![]() O Dia do Trabalho, que em primeiro de Maio celebra conquistas e aponta avanços a realizar, pode ser festejado, ou lembrado com tristeza e esperança, conforme se encontre cada categoria ou grupo de trabalhadores em particular.
Nos tempos de hoje, as pessoas que conseguem completar o ciclo produtivo de suas vidas e se aposentar adequadamente, podem ver o primeiro de Maio como data a ser comemorada. Outros que continuam ativos, com seus direitos de trabalhador respeitados pelos empregadores e protegidos pelas instituições, também devem celebrar o Dia do Trabalhador, embora seja prudente manterem-se alertas, pois as armadilhas da política e do mercado e as incertezas das leis, podem guardar surpresas desagradáveis.
Uma terceira situação, que remete para os primórdios da luta pelo respeito ao trabalhador, e torna amarga a passagem do primeiro de Maio, é aquela onde se encontram pessoas que ao longo da vida trabalharam e contribuíram, mas não estão sendo pagas por trabalho executado, e se aposentadas, estão perdendo suas pensões e rebaixando sua condição de vida. Para nós, trabalhadores do grupo Varig, que sabemos o significado do Primeiro de Maio, queremos lembrá-lo com o espírito de 11 de abril de 2006, dia em que às centenas, confiantes no triunfo da razão, tomamos as avenidas e praças da capital federal em busca daquilo que o passar do tempo só faz aumentar a nossa certeza de que tínhamos uma solução viável para a recuperação da Varig, nossos empregos e aposentadorias mas sobretudo, a continuidade de um serviço de qualidade para o país. Quem vivenciou o caos aéreo que se seguiu sabe do que estamos falando.
Em Brasília em 11 de abril de 2006, de porta em porta na Câmara e no Senado, nas ruas e em frente aos Ministérios, mostramos um espírito de primeiro Maio diferente daquele que é frequentemente desfraldado em convenientes palanques eleitorais por governos que no dia 2 de maio, já o dão por esquecido. Como esquecidos são os deveres dos que devem zelar pelo futuro do trabalhador que tem o direito de se aposentar com dignidade. Na oportunidade ofereciamos a poupança dos funcionarios ativos, que já estava perdida, para investir na companhia aérea. Como retribuição os trabalhadores ativos e assitidos receberam a intervenção no Instituto, que foi solicitado pelos representantes da associação de assistidos, com o intuito de preservar seus proventos que em seguida deixariam de existir.
Após um 11 de abril de fé e esperança na vitória do direito, fomos “brindados” com mais uma data a relembrar, desta vez com revolta, pois o “day after”, 12 de abril, marca o golpe traiçoeiro no nosso fundo de pensão, Aerus, que na verdade vinha desde há muito tempo sendo minado por irresponsabilidades até hoje não esclarecidas. O que se seguiu e todo mundo sabe, é que hoje milhares de trabalhadores ainda estão desempregados, muitos dos quais "jovens" demais para se aposentar e "velhos" demais para serem contratados e sem seus direitos trabalhistas recuperados, amargam um "limbo" existencial que não comove ninguém com poder de socorrê-los. Os aposentados, vendo suas pensões encolhendo mês a mês, uma afronta a quem confiou no sistema, esperam por uma solução que não foi de sua escolha e que ainda assim teima em ignorar que o passar do tempo cobra uma fatura duríssima dos que não podem mais retornar ao mercado de trabalho.
Nesse triste abril de 2008, da Dengue e de tantas mazelas, nunca é demais chamar a atenção para as coisas que tomamos como normais até que o infortúnio bata à nossa porta. O problema dos variguianos e a epidemia da Dengue evidentemente, são coisas diferentes. Mas são o resultado nefasto da mesma irresponsabilidade de quem é escolhido para representar uma categoria ou Instituição, ou pago para zelar pelos interesses sociais do povo brasileiro . Assim, nosso caminho para uma celebração do Dia do Trabalhador, passa obrigatóriamente por realizarmos os ideais da nossa caminhada em Brasília no dia 11 de abril de 2006 e pela correção da injustiça cometida em 12 de abril do mesmo ano. Cmro.
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