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Segunda-Feira, 16 de Outubro de 2017
01/03/2009
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Folha de São Paulo
01/03/2009

Cortes na Embraer atingem mão-de-obra qualificada
Na maior unidade, em São José dos Campos, 233 engenheiros perderam o emprego
Demissões confirmam tendência verificada em estudo do Ipea, que prevê que salários maiores serão os mais atingidos pela crise

BRENO COSTA
DA AGÊNCIA FOLHA

Às 15h do dia 19 de fevereiro, o engenheiro paulista Roberto Figueiredo, 55, foi chamado pelo seu superior imediato na área de suporte a clientes da Embraer, na fábrica da empresa, em São José dos Campos (São Paulo), para uma conversa reservada. Quando acordou naquele dia, ele -desde 1980 na empresa- não tinha ideia de que, com sua experiência, poderia ser um dos 3.720 funcionários demitidos da maior unidade da Embraer no Brasil.

Além de Figueiredo, outros 232 engenheiros residentes em São José perderam o emprego no corte em massa. Essas demissões simbolizam uma das faces da crise econômica que, segundo comunicado oficial da empresa, foi a responsável direta pelas demissões por conta do desaquecimento da demanda externa por aeronaves.

Elas confirmam a tendência verificada em estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado pela Folha no domingo passado, que aponta que os salários maiores serão os mais atingidos pela crise.

Ainda de acordo com o estudo do Ipea, esses funcionários, com rendimento mensal acima de R$ 4.650, terão mais dificuldade para encontrar um novo emprego.

A reportagem apurou com funcionários que continuam na Embraer que os cortes na área de engenharia obedeceram, majoritariamente, à lógica dos salários mais altos, independentemente do tempo de casa do funcionário.

Segundo dados informados pela Embraer à Prefeitura de São José dos Campos e repassados à Folha pela prefeitura, 91 dos 233 engenheiros demitidos têm mais de 36 anos de idade. Desses, 26, como Figueiredo, já passaram dos 50.

Folha de pagamento

A estimativa apurada pela reportagem com base nos níveis salariais recebidos pelos funcionários do setor de engenharia da Embraer, de acordo com informações de engenheiros que continuam trabalhando na empresa, é que as demissões no setor gerem uma economia de pelo menos R$ 21 milhões anuais na folha de pagamento da empresa.

O valor da economia na folha de pagamento somente com o setor de engenharia já representa metade do enxugamento na folha do contingente operacional da Embraer, ou seja, os "chão-de-fábrica".

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a média salarial no setor operacional, que sofreu 1.826 cortes na cidade, é de R$ 2.200 mensais. Com isso, a economia deve girar em torno de R$ 52 milhões por ano.
Mas, além dos engenheiros, outros setores com salários mais altos do que a média dos metalúrgicos também sofreram cortes. Foram demitidos 24 gestores e supervisores, 5 pilotos de avião e 173 técnicos.

No caso dos engenheiros, a situação futura é mais grave porque a maioria deles tem formação muito focada no setor aeronáutico, inclusive com doutorados na área.

O caso de Roberto Figueiredo, que só tem graduação, na área de engenharia eletroeletrônica, mas que foi adquirindo experiência em várias áreas dentro da empresa ao longo dos anos, é uma exceção entre os engenheiros demitidos da empresa, apurou a reportagem.

Mesmo assim, Figueiredo, que acreditava que iria se aposentar dentro da Embraer até os 60 anos, diz estar "apreensivo" sobre o futuro profissional.

"Vou ter de me preparar para usar meu conhecimento em áreas correlatas. A demissão é sempre um trauma, mas sou muito racional. Ficar me descabelando, me desesperando neste momento não é o melhor caminho. Mas fico apreensivo. Já vi essa crise outras vezes dentro da empresa. Ela é muito desgastante para as pessoas que saem e para as pessoas que ficam lá dentro. É um desgaste psicológico muito grande."

 

 

Folha de São Paulo
01/03/2009

Sem crédito, cliente cancela pedido de avião
FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A falta de crédito para financiamento de aviões é o principal componente da crise responsável pelo impacto nos negócios da Embraer, que demitiu cerca de 4.200 funcionários.

De acordo com funcionários da empresa que pediram para não ser identificados, cerca de 80% dos clientes que optaram por adiar o recebimento de aviões encomendados tomaram a decisão depois que bancos negaram empréstimos. Em alguns casos, o dinheiro estava garantido, mas a instituição voltou atrás.

Os outros 20% pediram o adiamento alegando previsão de queda na demanda por voos. Mais de 90% da produção é destinada ao mercado externo, principalmente América do Norte (45%) e Europa (17%), regiões fortemente afetadas pela crise.

Com o grande número de pedidos de adiamento, a Embraer reviu para baixo a previsão de entrega de aeronaves em 2009 para 142 -foram 204 em 2008. Na aviação comercial, que responde por 63% da receita da empresa, devem ser entregues 115 jatos.

Se confirmado, o resultado vai representar um recuo de 29% em relação a 2008, quando a Embraer entregou 162 aviões comerciais. Levando-se em consideração o preço (US$ 33 milhões) do modelo 170, o mais barato da família 170/190 de jatos comerciais da fabricante, a diferença de 47 aeronaves representa cerca de US$ 1,5 bilhão (R$ 3,5 bilhões) a menos no caixa.

Antes do agravamento da crise, em setembro, a Embraer previa entregar até 350 aviões neste ano. Para dar conta dos pedidos, a empresa aumentou o número de funcionários, que saltou de 19,2 mil em 2006 para 23,7 mil em 2007, e abriu um terceiro turno de produção.

A Folha apurou que o terceiro turno em São José dos Campos pode acabar. Via assessoria, a Embraer disse que essa alteração "não está em vista".

 

 

Folha de São Paulo
01/03/2009

"Falta de greve geral não é apatia", diz sindicalista
Centrais menores propõem até MP contra cortes
DA REPORTAGEM LOCAL

O fato de as centrais sindicais não realizarem greves gerais ou manifestações de grande porte não quer dizer que estejam "apáticas" ou "passivas", afirma Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

"O movimento sindical tem admiração pelo presidente Lula e por sua história, assim como 84% aprovam sua atuação. Mas nos diferenciamos da CUT e da Força Sindical por não ocuparmos cargos no governo. Não estamos subordinados ao governo, fazemos críticas", diz.

Em documento enviado ao Planalto no final do ano passado, a UGT pede a criação de um fundo para que pequenas e microempresas possam ter acesso facilitado ao crédito. "Estamos cobrando ainda para que as reformas política, tributária e sindical saiam do papel."

A CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), formada por sindicatos que deixaram a CUT e são ligados ao PC do B, defende a realização de uma greve geral contra as demissões, a exemplo do que ocorreu no governo FHC. A proposta deve ser rechaçada por CUT, Força, UGT e Nova Central Sindical por acreditarem que esse não é o momento de propor greve geral já que prejudicaria os trabalhadores.

"O governo tem tomado medidas de fôlego curto para ajudar as empresas. A política econômica não traz desenvolvimento nem renda para o país. Por isso, nós e as demais centrais estamos unidas e devemos fazer atos em conjunto. Vamos propor uma greve geral, de ao menos 24 horas, para pedir mudanças. Não há outra forma", afirma Wagner Gomes, presidente da central.

Para ele, a atuação do governo Lula na questão das demissões da Embraer foi "decepcionante". "Não adianta negociar um pacote aos demitidos. Tinha é de ter exigido contrapartida, manutenção de empregos, quando o BNDES emprestou recursos para a Embraer."

A Conlutas defende que o governo Lula interfira de forma direta nas demissões. "A saída é editar uma medida provisória que permita estabilidade no emprego. Já enviamos documento ao governo para que avalie essa proposta", afirma José Maria de Almeida, presidente da Conlutas.
Contrária à redução de salários, à suspensão de contratos de trabalho e até a banco de horas nas empresas, a central passa por uma prova de fogo ao ter de encontrar uma saída para as 4.200 demissões feitas pela Embraer, em São José dos Campos. O sindicato dos metalúrgicos da cidade, que representa os funcionários da empresa, é ligado à Conlutas. Anteontem, as centrais fizeram ato em conjunto na porta da empresa, e o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) chegou a conceder uma liminar suspendendo as demissões.

Na opinião de José Calixto Ramos, presidente da Nova Central Sindical, nenhuma central tem "um remédio pronto" para resolver a situação. "Não podemos ceder às pressões de empresários para retirar direitos. Temos de agir com bom senso, seguindo a orientação do Ministério Público do Trabalho. Fazer acordo para abrir mão de salário não pode ser a regra."

Antonio Neto, presidente nacional da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), diz que as empresas que demitiram se precipitaram. "Algumas montadoras, por exemplo, estão correndo contra o prejuízo devido ao corte na produção. Quem quer comprar carro novo tem de esperar 60 dias." Para ele, a redução de jornada e de salários é um "tiro no pé".
(CLAUDIA ROLLI E FÁTIMA FERNANDES)

 

 

Zero Hora
01/03/2009 - 23h38min

Pequeno avião com seis pessoas desaparece após decolar de Caracas
Aeronaves de auxílio fazem buscas na noite deste domingo

Um pequeno avião com seis pessoas que partiu por volta de meio-dia deste domingo de Caracas em direção a cidade de Valera foi dado como desaparecido, informa o Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (Inac) da Venezuela.

O piloto em seu último contato com a torre de controle do aeroporto de Valera assinalou que faltava apenas seis minutos para chegar a seu destino final, a capital do Estado de Trujillo, cerca de 602 quilômetros de Caracas, informou o Inac a meios de imprensa nacionais.

Funcionários do aeroporto internacional da cidade de Barquisimeto, sobrevoada previamente pelo pequeno avião, confirmaram seu desaparecimento e as versões do Inac que indicavam que as condições meteorológicas na região eram adversas na rota Caracas-Valera.

O Inac acrescentou que durante toda a noite diversas aeronaves de auxílio continuarão a busca pelo pequeno avião.

 

 

Mercado e Eventos
28/02/2009

Ryanair estuda possibilidade de cobrar uso de toaletes a bordo

A irlandesa Ryanair, companhia aérea líder na europa no segmento "low cost, low fare", surgiu com a possibilidade de cobrar uma libra (R$ 3,40) para passageiros que queiram usar os toaletes a bordo. Segundo o diretor executivo da empresa, Michael O'Leary, tal medida irá baratear ainda mais os preços das passagens.

"Nossa política consiste em encontrar maneiras de aumentar as receitas para poder, assim, baratear o custo da viagem. Essa questão já havia sido contemplada no passado e agora voltamos a ela", afirmou. Na semana passada, a empresa anunciou a eliminação, em breve, de todos os pontos de atendimento nos aeroportos para que os usuários façam seus check-in pela internet.

 

 

Portal Exame
27/02/2009 - 20h57

Embraer vai recorrer da suspensão de demissões
Justiça congelou o corte de 4 200 trabalhadores da companhia nesta sexta-feira

A Embraer informou que vai entrar ainda nesta sexta-feira com um recurso no Tribunal Regional do Trabalho de Campinas contra a liminar que suspendeu as demissões de mais de 4 00 funcionários até o dia 5 de março.

Em nota, a empresa diz que a decisão judicial não a obriga a reintegrar os empregados e que precisa “se ajustar à drástica redução da demanda”.

O TRT decidiu congelar até o dia 5, quando ocorrerá uma reunião da empresa com trabalhadores para se tentar um acordo.

A Embraer anunciou corte de 20% de sua força de trabalho, cerca de 4 200 funcionários, na semana passada afirmando que a crise internacional pesou sobre as encomendas de aeronaves.

O presidente da companhia, Frederico Curado, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esta semana, quando manteve as demissões e afirmou que houve uma queda de 30 por cento nas encomendas até 2012 por cancelamentos ou adiamentos.

A suspensão das demissões ocorreu após pedido de liminar pelos sindicatos de metalúrgicos de São José dos Campos e Região e de Botucatu, em São Paulo.

Em nota, o sindicato de São José dos Campos afirma que a companhia "não estabeleceu nenhum tipo de negociação antes de oficializar a demissão em massa".

Se um acordo não for alcançado na audiência de conciliação de 5 de março, o caso vai para seção de dissídios coletivos do tribunal, onde será julgado por uma junta de 12 desembargadores, informou a assessoria de imprensa do tribunal.

A decisão sobre a continuidade das suspensões durante o julgamento dependerá de decisão de juiz na audiência da próxima semana.
Com Reuters

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