Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quinta-Feira, 20 de Julho de 2017
01/12/2009

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O Globo Online
01/12/2009 às 21h41

Diretoria da Anac aprova restrição para voos fretados no aeroporto de Guarulhos
Erica Ribeiro

RIO - A diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou no final da tarde de terça-feira medida que inclui os voos fretados no limite de capacidade operacional do aeroporto internacional de Cumbica (Guarulhos), estabelecido em 45 movimentos (pouso ou decolagem) por hora. Até então, os voos de fretamento não precisavam se adaptar a esse movimento, já respeitado pelas empresas aéreas com voos regulares.

O objetivo da medida, de acordo com a Anac, é evitar a concentração em um mesmo horário de voos regulares e fretados e, com isso, reduzir filas e evitar o caos no aeroporto no período de festas de fim de ano como aconteceu em 2006 e 2007. Naquela época, os passageiros enfrentaram filas e tumulto nos aeroportos. A restrição é apenas para Guarulhos,dezembro a março de 2010.


"Se a Anac garante que os voos regulares não serão prejudicados, isso é importante. E se a mudança faz com que o aeroporto funcione bem, sem tumultos, melhor ainda "


A portaria entra em vigor assim que for publicada no Diário Oficial da União, o que deve acontecer até o fim da semana. Procuradas, as companhias aéreas TAM e Gol informaram que a decisão da Anac não irá afetar o movimento já previsto em Guarulhos para a temporada.

E afirmam também que a medida não abre espaço para que o aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão) receba mais voos fretados. Isso porque em horários que não são considerados de pico, o aeroporto de Guarulhos tem capacidade para comportar horários de voos de fretamento sem prejudicar a operação de voos regulares.

- Se a Anac garante que os voos regulares não serão prejudicados, isso é importante. E se a mudança faz com que o aeroporto funcione bem, sem tumultos, melhor ainda. Guarulhos tem problemas como poucas esteiras, falta de fingers (túneis móveis de acesso à aeronave) e se a mudança for para melhorar o atendimento, isso é bom. Mas não vai beneficiar o Galeão - dizAlberto Fajerman, diretor de Relações Institucionais da Gol/Varig

Segundo Fajerman, Guarulhos tem horários onde há de 21 a 28 movimentos por hora, entre 13h e 16h, por exemplo, o que aponta a capacidade de adaptação de horários. A TAM informou que a medida não causará impacto nos fretamentos e nos voos regulares.

De acordo com a Anac, na prática, as companhias aéreas que tiverem aviões alugados para fretamento terão que informar à Infraero e ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) o horário solicitado. A autorização só acontecerá se estiver dentro dos 45 movimentos por hora exigidos para aquele horário. Ainda segundo a Anac, já foram solicitados 246 voos fretados para o aeroporto.

A partir desta quarta-feira, TAM e Gol retomam voos que foram transferidos para o Galeão em setembro, para obras na pista principal do Santos Dumont. Somente a ponte aérea foi mantida para as duas empresas. Azul, Ocean Air e Webjet não precisaram transferir seus voos para o Galeão porque o peso de suas aeronaves permitia a operação na pista auxiliar do Santos Dumont.

A TAM volta a voar para Aracaju, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Vitória. A Gol volta a operar voos para Brasília, Vitória, Belo Horizonte e Salvador.

 

Valor Econômico
01/12/2009
Aviação: Aeroporto de Guarulhos fica limitado a receber até 45 pousos ou decolagens por horaAnac freia voos e expansão do setor doméstico pode cair de 12% para 8%
Alberto Komatsu e Paola de Moura, do Rio

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deve aprovar hoje, em reunião de diretoria, a imediata restrição de voos no aeroporto internacional de Guarulhos (Cumbica) para 45 pousos ou decolagens por hora, revela a presidente da agência, Solange Paiva Vieira. Em horários de pico, o aeroporto chega a até 49 movimentos por hora. Para as companhias aéreas, a medida limita sua capacidade de expansão em São Paulo, com a transferência de novos voos para o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão) e para Confins (Minas Gerais). .

Especialistas ouvidos pelo Valor criticam a medida e dizem que ela não só freia o crescimento do setor aéreo como também da economia brasileira, já que grande parte das importações e exportações se dá por via aérea. As restrições têm como foco evitar transtornos nos aeroportos, principalmente no período das festas do fim de ano.

O diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins, diz que, embora as companhias aéreas não concordem, elas já vêm operando em torno desse limite. "Toda a vez que você diz para um empresário que ele não pode crescer, você está matando o cara", afirma Jenkins. Ele lembra que a Anac também não vai conceder mais autorizações para novos voos em Guarulhos, assim como já ocorre em Congonhas. Consultada pelo Valor, a Gol, a segunda maior companhia aérea do país, informou que desconhece a medida a ser aprovada hoje pela Anac, mas vai acatá-la. A líder do setor TAM não respondeu à reportagem.

Daqui seis meses, caso os limites em Guarulhos não sejam suficientes para garantir a prestação de serviços com qualidade aos passageiros, Solange Vieira afirma que a restrição poderá ser ainda maior.

Os próximos aeroportos que terão limites, a partir do segundo semestre de 2010, serão os de Brasília, que tem hoje em torno de 38 pousos e decolagens por hora, e Viracopos, em São Paulo, que terá limites na operação dos terminais e não na pista. A presidente da Anac estima que estas restrições durem até dois anos, em função das obras de ampliação que devem ocorrer nos terminais por conta da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Solange Vieira estima que os limites para pousos e decolagens impostos em Guarulhos, Brasília e Viracopos vão limitar o crescimento do fluxo de passageiros transportados no mercado doméstico em 2010, que deverá ter expansão de 8%. Esta taxa é pouco superior a ano passado, de 7,4%, ano em que a crise econômica mundial afetou a aviação comercial. Desde 2004, a demanda por voos nacionais vem crescendo acima de 10%. Para este ano, Solange Vieira prevê alta de 12% no fluxo de passageiros transportados no país. Com as limitações nos aeroportos, ela acredita que esse ritmo, de dois dígitos, só volte a partir de 2011.

Ao ser questionada se não tem receio de a limitação em Guarulhos ser considerada impopular, Solange Vieira diz: "Acho que as piores brigas já se foram, com a liberação de tarifas, preços e rotas nos aeroportos. Agora as limitações que têm de acontecer são de capacidade e a Anac está procurando trabalhar de forma que os voos sejam redistribuídos dentro do horário do aeroporto".

A restrição na operação de aeroportos vai afetar, temporariamente, a competição no mercado nacional, segundo a presidente da Anac. Isso porque as companhias aéreas de menor porte não terão acesso aos grandes aeroportos. "O problema das limitações de infraestrutura é que elas limitam o avanço, o crescimento das menores. Acaba solidificando o mercado do tamanho que ele está e o crescimento do setor passa a ser pautado pelos aeroportos com capacidade ociosa", diz Solange.

O presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo, Respício do Espírito Santo, também fez fortes críticas à estratégia de impor limite aos pousos e decolagens em Guarulhos. "Isto é um atestado de incompetência não só da Anac, mas também do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e da Infraero", diz o especialista. Segundo Respício, há várias tecnologias de gestão que podem otimizar o tráfego aéreo, sem causar danos. Um dos exemplos citados pelo especialista é o aeroporto JFK, em Nova York, que opera com intervalo entre poucos de decolagens muito menor do que o do Brasil. "É preciso atualizar os softwares e mudar o conceito do negócio", afirma.

Além disso, diz Respício, a medida cria um gargalo para a economia do país. Ele lembra que há um grande percentual de importações e exportações de cargas que passam pelo aeroporto. E se o país vai crescer, o volume transportado por aviões tenderia a crescer.

O Rio de Janeiro, por sua vez, pode ser beneficiado pela medida, que pode ser anunciada hoje pela Anac. "Isso (limite de operação em Guarulhos) vai aumentar muito o movimento no Galeão, que precisa de obras para a complementação do terminal 2 e melhorias no terminal 1", diz o consultor aeronáutico Paulo Bittencourt Sampaio.

A presidente da Anac não acredita em nova guerra tarifária em 2010, porque as empresas terão se esforçar para melhorar suas margens de rentabilidade. Solange conta que, até o final deste ano, a Anac vai concluir uma remodelagem na sua gestão, que está sendo delineada pela consultoria Ernest & Young. Um dos primeiros resultados desse trabalho, que também será colocado em votação hoje, é o realinhamento de diretorias. Como algumas passarão a cuidar de novas áreas, outras perderão atribuições.

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