Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017

01/07/2009

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Estadão
01/07/2009

Sinal de caixa-preta do Airbus da Yemenia é detectado
Informação foi dada por ministério francês; prioridade será busca por corpos e destroços do avião

PARIS - O sinal de uma das duas caixas-pretas do avião da companhia aérea Yemenia que caiu no Oceano Índico na terça-feira foi captado por um avião militar francês, disse à BBC Brasil a porta-voz do ministro francês da Cooperação, Alain Joyandet, nesta quarta-feira, 1, em Comores. O avião, com 153 pessoas a bordo, caiu depois de enfrentar mau tempo. Apenas um sobrevivente foi encontrado - uma menina de 14 anos.

"Às 4h30 da tarde (de terça-feira), hora local (9h30, hora de Brasília), foi captado o sinal de uma das balizas da caixa-preta, a 40 quilômetros da costa e a 300 metros de profundidade", afirmou. Segundo a porta-voz, nos próximos dias será montada uma operação com mergulhadores para procurar a caixa-preta. Ela ressaltou, no entanto, que não existe nenhuma garantia de que a baliza ainda esteja acoplada à caixa-preta - ela pode ter se soltado com o impacto da queda da aeronave. "Hoje a prioridade é continuar a busca por corpos e destroços do avião. Nós iremos procurar a caixa-preta assim que possível, nos próximos dias."

A possível localização dos sinais de uma das caixas-pretas ainda não foi confirmada pela companhia aérea Yemenia. "Ainda não temos uma confirmação oficial dessa informação", disse à BBC Brasil o vice-diretor de operações da empresa, Mohammed al-Sumairi. O órgão francês que participa das investigações sobre as causas do acidente (BEA, na sigla em francês) também não confirma a informação.

O voo IY626 era o trecho final de uma rota que se iniciou em Paris, com escala em Marselha, na França, e conexão no Iêmen até Comores. Havia 66 franceses a bordo, além de comorenses e cidadãos de países do Oriente Médio. Um navio francês foi enviado ao local para começar as operações de busca.

Com a queda do avião da Air France, próximo a Fernando de Noronha em 1º de junho, já são dois acidentes com aeronaves Airbus em um mês. O avião da Air France era um modelo A-330 e fazia a rota Rio-Paris. Segundo a Yemenia, o avião iniciou o processo de pouso, mas teve de interrompê-lo. A companhia culpou o mau tempo pelo acidente, dizendo que havia "uma forte ventania" no momento da queda.

Autoridades francesas haviam encontrado "defeitos" no Airbus A310 da Yemenia que caiu no Índico. O ministro francês dos Transportes, Dominique Bussereau, disse em uma entrevista à rádio Europe 1 e ao canal de TV iTélé que a aeronave "havia sido examinada em 2007 pela Direção Geral da Aviação Civil da França, que havia constatado alguns defeitos" nela. "A aeronave, após essa data, não reapareceu no território francês", afirmou o ministro.

Segundo Bussereau, a Yemenia não integrava a lista negra de companhias aéreas que apresentam problemas de segurança, "mas era objeto de controles reforçados por parte das autoridades francesas e deveria ser interrogada em breve pelo Comitê de Segurança da União Europeia". O ministro de transporte do Iêmen, Khaled al-Wazeer, disse que o avião passou recentemente por uma inspeção feita por técnicos da Airbus, que não encontraram nenhum problema. A Airbus informou que o avião datava de 1990 e tinha 51,9 mil horas de voo. Ele foi comprado "de segunda mão" pela companhia Yemenia em outubro de 1999.

 

 

Estadão
01/07/2009

Sobrevivente de queda de avião passou mais de 12h no mar
Jovem de 14 anos conta ao pai como esperou pelo resgate no Índico sem saber nadar e sem colete salva-vidas

SANA - "Papai, caímos na água. Ouvia pessoas falando perto de mim, mas não podia ver nada. Estava tudo escuro ao meu redor". Foi assim que Baya Bakari, a adolescente de 14 anos e única sobrevivente entre as 153 pessoas que estavam a bordo do Airbus A-310, da Yemenia, companhia aérea estatal do Iêmen, contou ao pai sobre o acidente e como esperou nas águas pelo resgate. A jovem passou mais de 12 horas na água sem saber nadar e sem colete salva-vidas.

Said Mohammed, um enfermeiro do hospital em que a jovem está hospitalizada, afirmou que ela ESA se recuperando bem e que os médicos devem dar mais detalhes de seu estado de saúde nesta quarta-feira, 1. O pai de Baya, Kassim Bakari, afirmou que falou com a filha mais velha por telefone depois do acidente. A adolescente e a mãe embaraçaram de Paris para visitar a família no arquipélago.

Em entrevista para uma rede francesa, o pai afirmou que a filha chorou bastante após o resgate e perguntou pela mãe, sem saber que está morta. "Quando conversamos por telefone, Baya perguntou onde estava a mãe. Dissemos que ela está viva, mas em outro local, para não traumatizá-la.

O sargento Said Abdilai disse para a rádio Europe 1 que resgatou a menina logo após ela ser vista no mar. Segundo ele, Baya não conseguiu agarrar a boia salva-vidas que as equipes de resgate lançaram, então o sargento saltou no mar para retirá-la.

O voo partiu de Paris, fez escala em Marselha, na costa francesa, e pousou em Sanaa, capital do Iêmen. Lá, os passageiros trocaram de avião e embarcaram no Airbus A-310, que fez uma escala em Djibuti, antes de seguir para Comores. Entre os passageiros, havia ao menos 66 franceses, além de canadenses, etíopes, marroquinos, iemenitas e palestinos.

O sinal de uma das duas caixas-pretas do avião da companhia aérea Yemenia que caiu no Oceano Índico na terça-feira foi captado por um avião militar francês, disse à BBC Brasil a porta-voz do ministro francês da Cooperação, Alain Joyandet, nesta quarta-feira, em Comores. "Às 4h30 da tarde (de terça-feira), hora local (9h30, hora de Brasília), foi captado o sinal de uma das balizas da caixa-preta, a 40 quilômetros da costa e a 300 metros de profundidade", afirmou.

Segundo a porta-voz, nos próximos dias será montada uma operação com mergulhadores para procurar a caixa-preta. Ela ressaltou, no entanto, que não existe nenhuma garantia de que a baliza ainda esteja acoplada à caixa-preta - ela pode ter se soltado com o impacto da queda da aeronave. "Hoje a prioridade é continuar a busca por corpos e destroços do avião. Nós iremos procurar a caixa-preta assim que possível, nos próximos dias."

 

 

Estadão
01/07/2009

Adolescente sobrevive à queda de avião no Índico
Jovem foi encontrada entre destroços da aeronave, que transportava 153 pessoas; Airbus da empresa iemenita havia sido banido na França
AFP, AP e Reuters, MORONI

Uma menina de 14 anos foi encontrada viva ontem em meio aos destroços do avião que caiu horas antes no Oceano Índico, perto das Ilhas Comores, na costa leste da África. Até a noite de ontem, a adolescente era a única sobrevivente entre as 153 pessoas que estavam a bordo do Airbus A-310, da Yemenia, companhia aérea estatal do Iêmen.

O governo de Comores e funcionários da Yemenia confirmaram que a jovem - uma comorense, segundo a Reuters - está internada em um hospital de Moroni, capital do arquipélago. "Seu estado de saúde não é preocupante", disse a porta-voz do Crescente Vermelho em Comores, Ramulati Ben Ali. Cinco corpos também foram resgatados.

Pela manhã, relatos vindos de Comores - uma ex-colônia francesa próximo à Ilha de Madagáscar - afirmavam que um menino de 5 anos também havia sobrevivido. No entanto, funcionários da companhia aérea não confirmaram a informação e disseram que perderam contato com o escritório local por causa do mau tempo.

O voo partiu de Paris, fez escala em Marselha, na costa francesa, e pousou em Sanaa, capital do Iêmen. Lá, os passageiros trocaram de avião e embarcaram no Airbus A-310, que fez uma escala em Djibuti, antes de seguir para Comores. Entre os passageiros, havia ao menos 66 franceses, além de canadenses, etíopes, marroquinos, iemenitas e palestinos.

Com a queda do avião da Air France, próximo a Fernando de Noronha em 1º de junho, já são dois acidentes com aeronaves Airbus em um mês. O avião da Air France era um modelo A-330 e fazia a rota Rio-Paris.

Segundo a Yemenia, o avião iniciou o processo de pouso, mas teve de interrompê-lo. A companhia culpou o mau tempo pelo acidente, dizendo que havia "uma forte ventania" no momento da queda.

Autoridades francesas, no entanto, discordaram da justificativa da Yemenia. Dominique Bussereau, ministro do Transporte, disse que o avião foi banido do território francês. "O A-310 em questão passou por uma inspeção em 2007 e foram encontradas diversas irregularidades", disse Bussereau. "A questão é: você pode recolher pessoas na França de uma maneira correta e depois colocá-las em um avião que não segue todas as regras de segurança?"

O ministro de transporte do Iêmen, Khaled al-Wazeer, disse que o avião passou recentemente por uma inspeção feita por técnicos da Airbus, que não encontraram nenhum problema.

 

 

O Estado de São Paulo
01/07/2009

Investigação do voo 447 deve ficar só em hipóteses
Terminou ontem, em tese, prazo para resgate das caixas-pretas
Bruno Tavares

Terminou na noite de ontem, em tese, o prazo que a Marinha francesa tinha para tentar rastrear os sinais emitidos pelas caixas-pretas do voo 447 da Air France no fundo do Oceano Atlântico. As baterias que forneceram energia para o funcionamento dos localizadores são projetadas para funcionar por 30 dias, mas ainda podem transmitir por mais alguns dias ou até semanas. Entretanto, o mais provável é que os investigadores franceses tenham de trabalhar apenas com os poucos dados técnicos de que dispõem hoje. "É péssimo para a aviação quando não se pode dizer com certeza o que aconteceu, mas isso não inviabiliza a investigação", ponderou um perito militar ouvido pelo Estado.

Para se ter ideia da importância das caixas-pretas em investigações complexas, essa pode ser a primeira apuração desde 1980 em que autoridades americanas e europeias têm de trabalhar juntas sem os dados de ao menos um dos gravadores (de voz e de dados), segundo reportagem do Wall Street Journal.

Sem essas informações, o Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA) devem se debruçar sobre hipóteses. Baseado em mapas meteorológicos e na sequência de mensagens automáticas transmitidas na noite de 31 de maio pelo Airbus A330 ao departamento de manutenção da companhia aérea, os peritos têm certeza de que o avião atravessava uma zona de turbulência quando, repentinamente, os computadores entraram em pane. Dois desses alertas, revelados na semana passada pelo site Eurocockpit, indicam falhas nos tubos de pitot, os sensores de velocidade do avião.

As sondas, instaladas próximas do bico do avião, são as únicas provedoras de informações de velocidade e altitude para os computadores do jato e têm um longo histórico de problemas de congelamento e obstrução. Nesses casos, os sofisticados sistemas informatizados da aeronave "enlouquecem" e deixam de funcionar corretamente - a maior parte das mensagens transmitidas pelo voo 447 é compatível com esse cenário. O que ainda não está claro para os peritos - e talvez jamais seja descoberto - é por que a possível pane dos computadores evoluiu para um desastre.

Nos últimos incidentes originados por supostas falhas nos tubos de pitot - entre eles um voo da TAM entre Miami e São Paulo, em 21 de maio -, as tripulações conseguiram contornar os problemas e pousar em segurança. Para tentar se chegar às hipóteses mais plausíveis sobre as causas do acidente, uma das possibilidades é testar diferentes cenários em simulador de voo. Ainda assim, dizem especialistas, será difícil saber como os pilotos reagiram às adversidades - tentaram alguma manobra, como reiniciar os computadores, ou simplesmente perderam o controle da aeronave? Só a caixa-preta poderia esclarecer.

Caso o BEA não consiga reconstruir o acidente, nada impede que sejam emitidas recomendações de segurança - objetivo primordial de toda investigação aeronáutica. No Brasil, por exemplo, a Aeronáutica finaliza o relatório sobre o acidente que matou em 2008 o dono da Avibrás (fabricante de material bélico), João Verdi Carvalho Leite, e a mulher dele. Até hoje, nenhum vestígio de corpos ou do helicóptero em que estavam foi encontrado.

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