Informe AMVVAR
21/10/2008
TRINTA MESES
Prezado Senador Álvaro Dias,
Somos grato ao senhor por ser um dos parlamentares que com mais freqüência tem feito pronunciamentos sobre o problema do Aerus, dos aposentados e demitidos da Varig e o que estamos passando. Na verdade, neste mês de outubro de 2008 já são decorridos trinta meses desde a intervenção/liquidação dos planos Varig de aposentadoria no nosso fundo de previdência privada. Para que possa ter uma idéia, no meu caso em particular, trabalhei exatos 353 meses na Varig e durante 228 meses, contribuí para o Aerus junto com a própria empresa. Ao usar o mês como referência, quero chamar a atenção para esse período de 30 dias quando todas as nossas necessidades e compromissos se repetem inexorávelmente. Cada trabalhador demitido da Varig, aposentados e pensionistas têm seus próprios números de meses de trabalho e contribuições, assegurando seu direito de todo mês receber um valor que lhe permita viver com dignidade.
A recente admissão de débito do governo para com os trabalhadores e aposentados da Varig por parte da AGU, só vem confirmar que a questão envolve um processo de devolução do que nós pagamos, seguindo normas estabelecidas pelo próprio governo para o funcionamento de entidades de previdência privada. Essa admissão deveria acelerar os mecanismos do ressarcimento de nossos direitos bem como dar início a procedimentos legais que exponham à sociedade (até pelo valor profilático) os desmandos e irresponsabilidades praticados contra os trabalhadores. Não se pode esquecer que uma das fontes de custeio do Aerus, os 3% do valor das passagens, deixaram de ser repassados ao fundo em 1991, mas NÃO deixaram de ser coletados dos usuários de transporte aéreo. E pior que isso, essa medida foi tomada por um órgão do governo totalmente alheio à questão da previdência complementar, o DAC.
Não é preciso narrar exaustivamente os fatos e irresponsabilidades que, alheios à nossa vontade, nos levaram a essa lamentável situação, pois já são bastante conhecidos daqueles aos quais cabem decisões que façam justiça a quem dela depende. Basta dizer que optar por assegurar o futuro em associação com o governo pode ser uma mistura letal, se não forem mantidos os contratos originais. Isto porquê trabalhadores não fazem investimentos arriscados para a aposentadoria. Fazem poupança e dependem do sistema, leia-se governo, para que essa poupança se transforme realmente em aposentadoria. Se mesmo um investidor calejado como o bilionário Warren Buffett admite....... "No mundo dos negócios, o espelho retrovisor tem mais claridade do que o parabrisas", imagine um trabalhador ocupado em produzir e olhar de vez em quando para trás, para o que descontou para se aposentar sem nenhum controle à frente sobre esses recursos.
Para que esses trinta meses não se prolonguem para trinta e dois ou além e compliquem ainda mais a nossa triste situação, peço e agradeço ao senhor e demais parlamentares que continuem a luta ao nosso lado.
Muito obrigado,
Cmro.
Bolognese
ASSESSOR IMPRENSA AMVVAR-2008
jcbwings@gmail.com