola. O presidente não se conforma de um passageiro ter de ir à Europa para chegar a qualquer país africano.

 

 

O Estado de São Paulo
02/07/2009

Busca por caixa-preta vai durar mais 20 dias
Dirigente diz que ainda há esperança de achar equipamento, mas admite que talvez nunca se tenha resposta para o acidente
Márcia Vieira

Apesar de já terem se passado 31 dias do acidente com o Airbus da Air France que fazia a rota Rio-Paris, ainda há esperanças de se encontrar as caixas-pretas do avião, segundo o diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon. Ele se encontrou ontem no Rio com as famílias das vítimas brasileiras durante uma missa e disse que as autoridades francesas vão continuar as buscas submarinas por pelo menos mais 20 dias. "As sondas dos submarinos ainda podem captar sinais na área onde o avião provavelmente caiu", acredita.

Na entrevista ao Estado, ontem, Gourgeon revelou que todos os modelos Airbus A330 da companhia teriam as sondas pitot trocadas a partir de 1º de junho, um dia após a queda do avião que matou 228 pessoas. Isso não significa que a Air France admita que o acidente tenha sido provocado por um defeito nessas sondas que aferem a velocidade do avião. "Talvez nunca tenhamos todas as respostas", admitiu Gourgeon, de 62 anos, que assumiu a direção-geral da companhia apenas seis meses antes do acidente.

Como foi o encontro com as famílias das vítimas no Rio?

Elas fizeram muitas perguntas sobre o acidente. Avisei que amanhã (hoje), na França, o BEA (órgão que investiga as causas do acidente) vai emitir seu primeiro relatório com dados do avião, da rota, as informações meteorológicas, o lugar provável da queda. Mas não se pode esperar que o relatório revele o que se passou, porque nós não temos ainda as caixas-pretas. As análises que poderão ser feitas a partir desses dados são muito demoradas. Talvez nunca tenhamos respostas completas.

Nunca saberemos o que aconteceu com o voo AF 447?

Não sei. As autoridades francesas continuam as buscas submarinas para encontrar os registros de bordo. A esperança de encontrar as caixas-pretas não acabou. Elas emitem sinais por no mínimo 30 dias, mas pode ser que sejam emitidos por até 40, 50 dias.

As autoridades brasileiras suspenderam as buscas. Foi precipitado?

A contribuição brasileira foi essencial. Graças à Marinha e à Aeronáutica foi possível recuperar 51 corpos e restos do avião, muito importantes para as investigações. Mas seria inútil continuar as buscas.

Este foi o pior acidente da história da Air France. Os pilotos receberam recomendações para mudar procedimentos?

Não há mudanças sensíveis depois do acidente. Todos os pilotos da Air France estão dando mais atenção ao problema meteorológico. A zona do acidente é extremamente agitada do ponto de vista meteorológico e isso é um fator que contribuiu com o que aconteceu. Os pilotos são treinados para evitar as formações de tempestade de forma a não sofrer turbulências muito violentas. Mas não há como fazer uma rota sem encontrar essas tempestades, sobretudo à noite. E os aviões são preparados para isso. Não há motivo, nem possibilidade, de se modificar a regra básica: contornar as tempestades.

Por que a troca dos sensores externos de velocidade, os pitots, nos modelos Airbus A330 e A320 foi acelerada depois do acidente?

Em agosto de 2008 tivemos incidentes de givrages (gelo que se formava dentro dos sensores de velocidade). Quando isso acontece, as informações sobre velocidade são desencontradas. Há procedimentos que o piloto faz para conduzir o avião corretamente até que o gelo desapareça. Foram sete incidentes registrados até outubro. Procuramos a Airbus para saber se seria útil trocar esses sensores. O construtor respondeu que não. Em abril de 2009, a Airbus nos informou que testes mostraram que a sonda BA poderia reduzir significativamente os incidentes de givrage e nos propôs fazer a troca em dois aviões, para ver o que aconteceria. Em 27 de abril, respondemos que preferíamos mudar as sondas de todos os aviões. A troca começaria em 1º de junho. Mas não podemos dizer que, se a troca tivesse sido feita antes, o acidente teria sido evitado. Não sabemos se foi um problema de givrage.

Como está o processo de indenização das famílias das vítimas?

Foi feito um adiantamento de 17 mil para cada família. As indenizações serão discussões mais longas entre as famílias e as seguradoras. Essas conversas começam na semana que vem.

A imagem da Air France no Brasil foi atingida? A venda de passagens caiu?

Houve queda apenas na primeira semana após o acidente. Hoje não percebemos nada.

 

 

O Estado de São Paulo
02/07/2009

Mais 17 estrangeiros e 4 brasileiros identificados
Angela Lacerda

Mais 21 corpos de vítimas do acidente do voo 447 da Air France foram identificados - quatro deles brasileiros e 17 estrangeiros. O anúncio foi feito ontem pela força-tarefa encarregada da identificação e necropsia dos 51 corpos resgatados do total de 228 pessoas - entre passageiros e tripulantes - que viajavam a bordo do Airbus que desapareceu na noite de 31 de maio, cerca de quatro horas depois de deixar o Rio com destino a Paris.

Segundo a força-tarefa, composta pela Polícia Federal e pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, as 21 novas identificações - que, somadas às 14 já realizadas, totalizam 35 - foram feitas com base em impressões digitais, arcadas dentárias e exames de DNA.

Dos 35 identificados, 14 são brasileiros - sete do sexo masculino e sete do feminino - e 21 estrangeiros, sendo 12 mulheres e 9 homens. Os parentes, avisados das identificações antes do anúncio à imprensa, não autorizaram a divulgação dos nomes.

Depois de identificados no Instituto de Medicina Legal (IML), os corpos são embalsamados no Cemitério e Funerária Morada da Paz, no município metropolitano de Paulista. De lá são transportados para o Rio, de onde seguem para seus locais de origem. Os primeiros 14 corpos liberados pela força-tarefa já passaram pelo processo e foram enviados ao Rio. A força-tarefa continua suas atividades até que as últimas 16 vítimas sejam identificadas.

 

 

Folha de São Paulo
02/07/2009

Por 13 horas, menina esperou resgate agarrada a destroços
DA REDAÇÃO

A menina que sobreviveu ao acidente com o avião do Iêmen, que caiu no oceano Índico com 153 pessoas a bordo na madrugada de anteontem, esperou por mais de 13 horas pelo barco que a resgatou, agarrada a destroços da aeronave.

O avião em que estava Bahia Bakari, 12, voava do Iêmen para as ilhas Comores, a 300 km da costa oriental africana. O trecho era uma conexão de um voo que trouxe passageiros da França.

Bahia, que viajava ao lado da mãe, disse que foi jogada para fora do avião e que, ao cair na água, ouvia pessoas falando, mas não via ninguém porque estava escuro, segundo relatos do pai, que vive na França e conversou com Bahia por telefone.

A sobrevivente, que é comorense, sofreu fratura na clavícula e queimaduras em uma perna. Internada nas ilhas Comores, ela passa bem e ainda não sabe que sua mãe não foi resgatada.

Ontem, nada foi encontrado pela equipe de buscas. Dos passageiros, 75 eram comorenses, 65 franceses, um canadense e um palestino.

 

 

Folha de São Paulo
02/07/2009
Identificados mais 21 corpos do voo da Air France
Cadáveres são de quatro brasileiros e 17 estrangeiros; 51 foram resgatados até agora
14 já foram entregues às famílias; dificuldades para concluir trabalho se devem à demora de alguns países em repassar informações

FÁBIO GUIBU - DA AGÊNCIA FOLHA, EM RECIFE

Peritos da Polícia Federal e do IML de Recife (PE) anunciaram ontem a identificação de mais 21 corpos de vítimas do voo 447 da Air France -51 foram resgatados até agora.

Os identificados são quatro brasileiros -dois homens e duas mulheres- e 17 estrangeiros -seis homens e 11 mulheres. Os nomes e nacionalidades dos estrangeiros não foram divulgados.

Em 24 dias de trabalho, os legistas identificaram 35 dos 51 corpos resgatados. Quatorze deles já foram embalsamados e entregues aos familiares. Os peritos enfrentam dificuldades para concluir o trabalho devido à demora de alguns países em enviar informações pessoais dos estrangeiros.

Das últimas 21 identificações, cinco vítimas foram reconhecidas por exames odontológicos, oito por meio de análise do DNA, duas pela arcada dentária e impressões digitais e seis pela arcada dentária e DNA.

A causa da morte da maioria das vítimas ainda não foi divulgada. Perícia feita nos três primeiros corpos reconhecidos revelou que eles morreram de politraumatismo, ou seja, em consequência de lesões provocadas por forte impacto.

Segundo o médico José Calvo, chefe da equipe responsável pelo embalsamamento dos corpos, apesar de as lesões terem sido "muito bem documentadas", não é possível associá-las a provável causa do acidente, porque "há toda uma dinâmica de engenharia e de perícia".

O Airbus caiu no mar em 31 de maio, a cerca de 1.400 km da costa de Recife. A aeronave, que fazia a rota Rio-Paris, levava a bordo 228 pessoas de 32 nacionalidades. A França apura as causas do acidente.

Além dos 51 corpos, as equipes de resgate da Marinha e Aeronáutica do Brasil recolheram cerca de 600 pedaços do avião. As peças, que não apresentam sinais de chamuscamento ou deformações por fogo, foram entregues ao governo francês para análise.

As buscas aos corpos terminaram em 26 de junho. Os militares cobriram uma área de 350 mil km2, o equivalente a 3,6 vezes o território de Pernambuco. As Forças Armadas mobilizaram na ação 1.344 homens da Marinha e 268 da Aeronáutica, em 11 navios e 12 aeronaves.

A França mantém embarcações e submarino nuclear na área provável do acidente, em busca da caixa-preta do avião. O equipamento, que contém informações sobre o voo, já pode ter parado de emitir os sinais de rastreamento.

 

 

O Dia
02/07/2009

Avião da Air France caiu como tijolo, diz ex-chefe do Cenipa

Rio - O comandante Douglas Ferreira Machado, especialista em segurança, ex-chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), afirmou que o relatório do Escritório de Pesquisa e Análise da França (BEA), sobre o acidente com o voo AF 447, que caiu no Oceano Atlântico no início de junho, não deixa dúvidas - "ocorreu um impacto muito forte na água e a aeronave caiu como um tijolo."

Machado, que também é professor de Ciências Aeronáuticas do Instituto do Ar, da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, explicou que na queda, a partir de uma certa velocidade, "a água se comporta como um cimento."

Confira abaixo a entrevista com o ex-chefe do Cenipa:

O primeiro relatório do Escritório de Pesquisa e Análise da França (BEA), sobre o acidente com o voo AF 447, que caiu no Oceano Atlântico no início de junho, aponta que a aeronave não se partiu no ar e caiu inteiro e de barriga no mar. Segundo o chefe das investigações, Alain Bouillard, a aeronave tocou a água com a parte inferior da fuselagem, em uma velocidade muito alta. O senhor esperava isso?

É uma informação muito forte. Eu imaginava que o avião tinha se desfeito no ar e caído em pedaços. Os destroços encontrados não me parecem dar informações precisas para dizer isso. O BEA, que é muito sério, provavelmente tenha mais informações para fazer essa afirmação. Mas isso nos leva a pensar que o avião estolou - o voo estava tão devagar, que chegou a um ponto que o avião não voou mais e caiu. Não deixa dúvida, ocorreu um impacto muito forte na água. A aeronave caiu como um tijolo. A partir da queda de uma certa velocidade, a água se comporta como um cimento.

As investigações também apontaram que, pelo fato de nenhum colete salva-vidas ter sido encontrado inflado, é possível que os passageiros não tivessem sido preparados para uma aterrissagem no mar. Que situação atípica pode ter acontecido nesse intervalo?

A tripulação foi pega de surpresa. Não deve ter havido falha de motor ou uma pane que o piloto tivesse um mínimo de tempo para reagir, pois é treinado por simulador para isso. Se não houve preparação para o pouso, a falha foi muito rápida. Não em termos de segundos, mas nas coisas que aconteceram dentro da cabine. A tripulação deve ter tido muito coisa para controlar. A demanda operacional, a quantidade de solicitações eram superiores as que eles podiam gerenciar.

Sem sobrevivente, sem a aeronave e sem a caixa-preta será possível determinar a real causa do acidente?

Não completamente. O importante é saber que eles (BEA) devem ter informações muito boas. O que dá para avaliar é que a pane elétrica não foi tão grande, porque o avião mandou informações, ou os destroços foram suficientes (para a obtenção dos primeiros resultados da investigação).

O Escritório de Pesquisa e Análise da França (BEA) identificou que o Airbus enviou à Air France 26 mensagens de manutenção por um sistema via satélite durante o voo. Duas delas foram emitidas logo após a decolagem e indicavam pequenos problemas nos banheiros. As outras 24 mensagens foram enviadas entre 2h10 (GMT) e 2h15 (GMT) e apontam incoerência entre as velocidades medidas, em especial a que é medida pela sonda pitot. A incoerência entre as velocidades indicadas pode ser apontada como causa do acidente?

As duas primeiras não afetam a segurança. Às vezes, são mensagens dizendo que está faltando água ou há problema na descarga. Isso afeta só comercialmente, não a segurança. Se fosse algo como fogo, a conotação seria outra.

As outras mensagens, apontando a incoerência entre as velocidades medidas, em especial a que é medida pela sonda pitot, apontariam um fator contribuinte, mas não a causa do acidente. Avião é muito seguro, tem tudo em redundância (duplo), como o medidor de velocidade. Isso provocou alguma confusão, dificuldades de entendimento para a tripulação, que começou a gerenciar mais um problema, mas não foi o causador do acidente. Não se deve pegar uma informação dessas, sem caixa-preta e sem testemunhas, e dizer que isso determinou o acidente. Mas eles (BEA) talvez tenham mais dados.

De acordo com o BEA, o controle do Atlântico tentou entrar em contato por três vezes com o AF 447 e não obteve sucesso. A última comunicação por rádio com o Atlântico ocorreu a 1h35 (GMT). O último sinal emitido pelo Airbus foi às 2h10 (GMT). Apenas entre 8h e 8h30 que os centros de controle regionais de Brest (França) e Madri (Espanha) emitiram o aviso de desaparecimento. É possível identificar o motivo pelo qual se passou tanto tempo entre o último contato e o início das buscas?

As empresas consideram que o avião pode ter tido um problema maior de comunicação. Internacionalmente, se espera o combustível a bordo se esgotar para depois agir. Se um avião deixou de transmitir uma informação, pode ser que tenha um problema de interferência ilícita (como sequestro), pode ser problema técnico (falha de comunicação ou pane). Tem mil possibilidades. Todos os controles ficam sabendo, mas não fazem nada porque não sabem o que está se passando - ninguém está vendo ele no radar e não sabe para onde foi. É preciso ter paciência.

Numa situação dessas, os centros perguntam para o primeiro que se comunicou com a aeronave quanto tempo o avião tem de autonomia. Todo mundo fica nervoso, mas ninguém faz nada errado. É melhor ficar todo mundo aguardando. Quando passa esse período, o dono do avião é que vai tomar a primeira providência. Se não for a empresa aérea, será uma autoridade de governo. Durante os voos, cerca de uma hora antes do pouso, a companhia recebe a informação do avião sobre a sua localização. A Air France tem contato via satélite para fazer o acompanhamento. Essa localização é de interesse comercial (para gerenciar embarques e desembarques nos aeroportos), mas o processo tem um derivativo - que é a segurança.

Página Principal